Bezerra pede afastamento do partido
Bezerra pede afastamento do partido
O prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho, e seu grupo decidiram pedir suspensão temporária do PPS enquanto o presidente da legenda no Estado, Eduardo Carvalho, permanecer no cargo. O afastamento temporário só não ocorrerá, caso haja impedimentos jurídicos que os prejudique na eleição de 2002. A medida será discutida amanhã, durante uma reunião convocada por Bezerra Coelho. Caso ela se confirme, além do prefeito, ficarão ainda fora do partido temporariamente os deputados Clementino Coelho (federal), Ranilson Ramos (estadual), prefeitos e vereadores.
A decisão foi anunciada ontem por Ranilson Ramos na Tribuna da Assembléia Legislativo. Clementino informou que seguirá a orientação de Bezerra Coelho. Em meio a um discurso contundente, recheado de críticas a Eduardo Carvalho, Ranilson Ramos disse que, paralelamente, o grupo cobrará da executiva nacional o cumprimento de uma promessa feita há oito meses. Trata-se da antecipação do Congresso estadual que serviria para eleger o substituto de Eduardo Carvalho. A proposta de Fernando Bezerra é de que a eleição aconteça no final deste mês. Oficialmente, o mandato do atual presidente do PPS só acaba em janeiro.
Ranilson não mediu palavras. Disse que Eduardo tem sido "juvenil e de uma inexperiência que beira à irresponsabilidade", alfinetou, lembrando que ele, em muitas ocasiões, "ousou" contestar as lideranças do partido. "Um rapaz que muito parece a um macaco em casa de louça", definiu. E foi além. Para Ranilson Ramos, Carvalho foi um desagregador da legenda. A reação do deputado reforça o confronto que vem sendo travado no PPS há meses.
O deputado José Queiroz (PDT) chegou a ponderar para que Ranilson considerasse as virtudes de Eduardo. O trabalho que ele tem feito para consolidar a unidade da oposição. Ranilson garantiu que seu grupo defende a unidade, mas lembrou que é preciso discutir sem levar nomes, como fez o PT.
Projeto da PCR é avaliado por comissão mista
O vereador Sileno Guedes (PSB) será o relator da Comissão Especial, constituída na Câmara Municipal do Recife para analisar os dois projetos de lei da Prefeitura do Recife, que tratam da Previdência Municipal. O nome do parlamentar foi anunciado ontem pelo presidente da Comissão, Liberato Costa Júnior (PMDB), que também designou o vereador Isaltino Nascimento (PT) para o cargo de sub-relator e de Heráclito Cavalcanti (PFL), para responder pela vice-presidência.
A comissão foi criada porque os parlamentares entenderam que os projetos da Previdência são bastante complexos e têm parágrafos polêmicos, a exemplo do que concede pensão para os companheiros de servidores homossexuais. A partir de ontem, os vereadores terão um prazo de 20 dias para apresentar emendas, sugerindo modificações ou dados novos as propostas do Executivo.
Original - A primeira emenda ao projeto, que cria o Regime Municipal de Previdência, foi apresentada pelo vereador Cordeiro de Deus (PL). Ele encaminhou à comissão uma emenda supressiva, sugerindo que seja retirado do texto original o parágrafo II do artigo 30, que diz respeito a concessão de pensão para o companheiro ou companheira de servidores homossexuais. Segundo o parlamentar, a proposta da PCR fere a Constituição Federal. "Para efeito de proteção do Estado é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a Lei facilitar a sua convenção ou casamento. Sendo assim, não cabe colocar uma relação homossexual como parâmetro para obtenção de benefícios previdenciários", justificou.
Apesar da polêmica, apenas cinco vereadores apresentaram emendas as propostas do Executivo. Segundo Sileno Guedes (PSB), o número de emendas ficou bem abaixo da expectativa do grupo. "Os vereadores fizeram muito barulho sobre o assunto, mas na hora de apresentar sugestões não demonstraram interesse", lamentou.
