Artilharia no ar









Artilharia no ar
Na estréia do horário eleitoral, Garotinho se compara a Getúlio e Juscelino; programa do tucano usou jingle inspirado em música de propaganda de cerveja

A temperatura subiu já no primeiro dia do horário eleitoral gratuito dos candidatos a presidente. No programa do tucano José Serra, o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, foi acusado de ser destemperado e de agredir eleitores e aliados. Além de reproduzir declarações de Ciro na imprensa — nas quais ele diz ter nojo do PFL, chama o pedetista Leonel Brizola de fina flor do atraso e afirma que o deputado Luiz Antônio Fleury (PTB) é um aborto da natureza — o programa de Serra levou ao ar uma entrevista dada por Ciro este mês à Rádio Metrópole de Salvador, na qual o candidato chama um ouvinte de petista furibundo e burro.

“Tem que fazer as perguntas com um pouco mais de cuidado para largar de ser burro”, diz Ciro no trecho divulgado pelo programa de Serra, que termina reproduzindo outra declaração do candidato da Frente na qual ele diz que em toda a sua vida pública nunca agrediu ninguém.

Ciro, em São Paulo, reagiu dizendo que o “dragão da maldade ataca de novo”, como tem se referido a aliados de Serra. A Frente estuda recorrer à Justiça contra o programa tucano.

Já o petista Luiz Inácio Lula da Silva usou o horário eleitoral para atacar a Petrobras por contratar um estaleiro de Cingapura para construir a plataforma P-50. Outras duas plataformas, segundo Lula, também deverão ser encomendadas a estaleiros estrangeiros, deixando de gerar 25 mil empregos no país. O presidente da Petrobras, Francisco Gros, reagiu ( leia na página 4 ). À noite, o petista apresentou a equipe que elaborou seu programa econômico e procurou tranqüilizar os empresários:

— Quero aproveitar para dizer também aos empresários que o Brasil precisa muito deles para esse grande desafio de voltar a crescer.

Ciro mostra ACM e não inclui Freire
O programa de estréia da Frente Trabalhista, à tarde, exibiu cenas de Ciro com sua mulher, Patrícia Pillar, e aliados, incluindo Brizola, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) e o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, além do ex-governador Tasso Jereissati, do PSDB. Presidente do PPS, partido de Ciro, o senador Roberto Freire ficou fora. À noite, Ciro levou ao ar uma declaração de apoio do arquiteto Oscar Niemeyer e prometeu construir 300 mil moradias populares por ano, com prestações equivalentes a 10% do salário-mínimo.

Gugu apresenta o programa de Serra
O programa de Serra teve o apresentador Gugu Liberato como âncora. Ele narrou a vida do candidato. Os cantores Chitãozinho e Xororó, Elba Ramalho e o grupo KLB cantaram o jingle, que usa a mesma música do comercial de cerveja Bavária. O presidente Fernando Henrique apareceu e lembrou que Serra foi eleito o melhor ministro da Saúde do mundo pelo Fórum Mundial Social, em 2001.

Com o menor tempo, o candidato do PSB, Anthony Garotinho, exibiu uma rápida biografia, dizendo que saiu do governo do Estado do Rio com 88% de aprovação. E comparou-se aos ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

— Eu, como eles, também sou acusado de demagogo, de populista, de só me preocupar com os pobres. Mas, como eles, tenho resistido a essa pressão, não me curvando para os banqueiros, para os poderosos.


Cerveja, cerveja, cerveja!
SÃO PAULO. O publicitário Nizan Guanaes, responsável pelos programas eleitorais de José Serra no horário eleitoral gratuito, tirou do seu próprio baú jingles semelhantes aos que ficaram famosos em comerciais das “louras geladas” para usar na campanha, apesar de o tucano ser um crítico feroz do consumo de cigarros e de bebidas.

