Apenas 11% das pessoas com deficiência trabalham



Dados abrangentes sobre a questão social, legal e mercadológica da inclusão de pessoas com deficiência foram apresentados nesta quinta-feira (8), em audiência na Subcomissão de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência, por consultores do Instituto i-Social - Soluções em Inclusão, Andréa Schwarz e Jaques Haber.Com base em dados do IBGE, eles informaram que há no Brasil 24,5 milhões de pessoas com deficiência, dos quais 9 milhões em idade própria para o trabalho, mas apenas 1 milhão efetivamente ativo (11%).

A cada mês, ainda de acordo com os dados apresentados, cerca de 8 mil brasileiros engrossam o universo dos que têm algum tipo de deficiência. O grave é que a maior parte dessas pessoas entram nessas estatísticas em decorrência da violência urbana. Do total, 46% apresentam deficiência como seqüela de ferimento por arma de fogo e 30% por acidentes de trânsito. Outros 24% apresentam deficiência por causas diversas.

Os dados mostram que é baixo o nível de escolaridade entre as pessoas com deficiência,: apenas 1,55% têm mais de 12 anos de estudos. Uma faixa de 78,7% limita-se a sete anos de estudos. Os consultores apontaram a reduzida escolaridade e capacitação como fator que inibe a entrada dos deficientes no mercado de trabalho. Além disso, quem conquista esse acesso permanece em sua maioria em atividades informais, com ganhos abaixo do salário mínimo.

A baixa escolaridade vem inclusive impedido, como salientaram os palestrantes, a plena ocupação de vagas reservas pelo sistema legal de cotas (duas vagas ociosas para cada vaga ocupada). Além disso, observou Andréia, as pessoas que driblam as dificuldades e chegam ao mercado acabam sem estímulo e suporte para progredir, estacionando em postos de baixa qualificação e até desistindo do trabalho.

- A pessoa fica estagnada, isolada, sem possibilidade de avançar em igualdade de condições - lamentou a consultora, questionando a qualidade desse tipo de inclusão.

Os dados mostram, no entanto, que houve avanços desde a introdução do sistema de cotas nas empresas com mais de cem empregados. De 2001 a 2005, o número de pessoas com deficiência formalmente empregadas por esse sistema evoluiu de 601 para 35.782. O total de empresas que cumprem as cotas, por sua vez, passou de 12 para 4.004.

A distribuição percentual dos casos de deficiência, segundo o tipo, mostra que 48% têm problemas visuais. As deficiências motoras representam 23% do total,com 16% referentes aos deficientes auditivos.Outros 9% apresentam deficiência mental e 4%, deficiência física.

08/06/2006

Agência Senado


Artigos Relacionados


OSMAR DIAS: PESSOAS LIGADAS A GRECA TRABALHAM PARA A MÁFIA

Separação de bens pode passar a ser obrigatória apenas para pessoas com mais de 70 anos

ONU vai ratificar direitos de pessoas com deficiência

Cresce inclusão de pessoas com deficiência

Paim homenageia pessoas com deficiência

Adesão aos centros de atendimento a pessoas com deficiência vai até o dia 28