PMDB entrega cargos a FHC e quer Jarbas nas prévias
De surpresa, Temer chega ao Recife para conversa com governador
Até dezembro o PMDB nacional vai entregar todos os cargos que tem no Governo federal e investir na candidatura própria à Presidência, informou ontem no Recife o presidente nacional do partido, Michel Temer. O motivo de sua vinda a Pernambuco foi o de tentar convencer o governador Jarbas Vasconcelos a disputar as prévias de 20 de janeiro, quando será escolhido o candidato peemedebista. Não obteve a resposta que esperava. "Saio daqui com a impressão que o governador não descartou as prévias, ao mesmo tempo em que não se comprometeu com elas. Em nenhum momento ele disse que vai disputar, mas ao mesmo tempo não impediu que nós insistíssimos nisso", disse Temer, ao final do encontro, no Palácio do Campo das Princesas. Jarbas saiu sem dar entrevista. Anteontem ele havia feito críticas à direção do partido - que em sua opinião não estaria adotando os procedimentos necessários para se buscar um candidato único da aliança - e anunciado que não iria participar das prévias.
Temer estava acompanhado do assessor especial do presidente Fernando Henrique, ex-governador do Rio Moreira Franco, e do senador Sérgio Machado (CE), que era do PSDB e se filiou ao PMDB semana passada. A direção nacional está buscando alternativas com força suficiente para enfrentar o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que irá disputar as prévias. A outra candidatura já lançada é a do senador Pedro Simon (RS). Nenhum dos dois tem o perfil desejado pela cúpula do partido.
"Nós somos contra todo e qualquer fundamentalismo. O PMDB vai pela linha do meio. Nem a coisa muito radical de oposição, nem o apoio absoluto ao governo", disse Temer. "Não podemos negar que participamos do Governo por sete anos, mas ao mesmo tempo nós queremos avançar mais. Vamos por uma linha de moderação e equilíbrio, mas fazendo as críticas que sejam necessárias".
Não ficou agendada uma nova reunião entre eles, mas Temer disse que será "estreitado" o contato com Jarbas. "O governador vai ser Estado-Maior do PMDB", afirmou.
No encontro ficou acertado que Jarbas aparecerá nas próximas inserções de 30 segundos a que o partido tem direito, em rede nacional de rádio e televisão. Essa participação estaria reservada aos pré-candidatos que disputarão as prévias. Jarbas aceitou participar, mas sem que isso significasse compromisso em concorrer às prévias. A condição foi aceita por Temer.
Câmara promulga código e instala Conselho de Ética
José Thomaz Nonô (PFL-AL) é indicado para presidência do colegiado
BRASíLIA - Depois de dez anos tramitando no Congresso Nacional, foi promulgado ontem pelo presidente Aécio Neves (PSDB-MG), o Código de Ética da Câmara dos Deputados. O Código tem como um dos pontos mais importantes a criação do Conselho de Ética, composto de quinze deputados, escolhidos de acordo com a proporcionalidade de cada partido, para julgar as denúncias contra deputados.
O líder do PFL, Inocêncio Oliveira, oficializou ontem a escolha do presidente do Conselho de Ética da Câmara: o deputado José Thomaz Nonô (AL). Os outros integrantes do PFL no Conselho serão Moroni Torgan (CE) e Darci Coelho (TO). "Fazer justiça rápida é a melhor forma de fazer justiça, e a gaveta é o inimigo número um da sociedade", disse Nonô. O PPB indicou o deputado Romel Anízio (MG). A liderança do PL indicou o deputado Ronaldo Vasconcelos (MG). O PT indicou Waldir Pires (BA) e Orlando Fantossini (RS). Já o PDT indicou José Roberto Batochio (SP).
O primeiro caso a ser investigado pelo conselho envolve o deputado Luiz Antôniode Medeiros (PL-SP), acusado de enriquecimento ilícito. Ontem, ele ocupou a tribuna da Câmara para se defender das acusações de desvio de dinheiro destinados à criação da Força Sindical.
DOSSIÊ - A CUT (Central Única dos Trabalhadores) teria recebido mais recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) do que a Força Sindical. A denúncia foi feita ontem por Carlos Lacerda, secretário para a região Norte da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), vinculada à Força. Além de acusar a CUT, Lacerda afirma que o deputado Pedro Celso (PT-DF) teria cobrado propina para liberar recursos do fundo quando ocupou a secretaria do Trabalho no Governo Cristovam Buarque (PT).
