ARTIGO/Flexibilização do trabalho, uma volta ao passado
Passados 116 anos das manifestações em Chicago, o contexto econômico, social e político no qual se desenrolou o conflito parece coisa do passado, distante de nossa era tecnológica. Mera aparência! Na contramão da modernidade discursiva que impregna as relações de trabalho, avança a passos largos um processo que busca implantar no Brasil um novo padrão de emprego, profundamente identificado com o modelo vigente no final do século passado. O golpe nas conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros ganhou uma embalagem atraente - felxibilização do mercado de trabalho - para camuflar um remédio amargo - fim dos direitos trabalhistas. A alteração da CLT, já aprovada pela Câmara Federal e encaminhada para apreciação do Senado, corta a carne da classe trabalhadora brasileira e subverte a lógica das negociações trabalhistas: passam a valer as negociações coletivas abaixo do fixado pela legislação trabalhista. Oito horas diárias, férias, descanso semanal, 13º salário, adicional noturno, tudo será negociável. A informalidade, até então concebida com algo à margem da legalidade, passará a ser parâmetro nas negociações entre trabalhadores e patrões, tendo em vista o ambiente de aumento de desemprego e de elevação das ocupações precárias.
Em um país que já possui uma péssima distribuição de renda, não é difícil imaginar o tamanho da redução da participação dos salários na renda nacional. O resultado da flexibilização do mercado de trabalho, iniciada em 1994 com a lei das cooperativas de prestação de serviços, que mascaram o vínculo empregatício, foi muito diferente do que apregoavam seus arautos. O prometido aumento do nível de emprego não ocorreu. Pelo contrário, o que houve foi o desemprego e a precarização da mão-de-obra. O governo gaúcho tem demonstrado, na prática, que não são os direitos trabalhistas que entravam o desenvolvimento econômico e impedem a criação de novos postos de trabalho. O Rio Grande do Sul tem o maior Piso Regional do País e, ao mesmo tempo, é o estado que mais cresce e que detém os menores índices de desemprego do Brasil.
Felizmente, a tarefa de FHC de acabar com os direitos trabalhistas ainda não foi concluída. Falta o Senado Federal que, certamente, não mostrará empenho em votar a matéria em ano eleitoral. Fôlego para os trabalhadores, que poderão alterar a correlação de forças em Brasília, antes que a correlação de forças desfavorável altere a CLT.
04/29/2002
Artigos Relacionados
Flexibilização do horário de transmissão da 'Voz do Brasil' volta a ser debatida na CCT
Mão Santa volta a criticar artigo que deprecia o Piauí
CPI DO ROUBO DE CARGAS VOLTA AO TRABALHO NO DIA 1º
PEC do Trabalho Escravo volta para análise do Senado
Projeto sobre trabalho temporário volta às comissões
Desapropriação de terra por trabalho escravo volta à comissão