BR 101









BR 101
Auditoria do Tribunal de Contas da União sobre o trecho gaúcho do Corredor do Mercosul (BR 101, de Osório à divisa com SC) constatou que foram sanadas as irregularidades encontradas antes na execução do orçamento e que as obras podem ser realizadas sem prejuízo aos cofres públicos.


Bernardi elogia cartilha eleitoral
Em visita ao arcebispo dom Dadeus Grings, na Cúria Metropolitana, o candidato do PPB ao governo do Estado, Celso Bernardi, disse ontem que vê coincidências entre o seu partido e a doutrina social cristã. Citou como exemplos a política com a finalidade de realizar o bem comum, a crença na solidariedade e a defesa do Estado com o tamanho necessário. Bernardi elogiou a cartilha eleitoral de dom Dadeus. Segundo o arcebispo, o documento, por não assumir lado político e se ater a questões doutrinárias, serve de orientação para todas as correntes. 'A Igreja não tem partido, mas sabe a importância da política. A cartilha foi lançada num ano eleitoral exatamente para valorizar a prática da política que prioriza os valores positivos do ser humano', afirmou.

Bernardi, que estava acompanhado do candidato ao Senado Hugo Mardini, entregou ao arcebispo documento com as diretrizes do seu programa de governo. Em retribuição, dom Dadeus passou ao candidato o livro 'Solidarismo: a sociedade do futuro', escrito por ele em 1978 e que aborda a decadência do socialismo. O arcebispo anunciou que até o fim do ano lançará nova cartilha sobre a questão agrária.


Tarso ouve agentes da Polícia
O candidato ao governo Tarso Genro, do PT, disse ontem que a corrupção na Polícia é supervalorizada por causa da sua maior exposição à sociedade, mas que em outras instituições o número de corruptos se assemelha. Tarso esteve na sede da União Gaúcha dos Escrivães e Investigadores da Polícia Civil, em Porto Alegre, onde ouviu reivindicações dos agentes policiais. Eles pediram remuneração adequada, melhores condições de trabalho e ressaltaram que bombeiro tem de salvar vidas e não receber treinamento para policial, como acontece no atual governo.

A presidente do Sindicato dos Escrivães e Investigadores da Polícia Civil, Adélia Porto, enfatizou que os profissionais qualificados da instituição não recebem reconhecimento pelos trabalhos prestados. Tarso salientou que sempre há tensão na relação do governo com os servidores, mas ponderou que é qualificada. Ele avisou que, para a categoria obter conquistas, o tratamento deverá ser respeitável e não agressivo. À noite, o candidato esteve na Associação dos Delegados de Polícia, onde ouviu do presidente Leão de Medeiros que a categoria carece de atenção do governo e reposição salarial. Tarso prometeu completar o contingente da Polícia Civil e da Brigada Militar.


Bornhausen mobiliza PFL pró-Ciro
Designou dois parlamentares para ampliar adesão à Frente e esvaziar tendências a favor de Serra

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, assumiu o comando das articulações no partido em favor do candidato da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB) à Presidência da República, Ciro Gomes. Para essa ofensiva, Bornhausen designou o senador Geraldo Althoff, de Santa Catarina, e o deputado Roberto Brant, de Minas, que estão em campo com objetivo de ampliar a tendência pró-Ciro entre os parlamentares e esvaziar o apoio do PFL ao candidato José Serra, da coligação PSDB-PMDB.

Brant acredita que toda a base do PFL vai votar em Ciro. Enquanto o seu partido oferecerá ao candidato da Frente a estrutura política e partidária que ele não tem nos estados, os liberais ganham em troca a chance de voltar ao poder numa eventual vitória de Ciro. No caso da eleição de Serra, os líderes do PFL cogitam que o partido seria coadjuvante, pois o maior espaço no governo está reservado ao PMDB, parceiro na aliança eleitoral.

Bornhausen reúne-se hoje com Althoff para fazer levantamento das chances de o candidato da Frente Trabalhista conseguir novas adesões. A idéia é conversar com todos os parlamentares e líderes importantes do partido que não estejam satisfeitos com o desempenho de Serra e, ao mesmo tempo, tentar a aproximação deles com Ciro. 'Vamos começar a agir', disse Bornhausen ao anunciar que até terça-feira terá quadro mais definido da situação.

As negociações iniciaram ontem, quando Althoff recebeu o deputado Vilmar Rocha, do PFL de Goiás, para uma conversa. Depois de perder o apoio do PFL de Minas Gerais e da maioria do partido em Goiás, Serra desembarca hoje em Vitória, no Espírito Santo, a fim de recuperar a adesão dos liberais capixabas. Apesar do interesse do deputado José Carlos Fonseca, do PFL do Espírito Santo, de compor com Serra, o PSDB local tornou inviável a coalizão, mesmo diante dos apelos do presidente Fernando Henrique Cardoso e do candidato tucano. Em outros estados, políticos pretendem abandonar o apoio a Serra. Mesmo em São Paulo, onde o PFL participa da chapa do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, os dirigentes liberais têm identificado resistências. O Maranhão ainda está dividido, embora a ex-governadora Roseana Sarney trabalhe pela Frente Trabalhista. O PFL calcula que Ciro terá palanque do partido em pelo menos 13 estados.


