Antero: "E-mail de Gabeira representa a correção de uma injustiça"
O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) afirmou nesta quinta-feira (14) que o e-mail enviado a ele na quarta-feira (13) pelo deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) que o isenta de envolvimento com a máfia das ambulâncias foi a correção de uma injustiça que estava sendo cometida contra ele.
Gabeira, um dos sub-relatores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas, foi designado para produzir um relatório preliminar sobre as acusações feitas pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin de que Antero Paes de Barros teria recebido propina para beneficiar o esquema de fraudes que possibilitou a destinação irregular de recursos do Orçamento da União para a compra de ambulâncias para municípios com preços superfaturados.
- Isso (o e-mail) significa a correção de uma injustiça, porque tentar me misturar com essa turma (de criminosos) é o mesmo que tentar absolvê-los. Isso sepulta de uma vez por todas essa história aqui no Mato Grosso - afirmou o senador, que já havia dito que a acusação de que teria participado do esquema de fraudes estava prejudicando sua campanha política ao governo do estado.
Luiz Antônio Vedoin é um dos donos da Planam, empresa apontada como principal organizadora do esquema de fraudes. O empresário esteve preso em Cuiabá, quando prestou um longo depoimento de nove dias à Justiça Federal de Mato Grosso, mas obteve a liberdade provisória - e pode ser ainda beneficiado com a redução da pena, por meio do instituto da delação premiada, que prevê benefícios aos acusados de terem cometido crimes em troca de informações que auxiliem as investigações policiais e os processos.
Em entrevista à revista Veja no final de agosto, Luiz Antônio afirmou que seu pai, José Darci Vedoin, acertou com Antero Paes de Barros o pagamento de R$ 40 mil de comissão pela elaboração de emendas ao Orçamento no valor de R$ 400 mil. O repasse do dinheiro, segundo Luiz Antônio, teria sido feito por intermédio do deputado Lino Rossi (PP-MT), que também está sendo investigado por suposta participação no esquema de fraudes.
Para Antero Paes de Barros, as acusações foram motivadas pelo seu trabalho político "sempre pautado no combate à corrupção", principalmente, segundo ele, por ter denunciado que, em Mato Grosso, os "sanguessugas" atuavam sob a coordenação do governador Blairo Maggi, candidato à reeleição.
-Todos os sanguessugas estão no palanque do Blairo Maggi, uma das maiores fortunas do estado - destacou Antero, ao acrescentar que, devido a sua atuação voltada ao combate à corrupção, sempre fez muitos inimigos.
No e-mail enviado a Antero, Gabeira afirma que as acusações feitas contra o senador são inconsistentes. O deputado pelo Rio de Janeiro diz ainda que na próxima reunião da CPI Mista dos Sanguessugas, marcada para o dia 4 de outubro, recomendará que o caso não seja enviado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para abertura de processo disciplinar contra o senador.
Investigações
Antero é o quarto senador investigado pela CPI dos Sanguessugas. Serys Slhessarenko (PT-MT), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Magno Malta (PL-ES) tiveram seus nomes citados no relatório parcial do colegiado por haver, no entender dos integrantes da CPI, indícios ou provas de que tenham, de alguma forma, participado do esquema de fraudes.
Outros 69 deputados também tiveram seus nomes incluídos no relatório da CPI Mista. Desses, dois (Coriolano Sales, do PFL da Bahia, e Marcelino Fraga, do PMDB do Espírito Santo) renunciaram aos respectivos mandatos parlamentares para não perderem os direitos políticos caso fossem cassados. No dia 29 de agosto, o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), resolveu incluir na lista de investigados, além de Antero Paes de Barros, os deputados Salvador Zimbaldi (PSB-SP) e Philemon Rodrigues (PTB-PB).
14/09/2006
Agência Senado
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