Bezerra suspende acordo com Jarbas









Bezerra suspende acordo com Jarbas
Prefeito pede tempo ao governador para reavaliar rumos dos partidos de oposição

PETROLINA - O prefeito deste município, maior colégio eleitoral do Sertão do Estado, Fernando Bezerra Coelho (PPS), resolveu pensar melhor sobre um possível apoio à União por Pernambuco, aliança que dá sustentação ao governo Jarbas Vasconcelos (PMDB). A mudança foi conseqüência de um encontro entre Bezerra com os dirigentes nacional e estadual da sigla, senador Roberto Freire e o prefeito do Cabo, Elias Gomes, que passaram quase dois dias na cidade em reuniões secretas com o prefeito, iniciadas na noite de quinta-feira e só concluída no início da tarde de ontem.

O apoio a Jarbas Vasconcelos foi anunciado por Bezerra Coelho há cerca de vinte dias e culminou com o rompimento do PPS com o PT em Petrolina, partido da vice-prefeito Isabel Cristina. Fernando Bezerra Coelho justificou a mudança de rumo em direção a Jarbas colocando em primeiro lugar o futuro da candidatura de Ciro Gomes ao Planalto. Ele disse que foi informado pelos dirigentes pós-comunistas das dificuldades geradas pelo rompimentos da Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) nos Estados e os reflexos para Ciro.

"Atendi ao apelo do senador Roberto Freire para suspender as conversações com Jarbas Vasconcelos, visando um diálogo entre uma unidade trabalhista e das oposições aqui em Pernambuco, facilitando o apoio ao palanque de Ciro no Estado", disse o prefeito.

Bezerra Coelho adiantou que delegou poderes ao presidentes estadual do PPS, Elias Gomes, para buscar a reabertura de novas rodadas de entendimento entre as principais lideranças da esquerda pernambucana. "Não tenho nenhuma decisão tomada, mas apelo para que haja espaço e diálogo para que possamos prosperar num entendimento com as oposições e Elias estar encarregado disso", lembrou o prefeito pós-comunista.

Segundo Roberto Freire, foi passado ao prefeito como anda a questão do PPS no quadro nacional, que pode prejudicar a candidatura do presidenciável dos pos-comunistas, Ciro Gomes. Fernando Bezerra sempre frisou que mesmo que fosse se aliar ao governador do Estado, manteria sua posição de fazer campanha para Ciro e Freire, que é candidato à reeleição. "Disse a Fernando que era importante a sua presença do nosso lado, aqui em Pernambuco, para fortalecer a candidatura de Ciro Gomes no Estado e continuar um diálogo com a esquerda pernambucana. Ele disse que ainda tem um tempo para dar a reposta ao governador Jarbas e já pediu para suspender as negociações com o palanque estadual até ver os resultados da unidade das oposições", revelou o senador Roberto Freire, reforçando que vai continuar lutando para reverter a posição de Fernando Bezerra Coelho.

O prefeito Elias Gomes considerou positiva a vinda à Petrolina, ressaltando que o partido deu um passo importante para superar as dificuldades internas, que para ele são normais dentro de um processo democrático. "Saímos satisfeitos e creio que toda as possibilidades serão buscadas, sem que para isso tenhamos que fazer futurologia", destacou o dirigentes estadual da legenda em Pernambuco.


Fernando Lyra deixa campanha de Ciro
Ex-ministro, articulador da candidatura do presidenciável do PPS, decide apoiar Lula

O ex-ministro da Justiça Fernando Lyra (PPS), ex-coordenador da campanha presidencial de Tancredo Neves e que ultimamente vinha desenvolvendo articulações para a campanha de Ciro Gomes, presidenciável do PPS, vai trabalhar em Pernambuco pela campanha do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão já foi comunicada ao presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, com quem Lyra conversou recentemente. Na oportunidade, ele falou da sua insatisfação com os espaços oferecidos a ele pelo pessoal da coordenação da campanha de Ciro.

