Antero diz que reforma previdenciária também prejudicará trabalhador da iniciativa privada
O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) afirmou que os trabalhadores da iniciativa privada serão prejudicados pela reforma da previdência, muito embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva -insista em dizer que isso não acontecerá-. Para confirmar essa afirmação, o senador leu o artigo Eu me elejo, nós tungamos, eles pagam, de Élio Gaspari, publicado no jornal O Globo do dia 9 de julho.
Segundo o artigo, a reforma da previdência permitirá tirar cerca de R$ 1,5 bilhão anuais do bolso dos trabalhadores da iniciativa privada. Atualmente, o trabalhador, afirma Gaspari, desconta 11% de seu salário até R$ 1.869 e se aposenta recebendo no máximo esse teto. Quem ganha acima desse valor paga R$ 205 por mês para a previdência social. A reforma de Lula eleva o teto da aposentadoria e da contribuição para R$ 2.400. Isso significa que cerca de 1,2 milhão de pessoas que ganham acima de R$ 2.399 pagarão R$ 264 mensais. Uma diferença de R$ 59 por mês.
O governo argumenta que o aumento do teto só vai beneficiar os trabalhadores, mas, observou o jornalista, segundo relato do senador, o primeiro cheque de R$ 2.400 só sairá do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) daqui a 24 anos. O colunista argumenta ainda, conforme Antero, que esses mesmos R$ 59 mensais renderiam muito mais aplicados num fundo e previdência privado. Mas o governo não dá essa opção ao trabalhador, obrigando-o a contribuir mais com o INSS. Para o autor do artigo, o aumento do teto é hipócrita porque -tunga a patuléia dizendo que o faz em seu benefício, quando na realidade quer apenas fazer caixa-.
Outro trecho do artigo, citado pelo senador, chama de autoritária a decisão do governo:
- A tunga é autoritária porque é mandatória. Se houvesse tolerância e respeito pelo bolso dos trabalhadores, o governo poderia pulverizar todas as argumentações contrárias (inclusive esta) informando que a mudança de teto seria voluntária. O autoritarismo é presunçoso, porque os doutores de Brasília acham que devem ensinar à patuléia o que ela deve fazer com seu dinheiro. Gente esquisita essa: quer jogar os servidores numa modalidade de previdência privada e quer obrigar os trabalhadores a enfiar mais um pé na previdência pública.
18/07/2003
Agência Senado
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