Ele divulgou um dossiê que acusa a CUT de ter recebido R$ 59 milhões entre 1998 e o ano passado. Segundo o dossiê, a Força Sindical teria no mesmo período recebido R$ 54 milhões. Já Pedro Celso é acusado de cobrar propina de 30% do valor dos recursos do FAT liberados pela secretaria. O dossiê aponta o também deputado Wigberto Tartuce (PPB-DF), que ocupou o cargo no Governo atual de Joaquim Roriz, como envolvido na cobrança de propina.
O PL decidiu ontem defender Medeiros, pelo menos até que fiquem provadas as acusações que existem contra ele. O presidente nacional do partido, deputado Valdemar da Costa Neto (SP), disse que Medeiros tem todo o apoio do PL. Na reunião que Medeiros teve ontem com a bancada do partido, ele garantiu que nem ele, nem o Instituto Brasileiro de Estudos Sindicais (Ibes) tiveram ou têm conta bancária em Nova York. No entanto, Costa Neto afirmou que se as denúncias forem comprovadas, Medeiros poderá ser expulso do partido e ter o mandato cassado.
STJ diz quem investiga o caso Jersey
SÂO PAULO - Caberá à Justiça Federal em São Paulo examinar e julgar a suposta existência de contas bancárias não declaradas em nome do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, no paraíso fiscal britânico de Jersey, no canal da Mancha. Os ministros que compõem a 3ª Seção do Superior Tribunal Federal (STJ) decidiram ontem, por unanimidade, que a competência para analisar a questão é da 8ª Vara Criminal, em São Paulo, no processo que já investiga possíveis irregularidades na emissão de títulos públicos na gestão de Maluf na Prefeitura de São Paulo (1993-1996).
As possíveis contas de Maluf e de familiares dele em Jersey estavam sendo investigadas paralelamente por promotores de Justiça de São Paulo e por Procuradores do Ministério Público Federal. O conflito de competência foi levantado pela juíza Adriana Soveral, titular da 8ª Vara Criminal. O dinheiro que supostamente estaria depositado no paraíso fiscal poderia ser produto da emissão irregular dos títulos.
Autoridades suíças e britânicas já confirmaram a existência de depósitos em nome do ex-prefeito que teriam migrado de um país para o outro, em 1997. Maluf nega que tenha qualquer depósito em paraísos fiscais.
Hoje à tarde, o ex-prefeito Paulo Maluf será interrogado pela juíza a portas fechadas.
Artigos
Que fundamentalismo?
Roberto Martins
Completando hoje um mês dos trágicos atentados ao povo comum dos EUA, escrevo aqui para estimular a cooperação dos estudiosos das religiões, no sentido de esclarecer mais rigorosamente, e de uma posição acadêmica, a origem do uso do termo fundamentalismo. Explico o motivo. Talvez devido a uma deformação do meu itinerário intelectual, já que estudei a pós-graduação em sociologia também nos EUA, eu nunca tinha visto o termo fundamentalismo, a não ser básica e originariamente com relação a grupos protestantes norte-americanos: dos EUA e do Canadá. O termo fundamentalismo é usado nestes dois países em dois sentidos: (1) para designar um tipo de conservadorismo do pensamento cristão, tal como é oposto às tendências liberais ou modernistas que tornaram-se bastante influentes na segunda metade do Século XIX e mais ainda nos inícios do Século XX, e (2) o termo Fundamentalismo, como o nome de um movimento conservador, com suas próprias organizações e devotada a propagação de um programa doutrinário definido (os conhecidos Cinco Pontos do Fundamentalismo). Nesta segunda acepção, o termo refere-se a um complicado conjunto de seitas, sobre o qual, pela falta de espaço não caberia explicar aqui. Para efeito de nosso conhecimento é necessário apenas ter em mente a qualidade ortodoxa do fundamentalismo de reagir às tendências liberalizantes do pensamento moderno, o que exclui qualquer tentativa de interpretação da Bíblia.
O fundamentalismo alcançou a sua maior intensidade e atividade de propaganda em torno do período da I Guerra Mundial, principalmente com um líder do fundamentalismo rural, William Jennings. Em 1925, com o famoso processo de Dayton, Tennessee, envolvendo a questão do ensino da teoria da evolução de Darwin nas escolas, o Fundamentalismo entra então em declínio e quase desaparece, para, nos anos 70, acompanhando o renascimento de tradições do pensamento conservador, reaparecer com bastante força, deixando de ser um fenômeno provinciano, passando a possuir agora suas próprias estaçõesde rádio e televisão, e gerenciando suas próprias escolas e universidades. A "Maioria Moral" do reverendo Jerry Falwell expressa bem as direções ideológicas dos grupos fundamentalistas dos anos 70: a livre iniciativa deve permanecer livre; o governo deve ser atrofiado; o aborto deve ser proscrito; a teoria da evolução deve ser substituída nos textos escolares pela história bíblica da Criação; e a expansão soviética deve ser banida como uma forma de totalitarismo pagão.
