ARTIGO/Luta, esperança e compromisso



Ano de 2002, 1º de maio. Feriado nacional. Quase duas centenas de anos nos separam do Congresso Operário Internacional, reunido em Paris em 1889, que decretou o 1º de maio como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de lutas. O luto reverenciava os trabalhadores executados em Chicago em 1886, por que reivindicavam a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.

A luta era o compromisso que assumiam os trabalhadores e trabalhadoras, no sentido de continuar perseguindo uma sociedade justa, com direitos iguais para todos.

Avançou o tempo, a tecnologia, o pensamento. O mundo que vemos hoje, com ilhas de prosperidade ainda convive com situações muito parecidas com o longínquo ano de 1886. Nações sofrem massacres motivados por questões étnicas, religiosas, econômicas. A fome faz perecer milhões de vidas, e o mundo do trabalho é o centro das investidas que a mundialização da economia escolheu para continuar espremendo mais lucros.

A nação brasileira convive com o desafio histórico de vencer a crônica desigualdade social, que já passa a ser classificada, cinicamente, como um “fenômeno natural”. O Brasil aparece há 26 anos como de “campeão da má distribuição de renda”, conforme as pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, que dá conta que os 10% mais ricos da população brasileira embolsam 28 vezes a renda obtida pelos 40% mais pobres.

E estes 40% mais pobres ainda têm que enfrentar a luta contra o desemprego, e aos que continuam empregados a luta contra a flexibilização dos seus direitos trabalhistas. O mundo do trabalho segue na contramão da evolução que deveria acompanhar o desenvolvimento da humanidade. A luta é para conservar os dedos, pois o anéis, estes já nos foram levados. Dados do Ministério do Trabalho mostram que aos trabalhadores e trabalhadoras que conseguem ter carteira assinada, ainda que mais escolarizados, são oferecidos salários cada vez menores. Em 1999, 12,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada ganhavam mais de R$ 540. Em 2001, esse número caiu para 11,8 milhões, desaparecendo quase 700 mil postos de trabalho com certeira assinada nessa faixa salarial.

Neste 1º de maio de 2002, temos que lembrar a história dos trabalhadores, avaliar sua realidade e nos impor desafios. E nosso maior desafio é, compreendendo esta conjuntura, renovar nossas esperanças, a partir da valorização da história proletária, e buscar a nossa boa e antiga disposição para a luta que exponha a face obscena deste modelo que hoje impera no mundo. Lutar a favor da vida, lutar pela dignidade, lutar pelos nossos direitos humanos sociais, econômicos, culturais e ambientais. Lutar com esperança e assumindo o compromisso de levantarmos os alicerces que deverão construir um sociedade que inclua a todos.

  • Presidente daComissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa/RS

    04/29/2002


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