Freire ouviu as reclamações e deixou Fernando Lyra à vontade para ele seguir o rumo que desejar. Quando confirmar a adesão ao palanque de Lula, Fernando Lyra vai consolidar um caminho que já tinha sido aberto por seu irmão, o ex-prefeito de Caruaru, João Lyra Neto, que inclusive é cogitado como o vice da chapa do candidato do PT a governador, Humberto Costa. Se não for vice de Humberto, João Lyra será candidato a deputado federal. Procurado pelo DIARIO, Fernando Lyra admitiu que o seu apoio a Lula "é possível". "Eu vou lutar pela unidade da oposição em torno de Lula".

Essa unidade passa pela retirada das candidaturas de Ciro e do presidenciável do PSB, Anthony Garotinho. Ambos foram seriamente atingidos pela verticalização das coligações nacionais imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Perguntado se essa articulação pela unidade geral da oposição em torno de Lula o incompatibiliza com Ciro Gomes, Fernando Lyra respondeu: "Eu sou independente". Ex-deputado, ele continua com trânsito nacional e local, apesar de estar sem mandato eletivo e ter resolvido sair da vida pública.

Fernando Lyra deve sair do PPS, embora não tenha negado nem confirmado nada neste sentido. "Eu não sou candidato a nada, então isso não faz diferença", enfatizou. Ele ressaltou que o seu compromisso com Roberto Freire, que é candidato à reeleição, permanece. "Meu compromisso é com Roberto e com a oposição", destacou. A saída do ex-ministro da Justiça do PPS significará mais uma baixa no partido, que já perdeu para o PT, além de João Lyra, o deputado federal Pedro Eugênio.

O PPS também está ameaçado de sofrer um enorme desfalque com a adesão do prefeito de Petrolina, Bezerra Coelho, ao palanque de Jarbas Vasconcelos (PMDB). A razão central apontada por Bezerra para aderir a Jarbas é justamente o fato de o PPS ter ficado com a chapa de deputado federal esvaziada com a saída de João Lyra e Pedro Eugênio. Isso praticamente inviabilizou a reeleição do irmão do prefeito, o deputado federal Clementino Coelho.

Bezerra também está preocupado com a reeleição do deputado estadual Ranilson Ramos, pois a chapa do PPS neste plano também não está bem estruturada. Roberto Freire não quis falar sobre a adesão de Fernando Lyra a Lula, restringindo-se a afirmar que apóia qualquer decisão dele. Na prática, o senador está mais preocupado em segurar o prefeito de Petrolina, tanto que o convenceu a suspender as negociações com Jarbas, depois de conversar com ele em Petrolina.


Lula critica pessimismo de bancos
O pré-candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, chamou de "aventureiros" os que acreditam no pessimismo das agências e dos investidores internacionais com relação ao crescimento de sua candidatura nas pesquisas.

RIBEIRÃO PRETO - O pré-candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, chamou de "aventureiros" os que acreditam no pessimismo das agências e dos investidores internacionais com relação ao crescimento de sua candidatura nas pesquisas. "São aventureiros que ficam plantando mentiras nos jornais. É engraçado, porque plantam de dia para o dono do banco desmentir à noite", alertou.

Lula disse que em seu plano de governo tem como oferecer confiança aos investidores e ao mercado internacional. "Alguns oferecem juros altos e o patrimônio público. Nós teremos de oferecer infra-estrutura, como rodovias, ferrovias e energia, melhoria do poder de compra do trabalhador e mão-de-obra qualificada. Temos que atrair pela produção. Quem apostar em juros altos vai sair perdendo", afirmou.

Sobre seu plano de governo, o pré-candidato também enfatizou que tem como meta fazer o Brasil voltar a crescer, através de incentivos à produção, com uma política tributária que desonere os empresários a fim de gerarempregos.

Em São Paulo, o pré-candidato tucano, José Serra classificou ontem de "equívoco" o rebaixamento dos títulos da dívida do Brasil por bancos est rangeiros. "É ridículo. Está ficando cansativo. De repente, eles acham que a capital do Brasil é Buenos Aires", ironizou senador tucano. O pré-candidato do PSDB afirmou não acreditar que esses relatórios interfiram no processo eleitoral.