Nizan trocou o refrão de “Bavária, Bavária, Bavária” por “trabalho, trabalho, trabalho”, nas vozes de Chitãozinho e Xororó, Elba Ramalho e do grupo KLB no programa que foi ao ar ontem. A melodia no horário eleitoral gratuito, no entanto, é fiel à da propaganda da cerveja. A música que inspirou a propaganda, gravada por Leandro e Leonardo, se chama “Cerveja”. A participação dos artistas foi gravada na Volkswagen, em São Bernardo do Campo, há duas semanas.

A trilha sonora do comercial da Bavária — também protagonizado durante alguns verões pela mesma dupla sertaneja — foi uma idéia do Departamento de Criação da agência de publicidade DM9, da qual Nizan é um dos principais sócios.

Não é, porém, a primeira vez que o publicitário utiliza idéias para vender cerveja como tentativa de levar às alturas os índices de popularidade de um candidato. No ano passado, contratado pelo PFL para alavancar a candidatura presidencial de Roseana Sarney, Nizan voltou a usar a bebida como mote de campanha. Durante algum tempo, Roseana esteve em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais. No comercial com a ex-governadora do Maranhão, ela era apresentada na TV como “a número um”, em alusão à propaganda da Brahma. O jingle, naquele caso, era igual ao da cerveja.


Programa de Enéas fica sem som por instantes
Um discurso numa língua estranha abriu ontem o programa eleitoral gratuito dos candidatos a deputado federal do Prona do Rio, exibido à tarde pela TV Globo. A novidade não foi mais uma esquisitice do partido, mas um erro que fez seu presidente, Enéas Carneiro, candidato a deputado federal por São Paulo, falar sem som por parte dos 40 segundos do programa.

A TV Globo explicou que recebeu a imagem e o som numa linguagem incompatível com seus equipamentos e que, por isso, o operador foi obrigado a fazer a conversão. Foi nesse momento, segundo a assessoria da emissora, que uma fonte de som vazou para a propaganda do Prona.

O departamento jurídico da emissora propôs um acordo ao presidente regional do Prona, Fernando Sepúlveda, para que o programa seja reprisado quinta-feira, assim que terminar o horário eleitoral gratuito. Sepúlveda, que estava sendo apresentado no programa, disse não se opor à solução. A proposta será submetida ao aval do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).


Serra promete concluir ferrovia Norte-Sul
GOIÂNIA. Acompanhado de sua candidata a vice, Rita Camata, o tucano José Serra assumiu ontem o compromisso de concluir a construção da ferrovia Norte-Sul em seu eventual governo, na caminhada de uma hora que fez em Goiânia, ao lado do governador Marconi Perillo, que lidera as pesquisas na disputa estadual.

— Para Goiás, gostaria de dizer que no meu governo vou concluir a ferrovia Norte-Sul, vou terminar a duplicação da BR-153, que liga Brasília a Goiânia, e vou trazer o Programa de Desenvolvimento do Turismo para o Centro-Oeste — afirmou Serra.

Tumulto na caminhada de seis quarteirões
Numa tumultuada caminhada, Serra percorreu seis quarteirões que foram fechados ao trânsito pela Polícia Militar. O tucano cumprimentou as pessoas que estavam na calçada, entrou em lojas, beijou crianças e, dentro de uma farmácia, pediu calma aos militantes que o seguiam para evitar que uma senhora com um bebê de colo fosse atropelada pela comitiva.

Numa improvisada entrevista no meio da rua, Serra fez rasgados elogios ao governador Marconi Perillo e anunciou suas propostas para Goiás caso seja eleito. Depois do comício de quinta-feira passada em Planaltina de Goiás (GO), Serra voltou a fazer campanha ao lado de Perillo em Goiânia e num comício à noite em Alexânia (GO). O roteiro faz parte da estratégia tucana de colar a candidatura Serra aos candidatos dos estados que lideram as pesquisas com chances de vitória no primeiro turno, como ocorre com Perillo e Aécio Neves em Minas Gerais.

