Balanço apresentado por Sarney motiva manifestações em Plenário



O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) fez um apelo nesta sexta-feira (17) para que o presidente do Senado, José Sarney, zele pela legitimidade do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que irá decidir no início de agosto sobre representações do PSDB e do PSOL contra o próprio Sarney, por quebra de decoro parlamentar. Alvaro se manifestou após a apresentação da prestação de contas do presidente do Senado sobre as atividades da Casa no primeiro semestre.

Alvaro Dias questionou as indicações para o conselho e lamentou que o senador Paulo Duque (PMDB-RJ), eleito presidente do órgão, tenha chamado a opinião pública de "volúvel". O senador pelo Paraná afirmou também não haver dúvidas sobre o questionamento quanto à permanência do presidente José Sarney no cargo e fez novo apelo para que Sarney aceitasse seu julgamento pelo Conselho de Ética da Casa.

- Nunca fiz apelo para V. Excelência renunciar. Apelo para que seja julgado pelo Conselho de Ética e depois, se for o caso, pelo Plenário, de forma insuspeita. Não temos como superar a crise sem a concretização desse fato- pediu, sem deixar de assinalar, no entanto, a importância política de Sarney, especialmente durante o período da transição democrática do país.

Ao comentar o relatório de atividades do semestre apresentado por Sarney, Alvaro Dias insistiu na necessidade de dar total transparência aos atos administrativos da Casa e solicitou que o presidente detalhe à opinião pública qual o objeto das investigações do Ministério Público Federal - se seriam sobre atos secretos, empréstimos consignados a servidores com desconto em folha de pagamento, contratos com empresas terceirizadas ou compras e obras.

Apoio

Ao comentar o relato apresentado por Sarney sobre as atividades do semestre, Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) manifestou apoio ao presidente do Senado e saudou a presença de Sarney no último dia de trabalho antes do recesso parlamentar.

- Sua presença é uma surpresa em algum sentido. Foi dito reiteradamente que vossa excelência ansiava, esperava a antecipação do recesso do Congresso Nacional. E vossa excelência vem cumprir o ritual da casa [apresentação do balanço de atividades], o que poderia ter sido delegado a qualquer membro da Mesa - avaliou.

Mesquita Júnior considerou que, embora muitos colegas tenham pedido o afastamento de Sarney do cargo, ele próprio tem acompanhado o esforço do presidente de retomar a normalidade dos trabalhos e disse "aguardar serenamente o desdobramento dos fatos". O parlamentar reiterou sua amizade por Sarney e disse confiar que a Casa buscará a conciliação.

Em nome da Mesa Diretora, o senador Mão Santa (PMDB-PI) também manifestou solidariedade com o presidente da Casa. Mão Santa disse que os senadores estão conscientes dos problemas que a instituição enfrenta atualmente, mas assegurou que os parlamentares saberão "buscar novos caminhos e fortalecer a instituição".

Também o Roberto Cavalcanti (PRB-PB) felicitou Sarney por haver apresentado uma prestação de contas de seu primeiro semestre à frente do Senado e previu um período melhor para a instituição.

- É inegável a curva de melhora do Senado. Algumas pessoas podem não querer reconhecer, mas várias providências estão sendo tomadas na Casa - ressaltou.

Por sua vez, o senador João Pedro (PT-AM) disse que a senha para que o Senado saia da crise é a transparência. Por isso, ele também elogiou Sarney por haver apresentado um balanço das atividades do Senado ao longo do primeiro semestre.

Resposta do Senado a Lula

Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu ao presidente José Sarney que encaminhe o relatório de atividades do Senado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como resposta à declaração do presidente da República de que os senadores seriam "pizzaiolos". Ele classificou a fala de Lula de "jocosa" e reclamou de ela ter sido utilizada no sentido de "quem faz maracutaia".

Em resposta, Sarney disse que mandará uma cópia do relatório ao presidente da República e que, logo que estiver com ele, repassará as preocupações do senador.



17/07/2009

Agência Senado


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