ALCÂNTARA PEDE SOLIDARIEDADE DE MG E BA PARA TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) pediu hoje (dia 14) a solidariedade de mineiros e baianos para a transposição das águas do Rio São Francisco, justificando que a realização desse projeto é fundamental para pelo menos quatro estados do Nordeste: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Ele citou trechos de artigo do jornalista Luís Nassif, publicado ontem (dia 13) na Folha de S. Paulo, para ilustrar seu pronunciamento no Plenário.
Lendo o artigo, intitulado "A Miragem do São Francisco", Alcântara destacou que Luís Nassif via três dificuldades para a transposição do rio. A primeira, de cunho federativo, pois o projeto implica retirar água de alguns estados para distribuir em outros. A segunda, são os poucos estudos avaliando as conseqüências ambientais da transposição. A terceira razão citada pelo jornalista foi econômica. "O primeiro projeto apresentado era megalômano, implicando custos extraordinários", escreveu Nassif .
Comentando a primeira dificuldade citada pelo jornalista, Alcântara opinou que o princípio federativo significa coesão e solidariedade entre os estados membros. E que o Senado seria o local indicado para o debate na busca de uma solução harmônica para o assunto. Quanto aos impactos ambientais, o senador informou que o governo Federal contratou empresa para elaborar estudo sobre as repercussões da obra no meio ambiente. Ele defendeu que a razão econômica também não seria problema.
- Os dados estão variando. O número mais alto que vi até agora fala em US$ 1 bilhão, que não é nada de espantar, em se tratando de uma obra desse gênero, que visa trazer muitos benefícios para essas regiões que querem ser assistidas - justificou Alcântara, referindo-se à terceira dificuldade citada por Nassif.
RECUPERAÇÃO
Alcântara acrescentou que "niguém pode querer sangrar o São Francisco para ajudar a matá-lo, seria impatriótico". Ele informou que o projeto também envolve a recuperação do rio, desde a sua nascente na Serra da Canastra. Na opinião do senador cearense, o arroz e o feijão que estão sendo distribuídos, apesar de serem medidas necessárias, não bastam. "Precisamos de medidas definitivas que contribuam para soluções permanentes", completou. Outro apelo feito por Alcântara foi para que não se transforme o debate pela transposição em uma bandeira política ou slogan. "Temos que analisar o assunto com objetividade e senso patriótico", sugeriu, justificando que hoje a grande dificuldade é a falta de água para beber e não para insumo de atividade econômica.
O senador Djalma Bessa (PFL-BA) concordou com Alcântara e disse que o valor estimado em US$ 1 bilhão representa um investimento mínimo diante da finalidade social de salvar vidas. Romeu Tuma falou das campanhas de arrecadação de donativos que estão sendo feitas em todo o país. "Essa solidariedade se contrapõe à violência dos saques que vêm sendo realizados. Enquanto o povo sofrido sabe que precisa ajudar com alimentos, outros pregam a prática do crime", comparou.
14/05/1998
Agência Senado
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