"Eu creio que não interfere. Mas é perturbador. Pesquisa não tem cabimento agora. É como querer prever o resultado da Copa do Mundo", disse Serra. Na rápida entrevista concedida após o encontro com o presidente Fernando Henrique e o presidente nacional do PSDB, José Aníbal, em São Paulo, o senador também voltou a criticar o governo dos Estados Unidos pelas medidas protecionistas adotadas pelo presidente George W. Bush

"A expectativa é que o governo Bush se afine mais com a América Latina e a política seja menos unilateralista", declarou Serra.

RESPOSTA - Lula disse também no Agrishow, em Ribeirão Preto, que a sua proposta de ampliação do mercado interno não exclui a possibilidade de o País exportar, ao contrário do que interpretou o candidato do PSDB, em crítica formulada anteontem. "O Serra é uma pessoa inteligente e pela formação acadêmica que tem certamente comprendeu o que eu quis dizer, mas infelizmente em politica há pessoas que ficam menores do que são", rebateu Lula.

O petista reiterou sua tese de que o Brasil precisa cuidar do mercado interno, "para aumentar a produção e com isso gerar emprego e renda para os 400 mil brasileiros que passam fome, mas isso não significa deixar de exportar". Em seguida, argumentou com o exemplo do suco de laranja, afirmando que, se cada brasileiro tomasse um copo por dia, a produção do Brasil nessa área dobraria.


Empresário nega fraude na Sudam
CUIABÁ - O empresário José Osmar Borges, acusado de desviar mais de R$ 230 milhões da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), prestou depoimento ontem na Justiça Federal de Mato Grosso, atendendo à carta precatória da Justiça de Tocantins. José Osmar Borges e outras quarenta pessoas são acusadas de fazer parte de um esquema que fraudou que envolve o desvio de R$ 1,5 bilhão.

O empresário e o ex-senador paraense Jader Barbalho, respondem a processos por formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Em seu depoimento de ontem à Justiça Federal, Osmar Borges negou todas as acusações de desvio de dinheiro da Sudam em seus projetos.

Alegou que o Ministério Público Federal não apresentou até o momento nenhuma prova contra ele. Contudo, investigadores do MPF e da Polícia Federal descobriram, no ano passado, cerca de 240 telefonemas que podem comprovar a ligação de Jader Barbalho com o empresário José Osmar Borges, acusado de serum dos maiores fraudadores de projetos da Sudam.


TSE suspende pena de ex-governador
BRASÍLIA - O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque (PT) teve ontem suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pena de realizar por três meses serviços comunitários, por ter supostamente desobedecido ordem judicial que determinava a retirada de cartazes com publicidade durante sua campanha à reeleição, em 1998. A decisão vale até o julgamento do mérito pelo tribunal de dois recursos apresentados pela defesa de Buarque, pedindo a revogação de sua condenação por desobediência a ordem judicial. A denúncia contra o petista foi feita pelo Ministério Público Eleitoral. A relatora do caso, ministra Ellen Gracie Northfleet, manteve seu voto, mas os outros cinco ministros (Sálvio de Figueiredo, Sepúlveda Pertence, Barros Monteiro, Carlos Madeira e Fernando Neves) votaram a favor.


José Dirceu nega contato com PPS
Presidente do PT diz que não está negociando aliança eleitoral com Ciro Gomes

SÃO PAULO - O presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu (SP), declarou, ontem, que não houve nenhum contato entre petistas e integrantes do PPS para negociar uma aliança na disputa pela Presidência da República.

"Quero fazer uma declaração pública que não é fato e desautorizo qualquer pessoa que tenha falado que o PT estaria procurando o PPS e a Frente Trabalhista (PDT e PTB). Não vamos nos imiscuir em assuntos internos do PPS e da Frente Trabalhista, até porque respeitamos a pré-candidatura de Ciro Gomes", afirmou Dirceu.

