BELO HORIZONTE JÁ TEM 74 MIL CASOS DE DENGUE, DIZ ARLINDO PORTO
Até o dia 15 deste mês, num período de 19 semanas de surto, as autoridades sanitárias registraram 74.276 casos de dengue e 7.394 suspeitas da doença na região metropolitana de Belo Horizonte. A previsão é de que, em breve, a capital mineira venha a ter um total de 100 mil pessoas atingidas pela dengue clássica e hemorrágica. Os dados foram trazidos hoje (21), ao plenário, pelo senador Arlindo Porto (PTB-MG), que criticou a "reação tardia" do governo, o "desperdício de recursos públicos" e o "desrespeito à saúde e ao bem-estar dos brasileiros".
O senador disse que, apesar de prevista a epidemia da dengue, somente em meados do ano passado foi divulgado o Plano Nacional de Erradicação do aedes aegypti, para o qual foram prometidos R$ 28 milhões a serem aplicados ou repassados pela Fundação Nacional de Saúde (FNS).
Além de insuficientes, esses recursos não foram totalmente liberados nem aplicados de acordo com o cronograma estabelecido, o que agravou o problema, acrescentou Arlindo Porto. Por esse motivo, frustrou-se a expectativa da FNS de controlar a epidemia até dezembro do ano passado, como foi planejado.
Arlindo Porto observou que não há tempo hábil para a aplicação dos R$ 4 bilhões do Orçamento para resolver o problema, já que esses recursos ainda dependem da burocracia de praxe para liberação, que inclui definições, licitações e outros procedimentos demorados e "extremamente onerosos".
Em aparte, os senadores Francelino Pereira (PFL-MG) e Júnia Marise (PDT-MG) solidarizaram-se com Arlindo Porto, prometendo uma ação conjunta da bancada de Minas no sentido de sensibilizar as autoridades para que seja intensificado o combate à doença. Os senadores Bernardo Cabral (PFL-AM), Leomar Quintanilha (PPB-TO), Romeu Tuma (PFL-SP) e Lúdio Coelho (PSDB-MS) também pediram uma ação conjunta dos governos federal, estadual e municipais para combater a doença.
- Precisamos, todos nós, apoiar o Ministério da Saúde para que ele agilize o planejamento das ações e efetue o repasse dos recursos necessários. Faço um apelo à sensibilidade e racionalidade do ministro José Serra por estar Minas Gerais em uma posição geograficamente estratégica para o sucesso do combate à dengue - disse Arlindo Porto.
Os senadores lamentaram que, no final do século XX, com todo o avanço tecnológico, o Brasil ainda esteja enfrentando epidemia de dengue, doença que deveria estar totalmente erradicada desde a década de 40. Arlindo Porto disse ainda que, além da dengue, o país enfrenta doenças como a tuberculose, a malária, a febre amarela e a hanseníase, que poderiam ser evitadas mas estão se alastrando porque não há procedimentos preventivos.
Leomar Quintanilha afirmou que o Senado votou a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) porque a promessa do governo era utilizar esses recursos para a saúde. "É com tristeza que constatamos que a questão não é só de dinheiro, mas de gerenciamento. O Ministério da Saúde é responsável e tem que erradicar a epidemia", disse.
Romeu Tuma comparou a situação da saúde com a segurança pública. Para ele, quando não se consegue diminuir a criminalidade a população sofre as conseqüências. Na saúde, acrescentou, estão correndo atrás do prejuízo, por isso a situação é tão grave. Júnia Marise afirmou que além de não haver recursos suficientes para o combate à dengue em Minas, não houve campanha de prevenção por parte do governo.
Francelino Pereira disse que o assunto dengue não deve ser esquecido só porque não está sendo noticiado com ênfase pela mídia. "O assunto não pode desaparecer porque o problema não desapareceu", acrescentou. Lúdio Coelho cobrou um combate permanente à dengue por parte do governo, pois "é inconcebível que isso aconteça em pleno século XX".
21/05/1998
Agência Senado
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