ALCÂNTARA HOMENAGEIA JOÃO CABRAL



A obra poética de João Cabral de Melo Neto tem a capacidade de aliar ao apuro técnico a inovação formal e a contundente revelação da realidade. A análise é do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), que homenageou em discurso a memória do poeta pernambucano , falecido no dia 9 de outubro.
Alcântara lamentou que João Cabral não tenha tido sua obra devidamente reconhecida, citando como um dos motivos o fato de o Brasil não valorizar a literatura em geral e, em particular, a poesia. Mesmo reconhecendo que fora do país o poeta obteve certa consagração, o senador disse que João Cabral encontrou obstáculos para divulgar sua obra pela dificuldade de obter traduções competentes.
Considerando que o melhor reconhecimento que um poeta pode ter é a popularização de sua obra, Alcântara destacou trechos de poesias que consagraram o autor. Entre elas, O Cão sem Plumas, de 1950, que, de acordo com o senador, mostra as semelhanças entre o rio, o cão e o homem, evidenciando o estado de "extrema carência dos seres humanos e sua capacidade visceral de resistência".
O Auto de Natal Pernambucano: Morte e Vida Severina também foi mencionado pelo parlamentar. Nesse poema, publicado em 1956, "nosso poeta enfoca a condição geral dos pobres do Nordeste, acompanhando a migração de um lavrador, que sai do sertão ressequido e passa pelos canaviais, até chegar à cidade do Recife".
O senador sustentou a necessidade de que a obra de João Cabral esteja mais presente na cultura brasileira, ressaltando que o maior conhecimento de sua poesia pode tornar, especialmente os jovens, mais conscientes. "Se já há pessoas que freqüentam seus poemas e com ele se enriquecem, quão melhor seria se fosse maior esse número", disse.

29/10/1999

Agência Senado


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