O deputado disse que conversou com o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), e com o deputado federal João Herrmann (SP), líder do partido na Câmara, para negar que o PT tenha interesse em interferir nas negociações entre PTB, PDT e PPS, para compor uma coligação ampla de esquerda.

"Quem quiser discutir alianças (com o PT) no primeiro turno pode, mas tem de partir do partido interessado, não partirá de nós. No segundo turno, sim, é outra história", acrescentou.Ele também disse respeitar a pré-candidatura de Anthony Garotinho (PSB) à Presidência.

Sobre as declarações feitas quinta-feira pelo presidente do PL, deputado federal Valdemar da Costa Neto (SP), de que iria apoiar Lula "de qualquer jeito", Dirceu afirmou que a decisão sobre aliança tem que partir do PL. "O que se tem é a declaração do presidente do PL. Mas é o PL quem decide, portanto, qualquer sinal tem que partir deles", insistiu. "O PT sempre foi a favor de uma aliança de todos os partidos de oposição ao Governo federal".


Artigos

(Des) humana violência
Amparo Caridade

Incontáveis são as manchetes de jornais, revistas e TV que estampam o panorama violento do Brasil e do Mundo. A questão que isto suscita é, o que o homem está fazendo à sua Humanidade? A violência começa na infância, e vem se mostrando incompreensível nas escolas. Isso nos faz pensar como terá se construído esse limite tão frágil, em que nossos jovens não toleram mais nenhum tipo de limite, confronto ou recusa, tendo que revidar de forma criminosa à mínima contestação. Que narcisismo monstruoso é esse que tem levado adolescentes a fazer massacres que dizimam colegas inocentes? Que ânsia é essa de aparecer e tornar-se notável mesmo que seja pelo crime? Em que escolas da vida eles estão aprendendo esse modo de estar no mundo? Os reality shows que batem recordes de audiência, não estarão nutrindo essa sede de tornar-se famoso de modo banal? E a sociedade, terá algum projeto de desenvolvimento humano para os cidadãos, que lhes possibilite uma construção pessoal pautada em maior dignidade?

A sociedade, a família, os adultos compõem o grande espelho onde os jovens refletem suas condutas. A violência na juventude é apenas um reflexo da violência social, somado à força das pulsões adolescentes e ao vazio de valores que desnutre a dimensão humana em nós. Nessa cultura narcisista pobre de apreciações valorativas, a mínima afronta aciona no outro, o dispositivo da violência, fazendo-o agir como um ser irracional. A banalização tem acometido a vida, a sociedade, as pessoas, ao ponto do impulso imediato tornar-se mais forte que o valor da vida. Mata-se e morre por causa nenhuma. A lei vai perdendo sua força impeditiva e preventiva ante esse sentimento global de derrota do sujeito, de banalização de si, da vida, do outro, do bem e do mal.

Nada disso é completamente novo. No começo era a violência. Está lá na Bíblia, no Antigo Testamento, Caim mata seu irmão Abel por ciúme, inveja. Está no Novo Testamento, na morte e crucificação de Cristo, que foi um mensageiro da paz. Está na psicanálise, que identifica nos primeiros meses de vida do bebê, pulsões destrutivas intensas e perturbadoras. Está na origem da cultura, que iniciou por um ato de parricídio, onde os filhos mataram o pai para ter direitos que ele usurpava. Está na história sangrenta de Grécia e Roma que foram os berços de nossa civilização. Está na ação de nossos colonizadores que dizimaram tribos indígenas e escravizaram nossos negros. Deve c onstar em muitos outros livros que falam do ser humano e dos seus feitos. Que não tenhamos dúvida, há no ser humano um sabor agressivo que dele teremos de dar conta se quisermos redimensionar a vida e o social por caminhos mais dignos e humanos. Se não cuidarmos de estancar o projeto violento do modo de viver, que se instalou, o futuro da Humanidade se fragilizará sob nossos olhares inertes.
É sempre possível imaginar o que fazer. Talvez devêssemos cuidar de uma literatura menos sádica, de filmes menos beligerantes, de canais de TV mais respeitosos dos valores humanos e culturais. Talvez devêssemos inventar outros fascínios que seduzam olhares em direções mais construtivas. Talvez pudéssemos ressignificar a vida, o outro, o bem e o mal. A Humanidade é aprendida, a (des)humanidade também. A paz é possível se investirmos na construção de um clima de confiança uns nos outros. “A violência cessa quando aparece o diálogo” diz Chesnais. O “primata agressivo” que existe em nós traz em si a potencialidade do humano sensível, capaz de transformar a mais turva realidade. Precisamos urgentemente, de projetos que humanizem o homem.


