Arruda diz que informação sobre painel foi solicitada por ACM



O senador José Roberto Arruda (sem partido-DF) reafirmou em depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, nesta sexta-feira (dia 27), que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) pediu-lhe para perguntar à então diretora do Prodasen, Regina Borges, se era possível saber o resultado das votações secretas. O encontro, segundo ele, ocorreu no gabinete da Presidência do Senado. "Posso falar em seu nome? Ele me respondeu: pode", contou. Arruda assegurou que a preocupação dele e de Antonio Carlos era com a segurança e a lisura da votação que decidiria a cassação do senador Luiz Estevão, pois haviam especulações sobre a possibilidade de violação do sigilo do voto secreto.

Vários senadores chamaram a atenção para o fato de que o Conselho de Ética está julgando a possível quebra de decoro parlamentar por parte dos senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, e que essa quebra está configurada na apresentação de duas versões para a violação do painel de votação do Senado e para a existência de uma lista que revela como cada senador votou na sessão que cassou o mandato de Luiz Estevão.

O senador Casildo Maldaner (PMDB-SC) lembrou que mentira é quebra de decoro parlamentar. Lauro Campos (sem partido-DF) disse que a noção de verdade de Arruda é ingênua. "A subserviência pode ser igual à mentira, porque sem mentir não se pode ser suficientemente subserviente", observou Lauro. A senadora Emilia Fernandes (PT-RS) disse que Arruda não é ingênuo e que Antonio Carlos assumiu a responsabilidade pelo "ato criminoso" ao ficar com a lista e não tomar qualquer providência.

Marina Silva (PT-AC) assinalou que nenhum senador autorizou Antonio Carlos ou Arruda a conhecer como votou. Para Pedro Simon (PMDB-RS), Arruda ainda não se convenceu da gravidade do ato que cometeu. "Os dois (Antonio Carlos e Arruda) são culpados", afirmou Simon. Saturnino lembrou que Luiz Estevão foi cassado por ter mentido repetidas vezes diante da CPI do Judiciário. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quis saber se Arruda entregou uma cópia da lista ao presidente da República, uma vez que era o líder do governo no Senado.

Arruda defendeu-se classificando seu erro como uma infração regimental, "no máximo", e não viu qualquer semelhança entre o seu caso e o que resultou na cassação de Luiz Estevão. "Estamos banalizando a imputação de penas graves. O castigo que já estou tendo é desproporcional a uma eventual culpa" avaliou. Arruda apelou aos senadores lembrando sua atuação parlamentar ao longo de sua carreira política e perguntou se merecia ter sua vida pública encerrada "por isso". Ele afirmou estar arrependido e já ter aprendido a lição, "estejam certos disso".

O senador disse que ficou "estarrecido" ao saber que existe um "botão macetoso". Para ele, é preciso fazer uma perícia mais aprofundada para saber se o painel foi violado anteriormente. O senador negou ter entregue uma cópia da lista ao presidente Fernando Henrique Cardoso ou ter informado o conteúdo dela a qualquer pessoa. Ele ainda aceitou fazer uma acareação com Regina e permitiu a abertura do seu sigilo telefônico.

O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) considerou "um absurdo" que, acreditando-se na versão de que Arruda e Antonio Carlos estavam preocupados apenas com a segurança do sistema de votação, ninguém tenha tomado qualquer providência para impedir futuras violações. Saturnino perguntou se não havia comentado a ilegalidade do ato ao receber a lista. Arruda disse que, naquele instante, não havia a idéia de que algo errado estivesse sendo feito, tanto é que Antonio Carlos ligou para Regina cumprimentando-a pelo trabalho logo após ter lido e comentado a lista.

A acareação com os senadores Antonio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda e Regina Borges ocorrerá na próxima quinta-feira (dia 3), a partir das 14h30.

27/04/2001

Agência Senado


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