Arrozeiros querem energia financiada
Arrozeiros querem energia financiada
Produtores de arroz gaúchos enviaram, nessa quarta-feira, ofício ao presidente da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Vicente Rauber, solicitando reedição da resolução que permite o pagamento da energia usada na irrigação da lavoura após a colheita, em maio. O documento é assinado pela Farsul, Fecoagro, Federarroz e Irga.
Nos últimos anos, a CEEE financiou a energia utilizada no bombeamento da água realizando a cobrança após a colheita, quando o produtor já está capitalizado com a venda de parte do grão. Neste ano, medida semelhante ainda não foi anunciada.
O diretor da Farsul e negociador da federação junto à CEEE, Antônio Chaves Barcelos, acredita que muitos produtores não conseguirão pagar suas contas em dia, caso a cobrança seja feita mês a mês. “Se a resolução não for reeditada, a inadimplência deve aumentar e muitas lavouras poderão ter cortes no fornecimento de energia, ocasionando perdas imensas na produtividade”, alerta Chaves Barcelos..
A energia elétrica utilizada na irrigação representa cerca de 10% do custo total da lavoura. É um gasto que atinge quase todos os arrozeiros do Estado.
Solução à vista para o caso da TCN
Depois de chegar ao ponto de quase romper as negociações, a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) está a um passo de fechar o contrato de compra de energia com a Termo Catarinense Norte (TCN), usina orçada em US$ 250 milhões, que será alimentada a gás natural e construída no município de Guaramirim, no Norte do Estado. A TCN tem como sócios a El Paso Corporation (70%), a Petrobrás (15%), a Companhia de Gás de Santa Catarina, (5%), a Celesc (5%) e a Santa Catarina Tecnologia e Participações (5%). A principal pendência ainda é o preço do megawatt, mas deverá estar equacionada na próxima semana, uma vez que o prazo para a assinatura do contrato é dia 30 de novembro, sob pena de o projeto ser excluído do Programa Prioritário de Termoelétricas (PPT).
O PPT prevê a construção de 49 usinas no Brasil e, entre outras vantagens, assegura a entrega do gás natural por um preço 26% mais barato do que o cobrado das indústrias e residências. A Celesc quer comprar a energia a ser gerada pela TCN a partir de dezembro de 2003 a R$ 91,05 o MW, valor estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a energia gerada pelas térmicas a gás.
A principal acionista do empreendimento, a El Paso, quer negociar a energia a R$ 95,61 o MW. O vice-presidente comercial e de desenvolvimento de negócios da El Paso, Eduardo Karrer, diz que ao preço de R$ 91,61 a perda anual para a companhia será de R$ 13 milhões. Como o contrato terá um prazo de 20 anos, o prejuízo atingiria R$ 260 milhões, calcula. Mas a companhia norte-americana propõe-se a encontrar um valor intermediário, caso a Celesc acate algumas contrapartidas apresentadas, na última quarta-feira, em Florianópolis, em mais uma rodada de negociações entre as partes.
Karrer afirma que para a companhia ceder no preço é necessário uma compensação. A empresa norte-americana, até agora, já investiu US$ 25 milhões na confecção do projeto técnico e na compra de três turbinas e do terreno onde a TCN será construída.
Uma das alternativas propostas, e considerada a mais viável pelo presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, José Fernando Xavier Faraco, também integrante do Conselho de Administração da Celesc, é a da El Paso fornecer à Celesc energia produzida em outras térmicas já em operação no País, a partir do ano que vem. Os contratos de compra que a estatal catarinense mantêm com a Gerasul e a Itaipu, as principais fornecedoras, se extinguem nos próximos quatro anos. Com a Gerasul, 25% do contrato será renegociado em janeiro de 2003.