Colunistas

DIÁRIO POLÍTICO – Divane Carvalho

Samba do crioulo doido
O PMDB de Jarbas Vasconcelos não é mais o mesmo. Ou anda mal do bolso e não contratou um marqueteiro para fazer o filme veiculado sexta-feira à noite, na TV. Uma viagem de 20 minutos. Além da apresentadora ter a voz parecida com a de Roseana Sarney (PFL-MA), o roteiro podia se chamar Samba do crioulo doido, não fosse uma ofensa a Stanislau Ponte Preta comparar tão criativa expressão ao que se assistiu na mensagem peemedebista. De tudo passou na telinha mas exatamente o que se quis dizer, ninguém sabe. Quando a música, um forró estilizado, dizia que o brasileiro merecia uma vida melhor, aparecia um surfista. Isso mesmo, um garotão enfrentando as ondas, depois uma estrada, uma ave da família da cegonha e por fim uma criança correndo para a mãe. Na hora de falar da coragem do PMDB, a ditadura militar foi lembrada com imagens da polícia reprimindo manifestantes, quase 23 anos depois anistia. E fotos daquele período foram queimadas na chama de uma vela, uma coisa sem pé nem cabeça. Nesseembalo, a crise da Argentina ganhou destaque, com o locutor dizendo " não queremos que isso aconteça no Brasil" e aí apareceram Michel Temer e Ramez Tebet falando textos que não tinham relação com o VT. Em meio a cortes e vinhetas, a apresentadora mostrou num mapa do Brasil os locais onde o PMDB é governo. Como o filme tinha uma velocidade maior, a moça rebolava tanto que lembrava as Sheilas, do Tchan. Enfim, uma aula de amadorismo que serve para ensinar como não se deve estragar o horário gratuito da TV. Com José Serra (PSDB-SP) patinando nas pesquisas, o PMDB poderia ter utilizado esse tempo para ajudá-lo. Afinal, o partido indicou na mesma noite o deputado Henrique Alves (RN) para vice do presidenciável tucano.

O presidente do TRF- 5º Região, Geraldo Apoliano, recebe a Medalha do Mérito Guararapes, hoje, às 9h, na Praça Nossa Senhora do Rosário em Jaboatão dos Guararapes. Nas comemorações dos 409 anos de emancipação política do município, presididas pelo prefeito Fernando Rodovalho

Posse
Os novos desembargadores Milson José Neves, Magui Lins Azevedo e Frederico Ricardo de Almeida Neves serão empossados, segunda-feira, pelo presidente do TJP, José Napoleão Tavares de Oliveira. Às 10h, no Palácio da Justiça.

Entrevista
Joaquim Francisco (PFL-PE) é o entrevistado de Fátima Bahia, hoje, às 18h30 no Boa Tarde da TV Universitária. O inusitado da entrevista é que ela foi gravada no salão de Edelson Barbosa, na Torre.

Vice
O vice de Humberto Costa (PT) só vai ser escolhido no final desse mês. Até lá, o candidato petista ao Governo do Estado aguarda as definições do quadro nacional na corrida presidencial.

