BENEDITA ACONSELHA A PENSAR ANTES DE PRIVATIZAR



Referindo-se à decisão governamental de retirar a transmissão de energia elétrica do processo de privatização, previsto para se efetivar até o ano 2000, a senadora Benedita da Silva (PT-RJ) indagou se não está na hora de o Brasil estudar minuciosamente esse processo para não "chorar depois".

- O que está em jogo é patrimônio público e não é vergonha nenhuma para o governo voltar atrás, desde que o motivo seja evitar prejuízos ao país - argumentou a parlamentar.

Na opinião da senadora, tudo indica que o governo não conseguiu ainda traçar uma estratégia de privatização do sistema elétrico e espera que isso seja conseguido pragmaticamente. Para tanto, a Gerasul, única empresa a ser leiloada este ano, será a cobaia que servirá de modelo para as futuras privatizações, disse ela. "O leilão, caso seja um sucesso, parabéns; caso seja um fracasso, prejuízo para a Nação. Isso está parecendo brincadeira de erra e acerta, só que com o dinheiro público", comentou.

Ela informou que, com todos os leilões previstos para o setor elétrico, a Eletrobrás sofrerá uma queda expressiva em sua participação no sistema como um todo. Segundo Benedita da Silva, hoje, o patrimônio da empresa situa-se em R$58 bilhões e, após as privatizações, cairá para pouco mais de R$20 bilhões, incluindo-se aí as linhas de transmissão, a Itaipu e os saldos dos contratos remanescentes.

Conforme a senadora, a expectativa é de que a privatização do setor elétrico só venha a ocorrer quando todas as empresas geradoras de energia forem vendidas. Para Benedita, a razão dessa mudança de estratégia se deve a apelo dos investidores interessados na compra das empresas do setor que argumentaram sobre a necessidade de garantir estabilidade nas relações entre geradoras e distribuidoras.

Diante desse fato, Benedita da Silva disse que mantém uma dúvida: "Será que a justificativa de estabilidade oferecida pelos investidores não teria outras intenções? Haja visto que empresário não anda muito preocupado com estabilidade, mas sim com lucro".



10/06/1998

Agência Senado


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