Garotinho: Ciro prepara confisco
Critica proposta do candidato da Frente de alongar pagamento da dívida e declara que ele segue Collor

O candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, elegeu ontem, em Gravataí, o adversário Ciro Gomes, da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), como alvo preferencial de suas críticas. Ele acusou o ex-ministro da Fazenda de preparar confisco, comparando-o ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. Referiu-se à idéia de Ciro de alongar o pagamento da dívida. 'Ele precisa ser sincero e dizer que propõe confisco com apelido de alongamento', desafiou Garotinho. Ele tampouco poupou Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, chamando-o de 'inexperiente', e José Serra, da coligação PSDB-PMDB, ao dizer que a sua candidatura fracassou.

Sobre a proposta de Ciro de encaminhar o parlamentarismo no país, Garotinho foi taxativo: 'Ele deveria conversar antes com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, amplamente favorável ao presidencialismo'. Ainda referindo-se ao candidato da Frente Trabalhista, Garotinho disse que o seu crescimento nas pesquisas não se manterá porque os eleitores não assimilarão palanque integrado por Ciro, Brizola, o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, e o ex-senador Antônio Carlos Magalhães. 'O apoio do PFL irá prejudicá-lo porque os que apostavam em Ciro como alternativa se darão conta de que representa o conservadorismo', avaliou.

Garotinho atribuiu o mau desempenho nas pesquisas aos boatos de que desistiria da candidatura. Salientou que o estrago poderia ter sido maior e que irá reverter essa tendência. O candidato criticou ainda a falta de segurança no Rio de Janeiro, dizendo que o governo de Benedita da Silva, do PT, é 'incompetente'. Ele esteve ontem de manhã em Passo Fundo. Depois, deslocou-se para Santa Catarina e retornou ao Estado, onde participou de carreata em Gravataí.


Medina promete dar ultimato aos bandidos
O candidato ao Piratini pela coligação Rio Grande sem Medo (PL-PGT-PSD), Aroldo Medina, afirmou ontem que, se eleito, dará prazo de 30 dias para os bandidos deixarem o Estado. Disse que, após o 'aviso prévio', desencadeará operação da Brigada Militar (BM) e Polícia Civil contra a criminalidade. Segundo Medina, falta coragem aos governantes para barrar o crescimento da violência. Oficial de carreira há 17 anos, ponderou que não pode perdurar o conceito de que os bandidos são mais fortes que a Polícia. Medina propôs piso salarial de R$ 1 mil para o setor. Defendeu também parceria do governo com a Polícia e o Banrisul para po ssibilitar linhas de crédito voltadas à compra da casa própria.

Medina disse ter sofrido devido à partidarização da corporação pelo governo, ao citar que foi destituído dos cargos de professor de História da Academia de Polícia em 2000 e diretor do museu da BM. Segundo ele, isso ocorreu por ter discordado da visão ideológica imposta às aulas. Medina criticou a unificação da BM e da Polícia Civil no prédio da avenida Voluntários da Pátria. Disse que o governo quer destruir símbolos históricos para construir nova ordem no Estado.

O presidente metropolitano do PL, Valdir Caetano, que disputa o Senado, reafirmou a intenção de apoiar Anthony Garotinho, do PSB, à Presidência. Ele visitou à tarde o Correio do Povo com Medina e o seu vice, Fernando Dallé. A direção nacional liberou os gaúchos, não impondo apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tem como vice o senador liberal José Alencar. 'Por coerência, recuso-me a subir ao palanque de Alencar', disse Medina.


TRE sorteia espaços dos partidos
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE) sorteou ontem as datas e os espaços públicos a serem ocupados em Porto Alegre pelos partidos. A utilização dos pontos do Brique da Redenção começará neste domingo e irá até 29 de setembro. O juiz da 112ª Zona Eleitoral, Pedro Luiz Bossle, disse que o espaço é destinado só para partidos e coligações que tenham candidatos ao governo, das 8h às 18h, em áreas delimitadas com seis metros de frente por 11 metros de profundidade. O PPB ocupará o primeiro box, próximo ao Monumento ao Expedicionário, e o último, em direção à avenida Osvaldo Aranha, está destinado ao PSC. A Justiça Eleitoral proíbe o uso de amplificadores de som.

O aproveitamento da Esquina Democrática terá início dia 18, com alternância diária entre partidos e coligações até 3 de outubro. A Frente Trabalhista utilizará o espaço inicialmente e o PSB foi contemplado com o último dia. Bossle avisou que a distribuição de material de propaganda somente pode ser feita por pessoas identificadas. Os demais espaços da área urbana estão liberados para distribuição de material apenas no meio-fio das calçadas. Representantes de partidos na sessão de ontem solicitaram ao TRE que sorteie também a ocupação de outros espaços, como a Usina do Gasômetro e o parque Moinhos de Vento.