“Uma equipe técnica da Celesc vai estudar a hipótese de compra já em 2002, a quantidade de energia que poderia ser adquirida da El Paso e a que preço”, diz o diretor econômico financeiro da distribuidora, Enio Branco. Outra proposta da multinacional é a de retirar o requerimento do investimento de US$ 30 milhões em infra-estrutura - adicionais ao custo de US$ 250 milhões da TCN - que foi oferecido pela El Paso como diferencial entre os concorrentes na licitação para construção da térmica - ou transformar o valor, total ou parcialmente, em aplicações remuneradas, ou enxugar custos, otimizando o projeto.
Uma terceira alternativa seria a da Celesc arcar com parte dos US$ 30 milhões, assumindo, por exemplo, a construção da linha de transmissão que ligará a térmica à rede da Celesc ou da Eletrosul. Esta última proposta, cujos gastos absorveriam entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões da estatal, foi considerada inviável pelo conselheiro Faraco.
A El Paso Brasil foi a subsidiária que mais cresceu nos últimos quatro anos e, por conta disso, tornou-se o principal foco de novos investimentos da empresa no mundo. Até 2005, a companhia estima investir no Brasil cerca de US$ 5 bilhões em projetos que incluem transporte de gás, geração térmica de energia e construção de gasodutos, sendo os primeiros US$ 2 bilhões no período de 2001 e 2002. Na semana passada a empresa inaugurou a Usina Termelétrica Macaé Merchant, no norte fluminense, que terá capacidade total de 870 megawatts (MW), ou o equivalente a 18% da energia consumida no Estado do Rio de Janeiro. O projeto demandou investimentos da ordem de US$ 600 milhões.
A multinacional tem vários novos empreendimento no Brasil, como as usinas de Natal (RN), Paracambi (RJ) e Araucária (PR), e interesse no concurso aberto para expansão de capacidade do gasoduto Brasil-Bolívia. Segundo o vice-presidente de relações institucionais, Roberto Almeida, os investimentos a longo prazo da El Paso no País não serão alterados mesmo com o atual cenário internacional de desaceleração econômica. “O Brasil é um dos três principais países de maior interesse da El Paso no mundo, ao lado de China e Japão”, disse o executivo.
Segundo estudos da Petrobrás, a participação do gás natural na matriz energética brasileira deverá subir de 3%, em 1999, para mais de 10%, em 2005. Isso significa elevar o consumo para cerca de 70 milhões de metros cúbicos por dia, explica o consultor da Accenture, Cláudio de Souza. Juliana Wilke
Florianópolis
Recursos do BID para investimento cultural no Paraná
O Governo do Paraná negocia com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) um novo financiamento para mais um programa de melhoria da qualidade de vida nos municípios paranaenses. Trata-se do Programa de Valorização Cultural do Paraná, que integrará o Paraná Urbano II. O governador Jaime Lerner e o secretário de Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, mantiveram uma série de encontros com uma missão do BID formada pelos especialistas Ricardo Rietti e Jorge Tejada, que passou a última semana em Curitiba.
O valor do financiamento ainda não está definido, mas segundo Ficinski, que está coordenando as negociações, os recursos serão destinados especificamente a obras de recuperação de centros históricos, revitalização de patrimônios históricos para usos artístico-culturais e de lazer, manutenção de estradas vicinais e ampliação ou melhoramento de serviços de esgotos para cidades com menos de 100 mil habitantes.
A vinda de uma nova missão do Banco, desta vez para definir um calendário para a preparação do programa, já ficou acertada para a segunda quinzena de janeiro de 2002. A Secretaria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores (Seain) já aprovou o programa, como prioridade do Paraná.
“Tudo isso demonstra a importância do Paraná e o alto conceito que o Estado desfruta perante os organismos nacionais e internacionais, o que em muito se deve à credibilidade conquistada pel o desempenho na gestão de financiamentos anteriores”, disse Lubomir Ficinski. Os representantes do BID tiveram reuniões com o secretário de Assuntos Estratratégicos, Alex Beltrão, com o coordenador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Francisco Macedo, com diretores e técnicos do Paranacidade.
