Aluno do Instituto dos Alimentos constrói máquina para quebrar coco
Invento que corta babaçu conquistou o 2º lugar do Prêmio von Martius oferecido pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha
Tudo no babaçu pode ser aproveitado. Da palha da planta (palmeira) às sementes (amêndoas). Seu uso abrangente vai da culinária, cosméticos, artesanato até a produção de biodiesel. Cresce com tal vigor nas áreas degradadas e de pastagens que chega a ser considerado daninho, invasor e praga. Suas sementes são resistentes à predação. Amplamente distribuído nas Regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, há muito tempo é conhecido pela população local. O problema é abrir o fruto já que os cachos (com 200 cocos, em média) podem ser retirados da árvore com facilidade. Do tamanho de uma laranja, é bem mais duro que o coco-da-baía. Até hoje sua quebra continua arcaica e manual.
Para abri-lo, a pessoa segura com as mãos o coco entre as pernas e bate forte com um machado virado ao contrário (corte para cima). Quem costuma fazer esse serviço são as chamadas quebradeiras de coco. O trabalho de quebra costuma servir-se de mão-de-obra feminina e infantil. A remuneração baixa, as péssimas condições de trabalho, o perigo de acidentes e o baixo aproveitamento do fruto são uma realidade nas áreas de produção. O processo humano é bem semelhante ao usado pelos macacos que em vez de segurar um machado, usam pedras. As araras também conseguem quebrar o babaçu graças aos poderosos bicos cortantes.
Alguns aparelhos conseguem vencer a dureza do babaçu, mas esmigalham as amêndoas prejudicando o seu aproveitamento. O óleo de babaçu, extraído da amêndoa, é a parte que tem mais valor comercial. Na busca de solução para a quebra do coco sem oferecer riscos de acidentes às quebradeiras, com baixo custo e aproveitamento de todas as partes que compõem o babaçu (epicarpo, mesocarpo, endocarpo e amêndoa), o estudante Eric Muto construiu os equipamentos chamados corta-coco e hamster sob orientação da pesquisadora do Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
Corta-coco e hamster
O primeiro é uma serra com suporte para serrar o coco. Colocado corretamente no aparelho, o babaçu é cortado em duas partes. Há uma posição correta para separar as amêndoas (de três a seis em cada coco) só pela metade sem correr o risco de prejudicá-las ou esmigalhá-las, explica Márcia. Se o fruto for triturado, haverá perda, por exemplo, da polpa (produção de leite de coco), da casca (carvão vegetal), amêndoa (shampoo, cremes e pomadas porque tem rápida absorção na pele e é bastante emoliente). O hamster serve para separar as sementes da casca que são difíceis de descolar.
Rainha da cocada
Por processo de agitação e com peneira, o hamster consegue fazer a extração. Mas o segredo em retirar a amêndoa sem tanta dificuldade está em secar um pouco o coco antes de iniciar o processo de quebra, conta a pesquisadora que há 20 anos estuda esses frutos. Primeiro foi o coco-da-baía, agora é o do babaçu. Brincando, ela diz que é a rainha da cocada. Acrescenta que parou de estudar o coco-da-baía porque já dispõe de tecnologias bem apropriadas, enquanto o do babaçu ainda é um desafio por ser pouco pesquisado e explorado comercialmente.
Os equipamentos produzidos no laboratório durante a pesquisa custaram R$ 430,40 porque foram utilizados materiais doados e disponíveis no instituto. A bolsa do estudante foi custeada, durante dois anos, pelo Programa Institucional de Iniciação Científica. Com as máquinas, são cortados 7,88 cocos por minuto, em média. As quebradeiras conseguem quebrar 1,85 no mesmo tempo. A pesquisadora diz que o aparelho é uma alternativa para as quebradeiras que podem adquirir e usar o equipamento em associações ou em cooperativas, já que seu custo é baixo e não oferece riscos de acidentes, bem comuns na quebra manual. “Há um protetor para cerrar que evita que a pessoa se corte”.
Exploração do babaçu
Márcia diz ainda que o projeto intitulado Tecnologia de quebra do coco babaçu teve o objetivo de facilitar o trabalho das pessoas do campo e não tirar o emprego delas. Desde a conquista do prêmio, a pesquisadora tem recebido propostas de empresários interessados nos equipamentos. Só não fechou acordos porque está elaborando um projeto completo de aproveitamento e exploração do babaçu, que engloba outras universidades e instituto de pesquisas. Por exemplo, com a PUC de Campinas serão feitos estudos do poder imunológico e com a Unicamp, pesquisas de biodiesel.
A palmeira de babaçu pode chegar a 20 metros de altura e produz o ano todo. Seu pico produtivo ocorre em agosto e janeiro. A planta produz seis cachos (cada um tem 200 cocos, em média). No Brasil distribui-se pelos Estados do Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Pará, Rondônia e Tocantins. O Maranhão detém 65% da área de ocorrência de babaçu do país, o que representa 30% da superfície do Estado, e faz o processamento industrial da amêndoa. Minas Gerais é o único Estado fora da zona babaçueira que possui área expressiva coberta pela planta que floresce também no Suriname e na Bolívia.
Por Claudeci Martins, da Agência Imprensa Oficial
(C.C.)
11/27/2007
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