Seminário
Geraldo Neves fala sobre Direito eleitoral: o permitido e o proibido nas campanhas eleitorais, no Seminário de Marketing Político e Gestão de Campanhas Eleitorais que se realiza dias 15 e 16 no Imperial Suítes, em Boa Viagem. Promovido pelo Centro de Aperfeiçoamento em Propaganda e Marketing (Cenape).

Jogos
O comentário publicado aqui, ontem, sobre a invasão da cidade por casas de jogos de azar, fez o desembargador Bartolomeu Bueno, do TJOP, enviar uma decisão interlocutória sobre o tema onde ele diz que aquela atividade "deve ser reprimida vigorosamente pelo Estado".

Omissão
O pessoal do Hospital Infantil acusa a Secretaria de Saúde de omissão por não credenciá-lo no serviço com a máquina de Litopripsia, equipamento que promove a quebra dos cálculos renais, um tratamento rápido onde os pacientes não precisam ser internados. Ao contrário das cirurgias dessa especialidade.

Reviravolta
Cautela de caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Por isso, Mendonça Filho continua visitando suas bases no Interior e se alguma reviravolta no quadro político impedir que ele seja novamente vice na chapa de Jarbas Vasconcelos, ele poderá disputar uma vaga na Câmara Federal sem problemas.


Editorial

PRÁTICA CORRIQUEIRA

A descoberta de um arsenal de equipamentos de tortura numa unidade da Febem, em São Paulo, chocou os brasileiros que viram as imagens exibidas no início da semana pela televisão. O uso de correntes, cassetetes de ferro, fios de cobre e pedaços de madeira na punição de menores infratores agride os direitos humanos e afronta a Constituição. Os casos de desrespeito à integridade física de pessoas sob a responsabilidade do Estado são freqüentes no Brasil e mancham a reputação do País no Exterior.

O artigo 5º da Constituição de 1988 incluiu a tortura entre os crimes inafiançáveis e sem direito a anistia, no mesmo nível que o tráfico de drogas e o terrorismo, e faz parte do capítulo dos direitos e deveres individuais e coletivos. O rigor dispensado pelos constituintes ao assunto dá uma medida da importância conferida à tortura pela legislação nacional.

O caso revelado pelo Ministério Público de São Paulo apresenta gravidade ainda maior por não se tratar de criminosos comuns, mas sim, de menores recolhidos para serem reeducados. Esse é o espírito do Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em 1990 e considerado um exemplo mundial no tratamento de jovens infratores.

O relator especial da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, Nigel Rodley, visitou presídios de seis estados há dois anos e listou 349 casos de tortura. A acusação levou a Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça a reconhecer os maus-tratos praticados em cadeias brasileiras.

Outro mau exemplo foi revelado em 11 de janeiro, quando a procuradora dos Direitos do Cidadão, Maria Eliane de Farias, denunciou a prática de tortura contra os assassinos do navegador neozelandês Peter Blake, morto em dezembro dentro de um barco. Médicos legistas apresentaram laudos demonstrando que os cinco criminosos, ladrões que atuavam como piratas nas águas do rio Amazonas, sofreram escoriações dentro da prisão mesmo depois de confessar a participação no assassinato.

Relatórios produzidos nos últimos quatro anos pela Anistia Internacional afirmam que, no Brasil, a tortura é prática corriqueira nas investigações policiais. O documento aponta a falta de punição dos culpados como uma das causas da perpetuação do método criminoso. Os torturadores dificilmente são punidos porque quase sempre são enquadrados como autores de lesão corporal, infração mais leve que prevê penas de cinco meses a dois anos de prisão. Na hipótese de serem condenados por tortura, poderiam pegar até 27 anos de reclusão.

A última iniciativa do Governo para coibir os maus-tratos em presídios e unidades de internação de me nores infratores foi a criação de um disque-denúncia para encorajar e estimular os cidadãos a denunciarem o uso de violência por parte de representantes do Estado. Os instrumentos usados para suplício encontrados na Febem paulista são uma prova de que as medidas oficiais até hoje adotadas para combater a prática de tortura têm obtido poucos resultados.


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05/04/2002


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