O BID foi parceiro do Governo do Estado no Programa Paraná Urbano, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Paranacidade. O programa, considerado a maior iniciativa de apoio aos municípios na história do Estado, investiu em 55 meses, R$ 1 bilhão (US$ 426 milhões) em 390 das 399 cidades paranaenses.
Comércio do Sul em alta anima empresários para vendas de Natal
O comércio varejista da Região Sul, que nos últimos meses já obteve desempenho superior ao verificado nos demais estados brasileiros, está trabalhando com perspectivas ainda melhores para as vendas de fim de ano. Depois de uma retração no mês de setembro, as vendas retomaram o ritmo, o que justifica as expectativas positivas do segmento para o Natal.
Em Santa Catarina, o crescimento do turismo projetado para a próxima temporada deve ser um dos fatores a impulsionar o comércio local, afirma Osmar Silveira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, entidade que representa dois mil empresários.
“Com os acontecimentos nos Estados Unidos, muitos catarinenses que geralmente passam Natal e Ano Novo fora vão ficar no estado. Além disso, o turismo interno está em ascensão, e Santa Catarina tem sido um dos destinos mais procurados”, disse o dirigente.
A conjunção destes aspectos deve resultar em vendas entre 10% e 12% superiores às do Natal do ano possado, conforme projeção da CDL catarinense. De janeiro a outubro deste ano o setor já acumula acréscimo de 3% no Estado.
Entre os vários ramos do comércio, economistas e empresários acreditam que a comercialização de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos tende a ser o destaque do fim de 2001, confirmando tendência já apontada ao longo do ano.
A mais recente edição da Pesquisa Mensal de Comércio, referente a agosto, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram os estados com maior crescimento no ramo de móveis e eletrodomésticos
Enquanto a média nacional foi negativa em 6,8% na comparação de agosto de 2001 com o mesmo mês do ano passado, as vendas no comércio gaúcho cresceram 20,2% e no catarinense, de 3,9%. No acumulado do ano, o bom desempenho se repete: 12% e 8,7% de crescimento, respectivamente, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
O Flávio Fligenspan, diretor-técnico da Fundação de Economia e Estatística (FEE), de Porto Alegre, diz que o movimento de vendas crescentes no comércio varejista dos três estados do sul está ligado ao fato de a região estar fora do racionamento de energia elétrica, iniciado em junho nas Regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.
“Nas regiões em que não haveria racionamento houve um grande movimento de substituição de equipamentos para economizar energia, movimento contrário ao verificado nos demais estados”, afirmou o técnico.
A explicação do crescimento das vendas nos Estados do Sul, de móveis e eletrodomésticos, pelos dados do IBGE, não se aplicaria apenas ao Paraná, que acumula até agosto queda de 3,4% na comercialização de eletrodomésticos. Mas os números do instituto são contestados por Élcio Ribeiro, vice-presidente de Serviços da Associação Comercial do Paraná, entidade com oito mil associados.
“A inadimplência vem caindo mês a mês, o que significa maior número de consumidores aptos a comprar a crédito. E geralmente no crediário as pessoas fazem compras de maior valor”, afirma o executivo.
Conforme levantamento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de Curitiba, a inadimplência, que em agosto estava em 2,97% e em setembro aumentou para 3,43%, recuou em outubro para 2,75%.
Como resultado, vem crescendo nos últimos meses o número de consultas de crédito ao sistema, que aumentou 14,27% em outubro. A exceção foi o mês de setembro, que teve uma queda natural de 31%, em razão da incerteza econômica que contagiou todos os países.
De acordo com Ribeiro, outro fator que contraria os dados do IBGE e demonstra o crescimento do varejo paranaense é a consolidação do parque industrial do estado. “O Rio Grande do Sul já tinha uma indústria forte desde a década de 70, enquanto no Paraná os resultados do crescimento do parque industrial estão se refletindo agora no varejo”, disse Ribeiro.
