ALCÂNTARA DEFENDE PROFISSIONALIZAÇÃO DOS SEVIDORES PARA BARRAR CORRUPÇÃO
O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) defendeu hoje (dia 16) a profissionalização dos servidores como forma de erigir barreiras à corrupção na administração pública. Ingresso por concurso, ascensão por mérito e carreira funcional que permita o acesso aos altos cargos poderiam, segundo ele, estabelecer as necessárias fronteiras entre setor público e privado. Alcântara confessou ter muitas dúvidas em relação à extinção da estabilidade e frisou que a reforma do Estado não pode ser "um holocausto do funcionalismo".
Para o parlamentar cearense, as denúncias que antecederam a exoneração do secretário de Acompanhamento Econômico, José Milton Dallari, convidam à reflexão e à busca de propostas sobre "as relações promíscuas entre o Estado e a iniciativa privada". Ele ressaltou que o secretário pode ser absolutamente inocente. Mas os episódios que o envolveram e a conseqüente publicação de listas de autoridades do governo que prestaram serviços a empresas apontariam para "um dos grandes problemas do Estado brasileiro".
Lúcio Alcântara destacou também pesquisa realizada por uma entidade de combate à corrupção, a "Transparência Internacional". Ela classificou 41 países, do menos ao mais corrupto na opinião das pessoas que tentam trabalhar neles, conforme um "corruptômetro" variando de 1 a 10.
- Entre os mais corruptos, com notas abaixo de 3, encontramos a Indonésia, China, Paquistão, Venezuela, Brasil, Filipinas, Índia, Tailândia e Itália. Um troféu pouco enaltecedor para o país - lamentou.
O senador Jefferson Peres (PSDB-AM) avaliou ser impossível prever todas as formas de corrupção para sujeitá-las a regras e penalidades legais. Na opinião do senador Roberto Requião (PMDB-PR), a estabilidade e a profissionalização dos servidores não criariam o que ele chamou de "funcionário transgênico", imune à corrupção. A aprovação de projeto em tramitação prevendo condições para a quebra do sigilo bancário seria mais eficaz, disse ele. O senador petista José Eduardo Dutra (SE) observou que a lista da Transparência Internacional revelaria a existência de uma relação direta entre alto índice de corrupção e altos índices de desigualdade social. O senador Pedro Simon (PMDB-RS), por sua vez, declarou que a exoneração do secretário Dallari, hoje de manhã, evitou que ele recorresse à ajuda do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para tanto.
16/08/1995
Agência Senado
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