Este foi sempre, na era contemporânea, o contexto a que se aplicava o uso do termo fundamentalismo, que mais ou menos recentemente foi ampliado para uma utilização mais difusa, sem que, principalmente a Imprensa, tivesse a atenção de esclarecer que o fundamentalismo, como termo, não se origina do islamismo nem tampouco confunde-se com ele. Não sou motivado com estas explicações em contribuir para o chamado Clash of Civilizations (Choque de Civilizações). Nem tampouco luto para que um significado de uma palavra possa ser dado como fixo de umavez por todas. Mas existem usos e abusos,tal como o abuso cometido pela revista Veja, na edição desta semana, ao publicar o seguinte texto de autoria do seu corpo de redação: "Esse movimento (mergulhar na fonte original do Corão)é chamado, genericamente, de fundamentalismo e está entranhado no próprio código genético do Islã..." Este texto confunde o leitor, que merece ter uma idéia mais exata das origens do significado dos termos. Com o termo fundamentalismo a Imprensa em geral tem criado mais confusão do que clareza. E clareza não quer significar adesão política e ideológica.
Colunistas
DIARIO Político
Na hora de decolar
Fernando Bezerra Coelho (PSB) tem motivo para estar irritado, decepcionado, perto do desespero. Pois o prefeito de Petrolina fez um plano de vôo, esquentou as turbinas e na hora de decolar descobriu que a rota tinha sido alterada e que o avião era da Talibã Air Lines. Aí não deu outra. Saiu brigando com quem atravessou seu caminho, a começar pelo dirigente estadual do próprio partido, Eduardo Carvalho, que ele responsabilizou pelo desmoronamento do PPS, e abriu o verbo contra o PT por ter levado Pedro Eugênio e João Lyra Neto para seus quadros. E nem levou em conta que sua vice, Tereza Cristina, é petista. Dizem que o tiroteio de Bezerra Coelho é porque ele sempre quis ser candidato a governador com apoio do PT, mesmo que fosse para perder. Porque seu nome circularia em todo Estado, se fortaleceria e ele poderia chegar ao Palácio do Campo das Princesas no próximo pleito para governar Pernambuco como seu tio, Nilo Coelho. Um projeto interessante que até poderia ter sucesso se João Paulo não tivesse chegado à Prefeitura do Recife. Como o petista ganhou de Roberto Magalhães, o quadro mudou completamente e Bezerra Coelho parece inconformado. Há quem diga que ele até já confidenciou a algumas pessoas que seria capaz de apoiar Jarb as Vasconcelos para reeleição e jamais um candidato do PT. Passada a emoção, quem sabe o prefeito se compõe com o PPS e com os petistas, porque como todo mundo sabe, em política nada é mesmo definitivo.
Roberto Campos, sepultado ontem, no Rio, passou a vida sendo patrulhado pela esquerda e pela direita. É dele a frase polêmica, sua marca registrada: "Deus não é socialista. Criou os homens profundamente desiguais"
Encontro
Roberto Andrade (PFL) tem encontro marcado, hoje, com o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, em Brasília. O vereador vai acertar detalhes da sua posse como presidente do diretório municipal do partido no Recife, que está marcada para o próximo dia 19.
Polícia
Sérgio Leite (PT) será o relator da CPI da Água Mineral criada por iniciativa de Sérgio Pinho Alves (PSDB), que vai presidir a comissão. Pelo visto, a água mineral é mesmo um caso de polícia.
Decisão 1
Marco Maciel comentou, ontem, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que, por unanimidade, entendeu que os vices reeleitos que venham a substituir ou suceder os chefes do poder Executivo nos três planos da Federação, poderão ser eleitos como titulares para um único mandato.
Decisão 2
O vice- presidente disse:" A decisão foi muito boa porque foi tomada antes do início do pleito eleitoral. E porque dá um balisamento para os candidatos, contribuindo para fazer com que nós possamos cumprir a legislação e as decisões da Justiça. É o que eu vou fazer".
