BEZERRA TEME QUE CASO DAS FITAS POSSA FREAR DESENVOLVIMENTO
Preocupado com as conseqüências do episódio da escuta telefônica envolvendo o presidente da República, acusado de ter favorecido um dos consórcios nas licitações do setor de telefonia, o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), líder do governo no Senado, disse nesta terça-feira (dia 25) temer que se instale no setor produtivo nacional o receio de que a crise econômica retorne, impedindo a retomada do crescimento. - Não posso deixar de registrar o sentimento dos empresários, que temem a incerteza, a instabilidade e o adiamento do futuro, com o aumento das desigualdades sociais que só serão superadas pelo desenvolvimento econômico - afirmou.Fernando Bezerra ressaltou que a reportagem publicada nesta terça-feira (dia 25) pelo jornal Folha de S. Paulo não traz qualquer elemento novo e apenas comprova, no seu entendimento, que o presidente Fernando Henrique Cardoso temia que o setor de telefonia fosse entregue a empresas não qualificadas.- Não há qualquer novidade na reportagem e também não há qualquer envolvimento do presidente em ato ilegal. O que o presidente fez foi na preocupação de que empresas sem qualificação viessem a operar no setor de telefonia - salientou.Em aparte, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) concordou com Fernando Bezerra. Segundo o líder do PMDB, a reportagem da Folha de S. Paulo demonstra a preocupação do presidente com a qualificação dos grupos que participariam do leilão das teles. "O presidente só colaborou para que se evitasse um risco que teria conseqüências drásticas", afirmou.A mesma posição foi demonstrada pelo líder do PFL, senador Hugo Napoleão (PI). "A quem interessa um movimento dessa natureza, no momento em que a economia se recupera e o país retoma o seu ritmo de crescimento?", perguntou o senador, referindo-se às denúncias do jornal paulista.O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) refutou a argumentação de que as investigações sobre participação do presidente no leilão das teles trariam prejuízos ao país. "Houve momentos difíceis no Brasil em que setores de oposição criticavam os atos do governo e, por isso, eram acusados de antipatriotas. É sempre a hora para o Congresso Nacional exercer na plenitude as suas prerrogativas", observou.
25/05/1999
Agência Senado
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