BENEDITA É A FAVOR DA DEMOCRATIZAÇÃO DA ACUPUNTURA



A senadora Benedita da Silva (PT-RJ) defendeu nesta quarta-feira (dia 9) a democratização da acupuntura, "desde que executada por profissional devidamente capacitado". O assunto está sendo debatido há anos no Senado, onde tramita projeto relativo à regulamentação do exercício profissional de acupunturista. Segundo a senadora, a proposta tem motivado uma intensa polêmica, onde se discute tratar-se ou não de uma especialidade da medicina, devendo ou não ser praticada somente pela classe médica.Ao pretender tornar a acupuntura uma prática exclusiva para médicos, o Conselho Federal de Medicina está, segundo Benedita, dando curso "a um caso típico, mas pouco ético, de luta por reserva de mercado". Por esta razão, ela considera suspeito o monopólio dessa prática conforme reivindicam alguns médicos. A questão - afirmou a senadora - é que a classe médica sabe que, uma vez popularizada, a acupuntura é de grande aceitação, tornando-se um filão nada desprezível. Para ela, o que tem dificultado o entendimento entre as partes interessadas na regulamentação daquela profissão é o fato de o Conselho Federal de Medicina ter arrogado para a sua classe profissional o direito exclusivo de exercê-la. O conselho, disse Benedita, adotou um entendimento segundo o qual a atividade "é médica, é ato cirúrgico, e que estando nas mãos de não-médicos ofereceria riscos à saúde da população". - Em nenhum lugar do mundo a acupuntura é exclusividade médica. Por que deveríamos torná-la no Brasil? - pergunta a senadora. Ela esclareceu que os acupunturistas concordam plenamente que, ao tratar doenças, é necessários haver diagnóstico médico prévio. Cumprida essa primeira etapa, Benedita entende que cabe aos profissionais da acupuntura realizar as avaliações energéticas necessárias para conduzir o tratamento.No Brasil, lembrou a senadora, grande parte dos 25 mil acupunturistas são profissionais da saúde com formação de nível superior. "Não são leigos ou charlatães", afirmou Benedita, que atribuiu aos órgãos fiscalizadores a incumbência de impedir que os não-habilitados desenvolvam a técnica.Esclarecendo que se baseava em pesquisa, ela ressaltou que nos países ocidentais, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e Canadá, a formação de acupunturista se dá em escolas especializadas, que satisfazem a legislação, em períodos que variam de três a quatro anos, cuja capacitação profissional é conferida mediante exames e provas, não havendo necessidade de ser médico. MANICÔMIOSA senadora também solidarizou-se com o deputado Paulo Delgado, autor do projeto que dispõe sobre a extinção progressiva dos manicômios, por considerar que a proposta pode resgatar a cidadania dos doentes mentais. Ela lembrou que a matéria envolve recursos da ordem de R$ 370 milhões, que são repassadas às entidades privadas especializadas no tratamento de doentes mentais. Segundo Benedita, a matéria envolve aspectos delicados, sobretudo da relação do doente com sua família. Por essa razão, a senadora entende que a proposta deveria ser votada em janeiro próximo, dando tempo para que as discussões sejam "mais aprofundadas".

09/12/1998

Agência Senado


Artigos Relacionados


Cabral defende democratização do Poder Judiciário

CCJ vota democratização na participação em concursos públicos

Suplicy quer fim de embargo e democratização de Cuba

Petrônio Portella foi essencial na democratização do Brasil, diz Lobão

Sibá Machado defende democratização do conhecimento científico

Brasil vai propor discussão na ONU sobre democratização da gestão da internet