Durante a caminhada, Serra deu pulinhos, levantou os braços junto com Perillo e Rita, fez o V da vitória, embalado pelo ritmo axé do jingle de Perillo. No final, o governa dor subiu num carro de som e pediu que os militantes façam campanha para eleger Serra.

— Quero pedir aos militantes que trabalhem com todo o empenho para eleger Serra à Presidência da República — disse o governador.

Antes de seguir para Alexânia, Serra foi com o governador ao enterro de Consuelo Nasser, mulher do dono do jornal “Diário da Manhã”, Batista Custódio.


FH: ‘Se Serra não for para 2 turno, atuarei como magistrado’
Presidente confirma que o candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, intercedeu pelo governador Itamar Franco no encontro que tiveram a sós no Palácio do Planalto

MONTEVIDÉU e BRASÍLIA. Um dia depois de se encontrar a sós com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Fernando Henrique Cardoso falou, pela primeira vez, sobre a possibilidade de seu candidato, José Serra, do PSDB, não chegar ao segundo turno. Ele não quis antecipar sua preferência para o segundo turno, embora já existam especulações sobre a possibilidade de os tucanos apoiarem Lula, caso ele enfrente Ciro Gomes, da Frente Trabalhista (PDT-PPS-PTB).

— Temos que ver o que vai acontecer na eleição. Vou pensar... Minha predisposição primeira é de que Serra vá para o segundo turno. Se por acaso isso não acontecer, eu sou o presidente do Brasil e vou atuar como magistrado, com equilíbrio. Mas nós não discutimos esses detalhes com Lula — disse o presidente.

Fernando Henrique disse que, na conversa a sós com Lula depois do encontro de anteontem, os dois discutiram questões relativas à dívida de Minas Gerais. Ele disse que esse assunto também fora discutido com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG). O governador de Minas, Itamar Franco, apóia a candidatura de Lula.

— Lula tinha pedido várias questões. Mas não só Lula, Aécio também. E para outros estados também — disse o presidente, evasivo.


Quintão critica candidatos a presidente
BRASÍLIA. O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, reagiu ontem às pressões dos candidatos à Presidência, que defendem a Embraer e se opõem à escolha de um consórcio estrangeiro para fornecer caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Quintão disse que a decisão sobre o vencedor da licitação não será imposta pelos Estados Unidos nem está vinculada à ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Diferentemente do que pregam os partidos de oposição, o ministro defendeu que a escolha do consórcio não deve ser adiada para o próximo governo. A decisão do Conselho de Defesa Nacional está prevista para este mês.

Sem citar nomes, Quintão rebateu os candidatos do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, que afirmam que a licitação tem que gerar empregos e, por isso, uma empresa brasileira como a Embraer deveria ser escolhida como fornecedora pela Aeronáutica.

Segundo Quintão, nenhum dos concorrentes que disputa a licitação de US$ 700 milhões tem condições de montar uma fábrica no país apenas para produzir os 12 caças que a FAB pretende comprar:

— Declarações eleitorais são sempre eleitorais. Dizem que esta ou aquela fábrica vai produzir os aviões aqui no Brasil e que isso vai gerar empregos. Já vi um candidato dizer que vamos transferir empregos para outros países. É bom que saibam que vamos comprar 12 ou 14 aviões e nenhuma empresa estrangeira vai montar uma fábrica aqui para produzir esses aviões.

O ministro acrescentou:

— Gostaria que a Embraer ganhasse, como qualquer brasileiro. Mas ela está numa competição e as regras têm que ser cumpridas — disse.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, admitiu que a decisão do conselho pode ser anulada até que o contrato com o vencedor seja assinado. Ele afirmou, no entanto, que caberá à sociedade escolher se quer ficar sem a proteção aérea que hoje é feita pelos obsoletos Mirage, que serão aposentados em 2005 com a compra nos novos caças.

