Avaliações de agências de risco sobre Brasil não são só positivas, lembra Flexa
O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) observou em discurso nesta quinta-feira (24) que, ainda que o Brasil tenha obtido mais um "selo de reconhecimento" dado pela agência de rating Moody, isto não quer dizer que a situação econômica do país seja totalmente confortável. Segundo ele, no mesmo comunicado em que concedeu ao Brasil o grau de investimento, a agência ressaltou aspectos "que o governo Lula preferiria ver esquecidos", como os excessivos gastos públicos federais e a trajetória de crescente desvalorização do dólar.
Flexa Ribeiro observou também serem essa e outras instituições de classificação de risco as mesmas que, há pouco mais de um ano, avalizaram com mérito papéis podres de instituições que depois implodiram o sistema financeiro mundial.
- Essas instituições tratavam como brilhantes picaretas como Bernard Madoff, portanto, não se deve comprar pelo valor de face o que elas vendem - recomendou o senador.
Ele se disse preocupado com o fato de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, terem discursado com "excesso de otimismo" logo após o comunicado da agência. Para Flexa, a atitude foi imprudente quando se considera o déficit fiscal do país.
- Em matéria de administração dos seus gastos, a nota do governo Luiz Inácio Lula da Silva não é boa. Esse ponto diz respeito ao planejamento da nação para o futuro e segue sendo um problema que deve atrapalhar o seu progresso - declarou o senador, dizendo que este é o do professor Aldo Musacchio, da Harvard Business School.
Sobre a constante queda do dólar, o parlamentar comentou que, ao contrário do que muitos imaginam, patamares muito baixos da moeda norte-americana não são tão vantajosos para o Brasil, já que provocam depressão nas exportações, com concentração em produtos básicos e não manufaturados. Conforme destacou, a pauta brasileira voltou a ser predominantemente concentrada em commodities, que são aqueles produtos que não passam por processo industrial e, portanto, rendem menos nas trocas comerciais.
- O corolário disso tudo é que o país fica pendurado na brocha de poucas economias, como a chinesa, e sujeito ao humor das oscilações das cotações das commodities. Trata-se de algo que, para muitos, não se sustenta: estamos diante de um segmento cujos preços internacionais estão hoje em estado de histeria e que, para piorar, gera poucos empregos - arrematou Flexa Ribeiro.24/09/2009
Agência Senado
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