BEZERRA DESTACA AVANÇOS NAS POLÍTICAS AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA



O senador Carlos Bezerra (PMDB-MT) disse que tem havido uma clara evolução das políticas agrícola e fundiária do país. Em discurso no Plenário, Carlos Bezerra destacou que está havendo um esforço de aperfeiçoamento da distribuição de terras para agricultura, da eliminação de latifúndios improdutivos e estabelecimento de políticas mais visíveis de atendimento das necessidades daqueles que querem produzir, apesar das limitações de recursos.
Na avaliação do parlamentar, os recursos anunciados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para a safra 1999-2000, que incluem também verbas para obras de infra-estrutura no meio rural, apontam para avanços no campo. Carlos Bezerra cita, ainda, o exemplo de Santa Catarina, com o predomínio das pequenas e médias propriedades, como "modelo de desenvolvimento e de eficiência para os padrões brasileiros", na área da agricultura e agroindústria.
O senador lembrou que representa um estado, Mato Grosso, em que a economia está intimamente ligada à produção agrícola, razão pela qual também procura não deixar de apontar as deficiências e as inconsistências da política agrária. Ele disse que já apontou a situação difícil dos pequenos produtores rurais de Mato Grosso, bem como a situação de inadimplência que atinge os grandes produtores.
Com relação ao estado de Mato Grosso, especificamente, o senador lamentou uma redução no número de famílias de trabalhadores sem-terra assentadas, apesar de um aumento de R$ 23 milhões para R$ 50 milhões, na safra 99/2000, nos recursos para os assentados. Ele entende que a solução do problema vai esbarrar na crise que se desenha na política estadual, entre o PMDB e o PSDB, partido do governador local. O superintendente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é membro da executiva do PMDB".
O senador Carlos Bezerra destacou ainda que, apesar de suas críticas a determinados aspectos das políticas agrícola e agrária do governo federal, uma medida importante para a o assentamento de trabalhadores sem-terra vem sendo anunciada desde o final do ano passado. "Trata-se da anulação do registro de três mil latifúndios, por portaria do Ministério da Reforma Agrária, totalizando 93 milhões de hectares, correspondendo a cerca de quatro vezes a área total do estado de São Paulo", acrescentou.
Desse total, Mato Grosso entraria com quase 900 mil hectares. E se todas essas terras fossem destinadas a assentamentos, calcula o senador, quase 40 mil famílias poderiam ser beneficiadas. "Os levantamentos realizados apontam para 30 mil trabalhadores sem-terra esperando sua vez, o que nos permite afirmar que sobra terra para reforma agrária no Mato Grosso", enfatiza Carlos Bezerra, antes de concluir que, no fundamental, falta "vontade política" para avançar na solução do problema no estado.

16/06/2000

Agência Senado


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