— A nossa Força vai ser a que a sociedade quiser — disse o brigadeiro.


Artigos

Sem vencedores
Osias Wurman

Visitando Israel, fica difícil acreditar no que vêem os olhos, mas uma verdadeira metamorfose atingiu a sociedade israelense nestes últimos quatro anos, desde 1998, por ocasião da delirante comemoração dos 50 anos de independência do Estado de Israel até a atual situação de guerra ao terror. A sociedade outrora mais vibrante e democrática do Oriente Médio transformou-se num muro de lamentações.

O verdadeiro muro bíblico, que vem a ser a única parede restante do Grande Templo, destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã, está em Jerusalém, mas as lamentações pela situação atual estão em todas as partes da Terra Prometida.

É ilusório pensar que o incrível abismo social, político e econômico que separa os israelenses dos palestinos possa representar uma garantia de imunidade física e psicológica aos residentes no Estado judeu. Os mais de 70 atentados do terror suicida, que já provocaram mais de 250 mortes com cerca de quatro mil feridos, provocaram uma verdadeira neurose na sociedade israelense. As principais ruas das grandes cidades, anteriormente repletas de lojas, cafés, restaurantes e movimento intenso de pedestres, estão, hoje, vazias e com a maioria de suas lojas fechadas. O maior exemplo está na cosmopolita Rua Dizengof, no coração da principal cidade israelense, Tel-Aviv, que hoje encontra-se semideserta após ser considerada a mais vibrante e luxuosa do país.

Em Jerusalém, capital do país, grupos de policiais fortemente armados circulam permanentemente pelas principais ruas da histórica cidade de ouro, hoje manchada pelo sangue das vítimas civis inocentes dos atentados suicidas, em sua grande maioria mulheres e crianças.

As raras exceções ao abandono são os estabelecimentos que admitiram seguranças, postados nas portas principais de entrada revistando bolsas e sacolas, protegidos por alambrados metálicos que evitariam a entrada abrupta de eventuais terroristas. Por mais que desejem evitar o pânico coletivo, a simples presença de jovens armados nas entradas dos grandes hotéis, com detectores de metais e trava nas portas giratórias, serve de permanente lembrança aos turistas de que o perigo terrorista ronda o país, e pode atacar a qualquer momento.

Na conta de alguns restaurantes já é cobrada uma taxa extra para custear o dispendioso esquema de segurança, no valor equivalente a meio dólar por pessoa.

A indústria turística de Israel, uma das principais fontes de divisas do país, que empregava mais de 50 mil trabalhadores, já apresenta perda superior a 5 bilhões de dólares em apenas dois anos.

Os hotéis estão tentando resistir à crise com promoções que garantem a terceira diária gratuita ou até 50% de desconto nos preços originais. Todavia, apesar de generosas, mostram-se insuficientes para atrair os turistas americanos que outrora inundavam o país nesta época do ano. Os israelenses queixam-se, discretamente, de um relativo abandono por parte daqueles que durante décadas usufruíram da bonança do país e que agora evitam prestar solidariedade num momento tão difícil. Um triste testemunho deste abandono foi trazido pelo famoso regente indiano Zubin Mehta, diretor da Orquestra Sinfônica de Israel, que revelou o cancelamento de mais de 50% das apresentações de convidados estrangeiros que iriam se apresentar no país.

Um reflexo da depressão econômica motivada pelo conflito é o inusitado numero de desempregados, que perfazem o total de 300 mil pessoas.

Antes do início da atual intifada, entravam diariamente em Israel cerca de 120 mil trabalhadores residentes em Gaza e na Cisjordânia. Atualmente, por medida de segurança, nenhum palestino tem permissão para ingressar em Israel. Seus empr egos foram sendo ocupados, em grande parte, pelos imigrantes russos que já totalizam mais de um milhão e cem mil pessoas, absorvidos por Israel nos últimos dez anos.

