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Arnaldo Niskier

( jornalista, Professor, educador, administrador, ensaísta e orador)
1935-1984


Arnaldo Niskier, jornalista, professor, educador, administrador, ensaísta e orador, nasceu em Pilares, Rio de Janeiro, RJ, em 30 de abril de 1935. Eleito em 22 de março de 1984 para a Cadeira n. 18, na sucessão de Peregrino Júnior, foi recebido em 17 de setembro de 1984, pela acadêmica Rachel de Queiroz.


Filho de Marcos e Fany Niskier, imigrantes poloneses (de Ostrowiec) chegados ao Brasil em tempos distintos, no início dos anos 30, sob a influência da onda migratória motivada pela grande crise que assolava a Europa. As dificuldades econômicas vividas pela família não o impediram de ter uma infância de dedicação aos estudos. A família mudou-se, sucessivamente, para vários endereços, a começar pela Tijuca, em 1939, circunstância que o aproximou do Instituto de Educação. Ali foi aluno no Jardim de Infância, conduzido pela professora Paulina Dain Buchman, que depois viria a ser sua sogra. Depois morou no Riachuelo, onde freqüentou a 1a série do primário na Escola 19 Canadá, hoje Escola Pareto. Ali teve suas primeiras grandes lições em escola pública, depois do período que viveu no Instituto de Educação.

Entre 1944 e 1946, a família viveu em São Paulo. Lá ele fez o 1o e o 2o ano no Grupo Escolar Rodrigues Alves. Depois, voltou para o Rio de Janeiro, residindo na Tijuca. Cursou o ginásio no Colégio Vera Cruz, sempre se distinguindo como o primeiro da classe. Também se destacou no futebol, ele que participava de peladas desde a infância. Praticou esportes no América Futebol Clube e no Clube Municipal, onde foi campeão carioca de basquetebol (2a divisão). Até hoje, é torcedor do América.

Ao entrar no científico, aos 16 anos, começou a fazer crônicas esportivas para o jornal Última Hora. No dia 15 de outubro de 1955 entrou na Manchete Esportiva. Por esse tempo, aproximou-se de Adolpho Bloch, levado pela necessidade de obter uma fiança para aluguel de apartamento. Começou aí o grande respeito e amizade que teve por ele durante 37 anos, trabalhando na Manchete. Em janeiro de 1960 foi convidado para a chefia de reportagem, onde permaneceu durante 18 anos, sendo, também, diretor do departamento de jornalismo.

Prestou o serviço militar na Marinha de Guerra, após fazer prova no Centro de Instrução de Oficiais da Reserva da Marinha (CIORM), onde passou em 6o lugar. Fez curso de dois anos na Intendência da Marinha. Durante o curso, fez viagens pelo Brasil a bordo do Tamandaré e do Bauru. Formou-se em guarda-marinha, chegando a segundo-tenente. Aos 21 anos era oficial da Reserva da Marinha de Guerra.

Fez vestibular para Engenharia, mas não teve êxito. Inscreveu-se depois para Matemática, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Começou a atuar na política universitária, sendo eleito secretário-geral e depois presidente do Diretório Acadêmico Lafayette Cortes. Licenciou-se em Matemática (1958) e Pedagogia (1962), também pela UERJ, onde começara a lecionar (1958). Tornou-se Doutor em Educação em decorrência de aprovação no concurso para Livre Docente na cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada (1964). Catedrático por concurso na UERJ (1968), tornou-se professor titular de História e Filosofia da Educação. É professor credenciado pelo Conselho Federal de Educação em Teoria Geral da Administração e Orçamento Empresarial.

Como diretor das Empresas Bloch (Manchete), esteve à frente do departamento de Educação, onde produziu mais de 100 livros didáticos e realizou diversos projetos de incentivo à pesquisa e ao hábito de leitura. Criou a Maratona Escolar de Literatura, destinada a alunos de 2o grau em todo o Brasil, que entre 1976 a 1987 levou estudantes do ensino médio a se debruçar sobre as biografias de grandes escritores brasileiros já falecidos.

Foi secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (o primeiro da América Latina), de 1968 a 1971. Além de outras iniciativas na área da pesquisa científica, foi o criador do Planetário do Rio de Janeiro (1970) e membro do Grupo de Trabalho que estudou a viabilidade de implantação da Universidade Aberta no Brasil (1973).

