Álvaro aponta marcas negativas de mandatos de FHC
O senador Álvaro Dias (PDT-PR) apontou o desemprego e a falta de distribuição de renda como as principais marcas negativas dos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Também citou os fracassos das reformas agrária e tributária e a submissão do atual governo à imposição, pelas grandes potências, de barreiras de importação para os produtos com os quais o país se mostra competitivo.
Da tribuna, nesta quarta-feira (5), o representante paranaense assinalou a existência de oito milhões de desempregados no país, ou 8,3% da população economicamente ativa, segundo as próprias estatísticas governamentais. Ressaltou que esse número multiplica-se quando se tomam outros critérios de avaliação, como os usados pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), os quais consideram como desempregados, por exemplo, também os trabalhadores temporários.
- O Paraná tem milhares de bóias-frias nessa situação - afirmou o parlamentar.
De acordo com Álvaro Dias, os dados do governo apontam a existência de 400 mil desempregados em seu estado, cujo índice de desemprego (9,3%) situa-se acima da média nacional. Para acabar com esse déficit e ainda fazer frente aos 350 mil jovens que deverão ingressar no mercado de trabalho, deveriam ser criados 750 mil empregos no Paraná nos próximos quatro anos, afirmou o senador. Além disso, informou, há 470 mil trabalhadores no estado que ganham menos de R$ 80,00 por mês.
- Os poucos ricos também não terão salvação se não pudermos socorrer esse exército de marginalizados - disse.
O parlamentar pelo Paraná afirmou que o governo de Fernando Henrique Cardoso "impediu o crescimento econômico" do país, sob "o pretexto de se assegurar a estabilidade econômica". Para não perder sua arrecadação, afirmou o senador, o Poder Executivo não empreendeu a reforma fiscal, impedindo "um modelo tributário compatível com a realidade nacional". Como resultado, há hoje o que o senador chamou de "injustiça fiscal: alguns pagando demais, outros pagando de menos e alguns pagando nada", o que foi por ele considerado uma "punição aos que pagam corretamente" seus impostos.
- Também a reforma agrária não alcança o objetivo de distribuição de renda que poderia alcançar - afirmou Álvaro Dias.
O senador considerou ainda uma "incompetência governamental" a submissão do Brasil a barreiras protecionistas das grandes potências econômicas, principalmente na área agrícola, na qual o país tem se mostrado bastante competitivo. Ele pediu espaço para decisões mais democráticas no cenário internacional.
05/06/2002
Agência Senado
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