Para combater o déficit provocado pelo estado de guerra foram determinados cortes nas despesas dos ministérios, o que vem provocando protestos por parte das áreas afetadas. Somente do Ministério do Exterior foram suprimidos 15 milhões de dólares do orçamento. O ministro de Relações Exteriores, Shimon Peres, ganhador do Nobel da Paz, teve de determinar com contrariedade o fechamento de cinco embaixadas e quatro consulados, no Canadá, na França, na Austrália e em mais seis países, inclusive o consulado do Rio de Janeiro. Como prova de apreço do governo de Israel ao povo brasileiro, o ministro Peres determinou a cessão de uso do espaço físico do consulado à comunidade israelita fluminense. O corpo diplomático local está sendo transferido para São Paulo e Brasília. Somente o grave momento econômico pode justificar o sacrifício de tantas representações de Israel, com visível prejuízo em suas relações diplomáticas. Criticar porém tal atitude em momento tão grave seria uma incoerência.

A atual guerra não declarada entre palestinos e israelenses transmite uma falsa imagem de vantagem israelense sobre a quase totalmente demolida Autoridade Nacional Palestina (ANP). Na realidade, não existe vencido nem vencedor neste conflito. Todos perdem proporcionalmente às conquistas anteriormente consolidadas.

Só a convivência pacífica poderá servir a ambas as partes em conflito, pois as populações dos dois lados já demonstram sinais de esgotamento psicológico.

Durante as negociações em Camp David, dirigidas pelo presidente Clinton, a paz estava a alguns metros de ser alcançada. Hoje já não se enxerga nem o túnel, que dirá a luz em seu final.

De um lado, os palestinos com mais de 50% de desempregados, cidades arruinadas e sob domínio interno de facções fundamentalistas rivais e rebeldes; de outro lado os israelenses, vendo o Estado que foi criado para ser terra firme para o povo de Israel, após quase dois mil anos de exílio, convertido paradoxalmente no único lugar do mundo onde se matam judeus semanalmente.


Colunistas

PANORAMA POLÍTICO – Tereza Cruvinel

Cenas de abertura
Como previsto, todos foram bem comportados, mas só na estréia do horário eleitoral na televisão. À noite, o programa do tucano José Serra já subiu o tom contra Ciro Gomes, do PPS. Lula mantém a disposição de só bater se for atacado. Mas a recordação de eleições passadas e a ausência de candidatos nanicos de aluguel representam uma verdadeira despoluição política.

Em 1989, quando tivemos 22 candidatos, havia dez franco-atiradores posicionados para atirar em candidatos grandes a serviço de um patrocinador. Acabou restando apenas Enéias, que agora também saiu de cena. Um conforto para o eleitor, um alívio para o TSE, como diz um de seus ministros. Temos José Maria, do PSTU, com 1% das intenções de voto, e Rui Pimenta, do PCO, com traço nas pesquisas. Mas eles são ideológicos de ultra-esquerda, estão ali para defender crenças, não para fazer negócios eleitorais inconfessáveis.

Começaram todos como atores mal treinados na sessão da tarde. Lula, por mais conhecido que seja, poderia ter se apresentado antes de atacar um problema relevante como o do emprego. À noite, tratou de fazer isso, apresentando toda a sua equipe de campanha, desfilando currículos reluzentes para neutralizar o preconceito contra sua limitada educação formal. Ciro Gomes estreou apresentando uma overdose colorida de cenas de campanha, tendo ao lado Patrícia Pillar. Mas também não saudou o eleitorado na chegada e não se ouviu sua voz no primeiro programa. À noite, vieram os ajustes. Garotinho está previsível até na telinha.