De 1979 a 1983, foi secretário de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Exerceu também os cargos de Presidente da Fundação de Artes do Rio de Janeiro - FUNARJ; Presidente do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro; Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e vice-chanceler da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Por seis anos (1986-1992), foi membro do Conselho Federal de Educação, onde atuou como seu representante no Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Ministerial no 511, de 27.9.1988, com a finalidade de elaborar a Política de Educação à Distância; presidiu a Câmara de Ensino Superior durante três anos (1989-92) e coordenou o Seminário Nacional de Qualidade do Ensino, realizado em Brasília (1991). Nesse período, foi relator de 538 processos e apresentou 23 indicações, com temas essenciais, como a informática na educação, atendimento a superdotados e educação à distância. Em 1996, por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso, Arnaldo Niskier foi nomeado para o Conselho Nacional de Educação. Pertence à Câmara de Educação Superior.

Estas atividades permitem-lhe enriquecer sua experiência de escritor. Sua obra na área da educação, até 1996, chega aos cinqüenta títulos. Os pronunciamentos feitos em nome da Secretaria de Educação e Cultura, suas propostas, como a da mudança da Lei 5.692/71, com relação ao ensino profissionalizante, bem como inúmeras realizações, dentre as quais a inauguração de 88 escolas, estão registrados nas obras O homem é a meta (1980), Educação é a solução (1981), Educação para o trabalho (1982) e Educação e cultura na imprensa (1983).

Em 1989, publica a obra fundamental Educação brasileira: 500 anos de história (1500-2000), sobre a qual escreveu Américo Jacobina Lacombe: "Se não é possível planejar coisa alguma sem o conhecimento das raízes dos problemas, este trabalho elaborado por Arnaldo Niskier, conhecedor exímio das necessidades nacionais da matéria e educador confiante na capacidade de vencerem as novas gerações os obstáculos que as desafiam, será essencial ao estudo de todos os que se preocupam com o futuro." Destacam-se também as seguintes obras: S.O.S. educação - Sugestões para a virada do século (1991), com propostas variadas para a solução da problemática educacional, muitas delas apresentadas no Conselho Federal de Educação com indicações e pareceres de sua autoria; Filosofia da educação: uma visão crítica (1992), onde registra os debates inspirados por aulas ministradas na Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e traça um roteiro dos elementos indispensáveis do que enseja modernamente a filosofia da educação; e LDB - A nova lei da educação (1996), onde faz a mais atualizada análise dos temas de sua especialidade e apresenta os resultados e propostas de Grupos de Trabalho que estudaram a situação do ensino no Brasil e nortearam a elaboração da nova LDB.

O interesse pelos temas da educação nacional e sua relação com a realidade brasileira são também o fundamento no seu trabalho de muitos anos no jornalismo profissional, área de comunicação que se amplia com sua presença na televisão, como no programa "Debate em Manchete", na rede Manchete (foram 358 entrevistas, de 1985-1992), e, atualmente, no programa "Frente a Frente", na Rede Vida de Televisão, e nos comentários diários no "Plantão CBN", do Sistema Globo de Rádio. O seu livro O diário da educação (1995) reúne 300 dessas pequenas crônicas sobre o cotidiano da pedagogia brasileira. Ao educador, professor, administrador e jornalista acrescenta-se ainda o conferencista inspirado, o debatedor atuante de assuntos variados, sempre relacionados com a melhoria da educação e da realidade brasileira em todos os sentidos.

Tem se dedicado, também, à literatura infanto-juvenil. Publicou, nessa área, cerca de 30 livros, alguns dos quais adaptados posteriormente para o teatro, com grande êxito. Entre essas obras, O dia em que o mico-leão chorou, com 12 edições.

Casou-se em 3 de maio de 1962 com Ruth Niskier. Tem o casal três filhos: Celso, Andréia e Sandra. E quatro netas: Giovanna, Dora, Gabriela e Fernanda.

As múltiplas atividades, de educador, professor, escritor e homem de comunicação, não lhe diminuem a dedicação à família e aos amigos. Um deles, Carlos Heitor Cony, bem o define nestas poucas palavras: "Na personalidade do Arnaldo há, em doses iguais, o molejo do carioca e a austeridade do técnico. São duas coordenadas que ele maneja com habilidade." Sem nunca ter deixado de ser, na alma, "um dos caprichosos de Pilares", Arnaldo Niskier percorreu o caminho necessário para conhecer os problemas da educação e da cultura. É reconhecidamente um profissional apaixonado do ensino, que reúne as qualidades do professor e do educador, na mesma linha dos grandes mestres nacionais, de Anísio Teixeira a Paulo Freire.

