Ana Júlia comenta anúncio da Vale de instalar pólo em São Luís



Ao registrar que no dia 28 de julho a Companhia Vale do Rio Doce anunciou a instalação de um novo pólo siderúrgico na cidade de São Luís (MA), a senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) disse, nesta quarta-fedira (13), que a informação causou impacto no Pará, já que o minério de ferro extraído em Carajás (PA) será levado para processamento em outro estado, que será beneficiado com os investimentos e a criação de novos empregos.

- Não se trata aqui de artificializarmos uma disputa regional entre Pará e Maranhão, obviamente não é esse o papel do Senado. Mas esta Casa tem que debater uma crise estabelecida que envolve diretamente dois estados da Federação, que poderá afetar as exportações brasileiras e que diz respeito à forma de desenvolvimento da maior região geográfica do país, onde se encontra a maior reserva florestal do mundo - afirmou Ana Júlia.

O novo investimento da Vale do Rio Doce, segundo a senadora, é estimado em US$ 1 bilhão e é esperada uma receita anual de US$ 600 milhões. Ela disse ainda que a mineradora pretende implantar uma usina destinada à produção de 370 mil toneladas por ano de ferro-gusa em sociedade com a Nucor, uma das maiores empresas siderúrgicas dos Estados Unidos.

Ana Júlia Carepa comentou que nos últimos 20 anos foram implantados no corredor da Estrada de Ferro Carajás mais de uma dezena de siderúrgicas, que utilizam o carvão vegetal como redutor para a produção de ferro-gusa. A produção do carvão vegetal tem causado impactos sociais e ambientais em larga escala e o problema das terras degradadas voltou a ser discutido nesse instante em que o Pará enfrenta uma crise de relacionamento com a Vale do Rio Doce, explicou a senadora.

A Vale do Rio Doce, de acordo com Ana Júlia, pretende iniciar o reflorestamento das terras degradadas, com a possibilidade de parte desse reflorestamento ser feito em áreas de assentamento e envolver famílias de agricultores. Apesar disso, a senadora lamentou o fato de a proposta apresentada não garantir a criação de novos empregos, o controle ambiental e o estabelecimento de um pólo que permita o desenvolvimento regional.

CFC

A senadora registrou ainda que foi eleita presidente da subcomissão permanente criada no âmbito da Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) com o objetivo de fiscalizar os atos de gestão das agências reguladoras. Autora do requerimento propondo a instalação da subcomissão, ela acrescentou que o senador Valmir Amaral (PMDB-DF) foi eleito vice-presidente e o senador Leomar Quintanilha (PFL-TO) foi indicado como relator.

A CFC, prosseguiu a senadora, também criou uma subcomissão permanente para debater a questão das obras inacabadas. O senador Efraim Morais (PFL-PB) foi eleito presidente e o vice escolhido foi o senador Leonel Pavan (PSDB-SC). Delcidio Amaral, senador petista pelo Mato Grosso do Sul, foi eleito relator, informou Ana Júlia.



13/08/2003

Agência Senado


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