BEZERRA MANIFESTOU ESPANTO COM DECISÃO DO BC DE SOCORRER "DOIS TAMBORETES"



O senador Fernando Bezerra (PMDB-RN) disse nesta quinta-feira (dia 15), durante a reunião da CPI do Sistema Financeiro, estar espantado com a decisão tomada pelo Banco Central de correr em auxílio de dois "meros tamboretes" (os bancos Marka e FonteCindam) dos quais ele, assim como o presidente Fernando Henrique Cardoso, nunca havia ouvido falar, e com a justificativa dada de que a medida foi tomada para "salvar o sistema financeiro". O presidente do BC, Armínio Fraga, explicou que houve base legal para as operações de socorro e que as decisões foram difíceis. Fraga reconheceu que tratavam-se de bancos de pequeno porte, mas informou que eles mantinham posições fortes no mercado cambial que poderiam, por sua vez, propagar-se em outros mercados.Quando o senador lhe perguntou se, caso fosse o presidente do BC naquela época, teria tomado a mesma decisão de ajudar os bancos Marka e FonteCindam vendendo-lhes dólares a taxas menores que as praticadas pelo mercado, Fraga respondeu: "Não sei o que eu teria feito. Espero não me ver em situação semelhante". Ele explicou que para saber se teria tomado ou não a mesma decisão, seria preciso reproduzir o mesmo clima daquele dia. "As decisões foram tomadas num momento muito difícil", afirmou Fraga.Fernando Bezerra perguntou a Fraga quem participou da decisão de ajudar os dois bancos, se houve interferência de instância superior ao Banco Central e qual era sua posição em relação à proposta de independência do BC. Fraga disse que não participou da tomada de decisões na época e que as pessoas envolvidas poderão esclarecer melhor esta questão quando forem depor na CPI. Fraga manifestou-se favorável à independência operacional do BC, desde que com mandato definido para o presidente e a diretoria, atuação transparente e controle externo. "Não deve ser independente para fazer o que quiser", observou Fraga. O presidente do BC esclareceu que, atualmente, a instituição passa por auditoria do Ministério da Fazenda e fiscalização do Tribunal de Contas da União.

15/04/1999

Agência Senado


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