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Augusto de Lima

(jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político)
1859-1934


Augusto de Lima (Antônio A. de L.), jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político, nasceu em Congonhas de Sabará [hoje Nova Lima], MG, em 5 de abril de 1859, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de abril de 1934. Na Academia Brasileira de Letras, concorreu a primeira vez em 1902, na vaga de Francisco de Castro. Foi eleito Martins Júnior. Um ano depois, apresentou-se candidato à vaga de Urbano Duarte. Foi eleito em 5 de fevereiro de 1903, mas só tomou posse quatro anos depois, em 5 de dezembro de 1907, sendo recebido pelo acadêmico Medeiros e Albuquerque.

Augusto de Lima era filho de José Severiano de Lima e de Maria Rita de Lima. Iniciou o seu curso de humanidades no Seminário de Mariana, onde teve como professor de Latim o então padre Silvério Gomes Pimenta, mais tarde arcebispo de Mariana. Seguiu depois para o Seminário do Caraça. Desistindo de ser padre, foi prestar os exames preparatórios em Ouro Preto, em 1877. Em 78, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, onde foi amigo, entre outros, de Raimundo Correia, Afonso Celso Júnior, Silva Jardim, Valentim Magalhães, Teófilo Dias, Pinheiro Machado e Assis Brasil. Fundou, em 1880, com Raimundo Correia, Alexandre Coelho e Randolfo Fabrino, a Revista de Ciências e Letras. Obteve o título de bacharel em 1882, tendo, durante o curso, exercido o jornalismo, no qual se mostrou propagandista das idéias da República e da Abolição. Passou a colaborar na imprensa, sobretudo no jornal O Imparcial, às vezes sob os pseudônimos I, Lilvio e Lauro.

Voltou a Minas, onde foi nomeado promotor do Termo de Leopoldina, e, em 1885, era juiz municipal. Em 1889, foi nomeado promotor de direito de Conceição da Serra, no Espírito Santo, onde permaneceu até 1890, quando deveria seguir, no mesmo posto, para Dores de Boa Esperança, em Minas, mas logo foi escolhido para chefe de polícia do Estado, em Ouro Preto.

Agitava-se, naquela ocasião, o problema da mudança da capital do Estado de Minas, e a tese de Augusto de Lima era a de que a nova capital devia ser instalada no antigo Curral de El Rei, depois Belo Horizonte, ponto de vista esse que era também o do Barão de Lucena, ministro da Justiça. Foi nomeado presidente do Estado, mas não quis, por si só, fazer a mudança do governo, e submeteu o assunto ao Congresso Constituinte, e só três anos depois, em 1898, transferiu-se para Belo Horizonte, a capital do Estado. Em lembrança dessa campanha, o prefeito Otalício Negrão, já depois da morte de Augusto de Lima, deu o seu nome a uma das mais belas avenidas de Belo Horizonte.

Deixando o governo do Estado, voltou Augusto de Lima ao seu posto de juiz, servindo na capital. Ao fundar-se a Faculdade de Direito, de Minas Gerais, foi escolhido para ser um dos professores, indo reger a cadeira de Filosofia do Direito, acumulando com o cargo de diretor do Arquivo Público, até 1910. Nesse ano, foi eleito deputado federal pelo seu Estado, sendo reeleito em várias legislaturas. Na campanha política de 1929-1939, da qual resultou a vitória da revolução, teve parte relevante, pronunciando memoráveis discursos. Na Câmara, o nome de Augusto de Lima aparece relatando e assinando pareceres na Comissão de Diplomacia e Tratados, de que foi membro, notadamente de 1910 a 1913 e de 1920 a 1923. Em 1934, foi eleito para a Assembléia Constituinte, e dela fazia parte, quando teve de submeter-me a uma cirurgia, e recolheu-se à Casa de Saúde de São José, no Rio de Janeiro, onde veio a falecer.

Obras: Contemporâneas, poesia (1887); Símbolos, poesia (1892); Poesias (1909); Noites de sábado, crônicas (1923); São Francisco de Assis, poesia (1930); Coletânea de poesias (1880-1934), poesia (1959); Tiradentes, poesia; Antes da sombra, poesia (inédito). Informa Velho Sobrinho que o poeta tinha na tipografia este livro, que foi retirado pela sua família, impressionada com o título.

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