ANTONIO CARLOS AFIRMA QUE NÃO MUDOU DE IDÉIA
Interpelado pelo deputado Paulo Paim (PT-RS) sobre qual seria sua posição com relação ao valor que deveria ser estipulado para o salário mínimo no país, o presidente do Congreso, Antonio Carlos Magalhães afirmou que sua opinião é a que está publicada em todos os jornais do país. Ele acrescentou que não mudou de idéia. "Como estou na presidência do Congresso, não posso anunciá-la, mas minha posição continua a mesma", disse Antonio Carlos.Ao pedir o depoimento de Antonio Carlos Magalhães, Paulo Paim destacou que, apesar das divergências políticas, o presidente do Congresso sempre assumiu com ele "uma postura do mais alto nível". Paim acrescentou que Antonio Carlos sempre cumpriu "na íntegra" tudo o que conversou com ele. "Faço um apelo aos parlamentares do PFL para que não deixem o seu líder guerreando sozinho pelo salário de R$ 177".Ainda durante a discussão da medida provisória que elevou o salário mínimo para R$ 151, o deputado Pedro Eugênio (PPS-PE) lembrou que a proposta do seu partido era estabelecer uma política progressiva para o salário mínimo de uma forma que, ao fim de dez anos, tenha um valor que hoje representaria R$ 924. Para este ano, segundo o PPS, o menor salário a ser pago no país deveria ser de R$ 216. O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) apresentou alguns gráficos aos parlamentares para argumentar que o salário de R$ 151 é o possível para o Brasil no momento. Ele sugeriu que os parlamentares da oposição proponham aos governadores dos seus partidos que aumentem o salário mínimo nos seus estados para R$ 900, como alguns sugeriram ao governo federal. Já o deputado Professor Luizinho (PT-SP) disse que só anulando o caráter e a vergonha é que um parlamentar pode aprovar um salário mínimo de R$ 151. Ele cobrou de Alberto Goldman que apresente gráficos mostrando o desemprego no país, o crescimento da miséria e os efeitos da seca no Nordeste. Luizinho também defendeu uma política de desenvolvimento para o Brasil, na qual o salário mínimo equivalente a US$ 100 teria peso fundamental para o início da recuperação do poder aquisitivo dos trabalhadores.Contestando os números apresentados por Alberto Goldman, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) mostrou um gráfico elaborado pelo Dieese segundo o qual o salário mínimo hoje vale quatro vezes menos do que em 1940. Por sua vez, o deputado Ricardo Barros (PPB-PR) registrou que enquanto o salário de R$ 151 custaria R$ 1,4 bilhão a mais aos cofres da União, para o salário de R$ 177 seriam necessários mais R$ 8,2 bilhões. Ele concluiu que, para o país, o melhor é manter o texto da medida provisória, que fixa o salário mínimo em R$ 151. O deputado Pedro Henry (PSDB-MT) mostrou números apontando que de 1994 até agora o salário mínimo teve um ganho real de 28,3%, o maior dos últimos 15 anos. Ele completou que de 1982 a 1990 o mínimo teve uma queda de 24% no seu poder real de compra e de 1990 a 1994 um aumento de 10,6%, apesar da inflação.
10/05/2000
Agência Senado
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