Obras: Problemática da educação brasileira (prêmio Gustavo Capanema) (1964); Formas dinâmicas da universidade (tese) (1964): Formas dinâmicas da administração (tese) (1966); Cinco dias de junho (co-autor) (1967); Por uma política de ciência e tecnologia (1968); Brasil, ano 2000 (educação) (1968); Ciência e tecnologia para o desenvolvimento (1970); Estudos de problemas brasileiros (ciência e tecnologia) (1970); Rio, ano 2000 (co-autor) (1970); Administração escolar (1972); O impacto da tecnologia (prêmio Alfredo Jurzikowski, da Academia Brasileira de Letras) (1972); A nova escola (1972); Educação comparada moderna (1973); Nosso Brasil: estudos de problemas brasileiros (1973); O uso de tecnologias educacionais para a formação e aperfeiçoamento do magistério (monografia) (1976); A nova escola-II (1978); Educação, para quê? (prêmio Francisco Alves) (1980); O homem é a meta (1980); Vovó viu a uva (1981); Educação é a solução (O homem é a meta-II) (1981); Educação para o trabalho (O homem é a meta-III) (1982); Educação e cultura na imprensa (1983); Educação e cultura: da teoria à prática (1983); Educação: reflexão e crítica (1983); A nova educação: entre o coração e a máquina (1985); Administração da escola: uma gerência inovadora (1985); João Francisco Lisboa - O Timon Maranhense (1986); A nova escola-III (1986); Orígenes Lessa, o contador de histórias (posse no Pen Clube do Brasil) (1987); Educação para o futuro (1987); A hora do superdotado: uma proposta do Conselho Federal de Educação (co-autor) (1987); A informática na educação (co-autor) (1988); Ensino à distância: uma opção (co-autor) (1988); Por uma política nacional de educação aberta e à distância (co-autor) (1988); Amor à vida (1989); Educação brasileira: 500 anos de história (1500-2000) (1989); A escola acabou? (1989); S.O.S. educação: sugestões para a virada do século (1991); Filosofia da educação: uma visão crítica (1992); Educação em primeiro lugar (1992); Brasil de todas as idéias (1993); Tecnologia educacional (1993); Sabedoria judaica (1994); O professor universitário - Herói ou vilão (1994); Diário da educação (1995); Tragédia do ensino e outras crônicas (1995); Educação no Brasil (co-autor) (1995); LDB - A nova lei da educação (1996); Educação de trânsito (1996); Qualidade do ensino - A grande meta (1996); LDB, nova lei da educação (1997).

LITERATURA INFANTO-JUVENIL: A Constituinte da Nova Floresta (1985); O saruê astronauta (1986); A misteriosa volta dos dinossauros (1988); O boto e o raio de sol (1988); O dia em que o mico-leão chorou (1989); Deu pé a bronca do jacaré (1989); A vingança do gato siamês (1989); O mamute que veio do frio (1989); Sinto saudade (1989); A república das saúvas (1990); A coragem da tartaruga careta (1990); Aventuras do Curupira (1990); Uma aventura no pantanal (1991); Maria Farinha (1992); O tesouro da Icamiaba (1992); Chapada: um mistério do outro mundo (1992); A culpa do gato (1992); Quem nasceu primeiro (1992); A forra do boi (2ª ed., 1993); Ianomâmis: um destino trágico (2ª ed., 1993); Ióssele e a pedra mágica (1993); O jacaré, o papo e o truque (1993); O boto e a bota (1993); A arara e o céu azul (1993); Quem ganha da ariranha (1993); O gavião ferido (1993); Quando as aves se amam (1994); O sonho do pombo-correio (2ª ed., 1994); Liberdade para as araras azuis (1994); Uma incrível viagem a Marte (1995); O grito do Guarapiranga (1996).

OBRAS DIDÁTICAS: Arnaldo Niskier é co-autor das seguintes publicações Bloch: Aprenda ciências - 1ª a 7ª série; A nova matemática - 1ª a 8ª série; Matemática da Emília - pré-escolar, 1ª a 4ª série; Matemática hoje - 1ª a 4ª série; Estudo moderno de ciências - 1ª a 4ª série; Ciências no mundo de hoje 1ª a 4ª série; Manual da didática da matemática; Jardim das cores; Jardim das formas; Jardim dos números; Amor à vida (com 20 edições e mais de 2 milhões de exemplares vendidos).

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