Projeto
Vai se chamar Rodovia Prefeito Delmiro Alexandre Silva o trecho da BR-217 que ligará Pesqueira a Alagoinha-Venturosa, conforme projeto aprovado na Assembléia de autoria de Geraldo Barbosa (PSDB).
Posse
Tereza Duere (PFL) toma posse, segunda-feira, às 11h, como membro titular do Conselho Estadual de Habitação, a convite de Jarbas Vasconcelos. A solenidade será no Palácio do Campo das Princesas.
Plenária 1
Eudo Magalhães (PPB) participa hoje, em Palmares, da plenária do programa Governo nos Municípios, ao lado de Jarbas Vasconcelos e prefeitos da Mata Sul. Será a estréia do deputado num evento com a presença do governador, após reassumir o mandato por decisão da Justiça.
Plenária 2
O ex-prefeito de Palmares e irmão de Eudo, Enoelino Magalhães, também deverá participar da plenária e a grande expectativa é com relação à presença do prefeito de Água Preta, Eduardo Coutinho (PSB), que é adversário de Jarbas Vasconcelos e inimigo ferrenho dos Magalhães.
Fernando Lupa, do PSB, disse, ontem, que Gonzaga Patriota (PSB-PE) mente quando afirma ter colocado R$ 1 milhão para construção da sub-adutora de Sertânia: "A obra foi construída pelo programa Água de Pernambuco" do Governo do Estado". Essa arenga já está ficando cansativa.
Editorial
Marketing de guerra
As primeiras reações dos Estados Unidos aos ataques terroristas a Nova Iorque e Washington causaram apreensões até mesmo aos países da aliança atlântica. O presidente George W. Bush moveu contra a agressão resposta em termos irredutíveis. A guerra estava declarada. E os países que não se alinhassem ao lado dos norte-americanos estariam comprometidos com o terror. Mas, absorvido o impacto inicial que pôs em estado de choque o governo e a população, a diplomacia abriu espaços à construção de nova estratégia.
Antes que mísseis e bombas fossem despejados sobre o Afeganistão, como acontece desde domingo, Washington costurou apoios importantes na Europa, Ásia Central e entre países de forte cultura islâmica. Alcançaram-se o isolamento quase total do governo talibã e o bloqueio significativo das fronteiras do país. O uso da inteligência diplomática buscou empurrar adiante a idéia de que a ira da América era compartilhada por grande parte da consciência civilizada do Mundo.
Agora, junto com as milhares de toneladas de artefatos destrutivos, a força área americana lança alimentos sobre solo afegão. Destinam-se, ou antes, seriam destinados aos milhões de famintos crônicos e de outros milhões em fuga do teatro de operações. A ajuda poderia ser considerada humanitária se as provisões caíssem em poder das legiões tangidas pela fome. Mas a topografia acidentada, os ermos desolados das montanhas, o chão saturado de minas remanescentes de seguidas guerras impedem que o socorro chegue aos miseráveis.
Pior. Não há garantia nenhuma de que os lançamentos não acabem em mãos das milícias talibãs. São obstáculos que reduzem a iniciativa a operações de marketing para colher no Mundo a impressão de que os EUA combatem o terror, mas estão solidários com os párias afegãos. Uma guerra não se ganha apenas com os canhões. É o que mostra a história. Campanhas propagandísticas são fundamentais para aliciar vontades solidárias, destruir a estrutura psicológica dos inimigos, retemperar as energias dos combatentes. Fundamental, contudo, é organizá-las sob o amparo de situações carregadas de verossimilhança.
Derramar mantimentos do céu para famélicos encurralados por montanhas, submetidos às ciladas da aridez, expostos a explosões de minas e confinados em regiões remotas é desperdício só justificável como manobra publicitária. Manobra, não há outra conclusão lógica, que não convencerá a opinião sensível do Mundo. Não é por outra razão que organização humanitária respeitável como Médicos Sem Fronteiras (Prêmio Nobel da Paz de 1999) condena a iniciativa: "Não se trata de ajuda humanitária, mas de propaganda militar". Os EUA precisam voltar em questões da espécie às mesmas inspirações que desataram a operação diplomática antes do assalto às bases terroristas do Afeganistão.
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10/11/2001
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