Alvaro Dias vê acordo de "blindagem recíproca" no sumiço de José Aparecido
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou nesta quinta-feira (15), em entrevista coletiva, que o sumiço do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil da Presidência da República, José Aparecido Pires, é indício de que um acordo de "blindagem recíproca" foi firmado entre ele e pessoas importantes do governo para que todos se protejam no depoimento da próxima terça-feira (20), na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Cartões Corporativos .
- Houve um acordo de procedimento entre o governo e o senhor José Aparecido na linha da blindagem recíproca, ou seja, o José Aparecido protege as pessoas mais importantes do governo, que estão envolvidas neste crime do dossiê, e ele é protegido por essas pessoas. É evidente que ele procurou se resguardar para mentir à CPI, ou pior, não dizer nada à CPI - afirmou.
Na avaliação do senador, além de se esconder, José Aparecido recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) em busca de um habeas corpus porque tem medo e porque sabe de onde veio a ordem para a elaboração do dossiê que reúne informações sobre os gastos da Presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso. Alvaro Dias observou que a negativa do habeas corpus pelo STF não muda muito a situação de José Aparecido, pois há uma prerrogativa da legislação que possibilita a ele não falar algo que possa incriminá-lo.
Alvaro Dias disse que é preciso evitar falsas expectativas em relação ao depoimento de José Aparecido. Para o senador, é praticamente impossível arrancar toda a verdade nesse depoimento, e as esperanças devem ser depositadas na investigação da Polícia Federal, que dispõe de mais instrumentos do que a CPI. O senador também não acredita na possibilidade de haver uma prisão do depoente.
- Raramente ocorre um episódio de prisão. Até porque não é esse o papel de uma CPI. De qualquer maneira, aconteceram prisões em decorrência de desrespeito flagrante em outras CPIs, mas imediatamente se consegue um habeas corpus e o preso é libertado. Esse espetáculo nós não queremos proporcionar - disse.
O senador disse ainda que o seu assessor, André Eduardo Fernandes, jamais solicitaria um habeas corpus porque está agindo no estrito cumprimento de um dever legal e deveria ser premiado por ter agido com honestidade e lealdade. Alvaro Dias frisou que se o seu assessor não tivesse revelado a "peça criminosa" estaria, no mínimo, cometendo uma infração administrativa.
Alvaro Dias confirmou que seu assessor comparecerá à CPI para colaborar, contar o que sabe e mostrar o documento que recebeu. O senador informou que André estará acompanhado de um amigo advogado, "apenas por precaução". Ele também não acredita que a base governista tente transformar a reunião em sessão secreta, pois o propósito principal da CPI é garantir a transparência para que a população tome conhecimento dos fatos.
15/05/2008
Agência Senado
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