Serra estreou com o programa mais bem acabado, do ponto de vista formal e de conteúdo. Apresentou sua biografia, falou de seus feitos, deu uma entrevista defendendo algumas de suas idéias. À noite apresentou o cabo eleitoral Fernando Henrique e fez os primeiros ataques a Ciro. Segundo fontes da campanha, o tom vai subir mais quinta-feira. Ele deve rebater o ataque de Ciro a sua meta de criar oito milhões de empregos.

As cenas fortes virão, mas tudo sugere, inclusive o encontro de anteontem no Planalto, que não teremos grosseria ou golpes baixos, numa confirmação de que a prática é que aperfeiçoa a democracia.Por ora o ex-presidente José Sarney não vai declarar apoio a Lula. Apontará suas virtudes, agirá para abrandar temores e somar confiança. Ao palanque, subirá no segundo turno.Educação na primeira infância.

Uma verdadeira revolução neurológica ocorre no cérebro das crianças entre os 3 e os 7 anos. Os neurônios se multiplicam e os estímulos recebidos nessa fase propiciarão as bases para o raciocínio, o aprendizado, a memória e a socialização. Se os pais podem pagar, levam as crianças para a pré-escola privada a partir dos 3 anos. A grande maioria, que não pode, espera que cheguem aos 7 anos, pois só a partir dessa idade a Constituição garante o ensino universal e gratuito. Mas elas chegarão lá com perdas de seu potencial intelectual e emocional, se já não se tiverem perdido nos desvãos das ruas.

Garantir a pré-escola gratuita é uma urgência do investimento brasileiro em educação. Essa proposta apareceu no programa de governo de José Serra, e ontem na proposta completa de Lula para a educação. O candidato petista sugere que o pré-escolar também seja coberto pelo Fundef, garantindo mais recursos às prefeituras que ampliem a oferta de vagas. Com mais R$ 4,5 bilhões, segundo o documento petista, os 13 milhões de crianças nessa faixa etária poderiam ser atendidos.As pesquisas e os nervos.

O Ibope divulgado ontem trouxe Lula maior um ponto percentual (35%) e Ciro (26%), Serra (11%) e Garotinho (10%) menores um ponto. A série histórica não confirmou a expectativa da semana passada, originária de informações do Ibope, sobre queda maior de Ciro e ganhos de Serra, que, segundo o instituto, refletiam um estudo metodológico, e não uma pesquisa registrada. Ao longo da semana, segundo fontes do instituto, foi captada uma intensa movimentação dos eleitores, engrossando sobretudo o bloco dos indecisos.

Na própria campanha de Ciro, admite-se que ele caiu nas capitais e entre eleitores mais instruídos, compensando a perda com ganhos expressivos no interior. Agora, segundo o Ibope, tal processo já teria sido interrompido, deixando-o do mesmo tamanho, pois a oscilação negativa foi insignificante. E, com o início do horário eleitoral, qualquer mudança nos números lhe será atribuída.

Mas exatamente por estar o candidato Ciro nas alturas, sua campanha não tem motivos para exceder-se em julgamentos, através de seu site, ou na violência dos ataques virtuais de seus militantes, por conta de uma expectativa negativa que não se confirmou.DO PRESIDENTE do PT, José Dirceu, sobre a aquisição do economista José Alexandre Scheinkman pela campanha de Ciro Gomes.

— Trata-se de uma terceirização de idéias ultraliberais para acalmar o mercado. Vamos ver se Ciro não vai desautorizá-lo, como fez com outros porta-vozes econômicos. Nós não temos esse problema. O PT é um partido, a aliança é programática e o programa de Lula foi discutido ao longo de um ano.


Editorial

CONTAS A FAZER

A propaganda eleitoral gratuita começou um dia após o histórico encontro do presidente Fernando Henrique com os principais candidatos a sucedê-lo. Que seja mais que uma coincidência, pois se a demonstração de maturidade dada por todos na segunda-feira se reproduzir até 3 de outubro na televisão e no rádio, o país terá dado mais um salto na formação de uma cultura política séria e respons


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