Grandes redes, como a Colombo, de Caxias do Sul (RS), estão investindo fortemente na Região Sul, por acreditar no potencial desse mercado. Exemplo disso está na megastore inaugurada em Curitiba em agosto passado pela empresa.
Trabalhando com o conceito “store in store”, ou seja, espécies de pequenas lojas de cada fornecedor, oferecendo a linha completa daquela marca, o novo empreendimento ocupa uma área de três mil metros quadrados e demandou investimento compartilhado de R$ 2 milhões. Além do Paraná, o Rio Grande do Sul também deverá receber uma megastore seguindo estes moldes.
O diretor comercial da Colombo, Olivar Berlaver, afirma que as projeções da empresa para o fim de ano são conservadoras. “O objetivo é atingir o mesmo desempenho de 2000, quando as vendas superaram em 30% o volume verificado em 1999”. Conforme o executivo, o mercado está represado desde setembro.
Ele acredita, no entanto, que o mercado já assimilou a questão dos ataques terroristas, a alta do dólar e o racionamento de energia elétrica, o que deve acabar beneficiando o consumo interno no fim de 2001. De um total de 295 lojas da rede, 150 estão instaladas no Rio Grande do Sul, 40 em Santa Catarina, 60 no Paraná e outras 45 no interior de São Paulo.
Colunistas
NOMES & NOTAS
Portobello
Contrariando as previsões mais pessimistas sobre a crise Argentina, a Portobello S/A, uma das maiores empresas do setor de revestimentos cerâmicos no Brasil, inaugurou um show room em Buenos Aires. Há dois anos a companhia possui escritório naquele país. Além de manter uma relação estreita com clientes sólidos, o lançamento de novos produtos como o Porcellanato Rústico, justificam a iniciativa da empresa. A competitividade dos preços dos produtos brasileiros, que custam em média 21% menos, em comparação a produtos importados de países europeus como Itália e Espanha, é outro incentivo. Em 2000, as vendas da Portobello para a Argentina somaram US$ 1 milhão. A expectativa é fechar 2001 com US$ 2,8 milhões em exportações para a Argentina.
Franquia da Marisol
A Marisol Franchising, braço do varejo do grupo têxtil Marisol, de Jaraguá do Sul, inaugura nesta sexta-feira a quinta unidade da rede Lilica & Tigor em Santa Catarina. A loja, franqueada aos empresários Rui e Nárrima Feldi, está localizada no Itajaí Shopping Center. As outras franquias estão em Balneário Camboriú e Blumenau. As lojas de Florianópolis e São José são administradas pela própria Marisol. A rede Lilica & Tigor comercializa artigos de vestuário, acessórios e calçados das grifes Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre, voltadas ao público infantil de até 12 anos.
Financiamento
O governador de Santa Catarina em exercício, Paulo Bauer, e o superintendente de Negócios da Caixa Econômica Federal (CEF), Aparecido Ferrari Rolin, assinaram na quarta-feira o convênio de parceria para liberação de financiamento habitacional a famílias com renda máxima de até cinco salários mínimos. Batizado de “Bem Morar”, o programa prevê o empréstimo de até R$ 25 mil para os mutuários, com prazo de pagamento de até 20 anos. A CEF garante o repasse dos recursos e o governo do Estado organiza os grupos, desenvolve os projetos e orienta e fiscaliza a construção das obras. A CEF estima uma demanda de 70 mil moradias em Santa Catarina, sendo que 89% deste total concentram-se na faixa de rende de menos de cinco salários mínimos.
Topo da página
11/16/2001
Artigos Relacionados
Brasil e Guiana querem estabelecer parcerias nas áreas de energia e programas sociais
Senadores querem ouvir ministro de Minas e Energia, Petrobras e ANP sobre petróleo em camada pré-sal
CMN estende prazo para que arrozeiros contratem linha de financiamento
Governo adotará medidas para atender arrozeiros gaúchos
Comissão de Agricultura encaminha documento dos arrozeiros ao ministro Pratini
Ministério da Agricultura apresenta a arrozeiros novas regras de controle sanitário