Dirceu tentará acalmar investidores nos EUA
O presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, deputado federal José Dirceu, irá viajar segunda-feira para os Estados Unidos. O objetivo é tentar manter aberto o diálogo com os americanos e acalmar os investidores estrangeiros. Ele participará de encontros com integrantes do mercado financeiro norte-americano, representantes dos partidos Republicano e Democrata e acadêmicos.


Empresário confirma ter pago propina em S. André
O empresário João Antônio Setti Braga confirmou ontem que a empresa Nova Santo André pagava R$ 100 mil mensais por custo extra. 'É um custo que não foi trazido pelo empresário Ronan Maria Pinto. Ele dizia que iria custar isso por mês para operarmos a empresa em paz', disse, em depoimento à CPI da Câmara de Santo André, que investiga o suposto esquema de arrecadação de propina para campanhas do PT.


Equipe de Lula vai expor incoerência
A coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, à Presidência tentará desqualificar o candidato da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), Ciro Gomes. 'Ele é um segmento do governo porque tem em sua base de apoio o PFL, que sempre votou com o presidente Fernando Henrique Cardoso', apontou ontem o deputado Ricardo Berzoini após reunião da coordenação em São Paulo. Na sua avaliação, a ligação cada vez mais forte de Ciro com o PFL nos estados enfraquece a sua condição de oposicionista. 'O candidato precisará explicar isso', sustentou o deputado. O porta-voz de Lula, André Singer, negou que haja estratégia montada para lidar com o crescimento de Ciro nas pesquisas.


FHC nega recuo sobre intervenção
A polêmica em torno da saída do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, substituído ontem numa cerimônia discreta no Palácio do Planalto, ganhou novo fôlego com a divulgação de carta pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Na nota, FHC respondeu a declarações do ex-colaborador, que o acusou de recuo sobre a intervenção federal no Espírito Santo, e disse que se sentiu traído com o pedido de demissão. Negou até que Reale tenha lhe pedido audiência para tratar do assunto. FHC também garantiu que não influenciou a decisão do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, de arquivar o pedido de intervenção, que seria enviado para deliberação do Supremo Tribunal Federal.


Frente Trabalhista define a localização do comitê
A coordenação de campanha da Frente Trabalhista (PDT-PTB-PAN) se reuniu ontem à tarde com o candidato ao governo do Estado, José Fortunati, e definiu a localização do comitê na avenida Farrapos esquina com a rua João Inácio, bairro São Geraldo. Fortunati pretende inaugurar o local na próxima semana, com a presença do candidato da Frente à Presidência da República, Ciro Gomes, e do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola.


Jobim estimula iniciativa pela moralização eleitoral
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nelson Jobim, garantiu ontem que não haverá boa vontade com os candidatos que estiverem envolvidos em casos de corrupção eleitoral comprovada. No lançamento do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília, Jobim estimulou as 30 entidades envolvidas a se integrarem com partidos para estimular denúncias de irregularidades.


Ministro da Integração é alvo de deputados tucanos
O ministro da Integração Nacional, Luciano Barbosa, está na mira de deputados do PSDB que não conseguiram liberar a tempo os recursos do orçamento para seus redutos eleitorais. Alegam discriminação e cobram do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Euclides Scalco, providências para garantir a verba após o prazo. O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que determinou liberação para todos, independentemente de partido.


PSTU e PCO apostam nos dissidentes do PT
Os candidatos à Presidência da República do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), José Maria de Almeida, e do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, acreditam que na próxima eleição irão atrair os dissidentes do PT. PSTU e PCO são formados por ex-petistas. Os dois dirigentes disseram que Luiz Inácio Lula da Silva e o seu partido se afastaram dos ideais originais.


Serra diz que fez a maior aliança
O candidato da aliança PSDB-PMDB à Presidência, José Serra, disse ontem à noite, em entrevista à Rede Globo, discordar das afirmações dos adversários de que tem imagem de quem não agrega e lembrou que é o candidato que conseguiu reunir a maior aliança para esta eleição. 'Na prática, sempre trabalhei muito para apresentar exatamente o contrário do que os adversários eleitorais dizem', garantiu.

Ao ser questionado sobre qual a sua relação com o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, Serra explicou que ele participou de sua campanha a deputado, em 1990, e o ajudou a arrecadar recursos para a disputa ao Senado. Ricardo Sérgio é acusado de cobrar propina para contribuir com a formação de consórcio no período de privatização. 'Anos depois de ter participado de campanhas minhas, quando eu sequer estava no poder Executivo, ele foi para o Banco do Brasil. Nem sei detalhes a respeito do trabalho que fez', assegurou. Segundo ele, os fatos não foram comprovados. Defendeu que haja investigação de todas as denúncias.

Serra prometeu que em seu governo lutará para aumentar oportunidades de trabalho. 'É o que a população precisa, exportando mais e desenvolvendo setores que empregam, como turismo e agricultura irrigada', afirmou. Ele elogiou o presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que no seu governo a estabilidade foi firmada. Serra disse, no entanto, que sua administração terá características próprias: 'Vamos inaugurar uma nova etapa'.

O candidato tucano também garantiu que vai 'pisar no acelerador', reduzindo os juros e criando condições para que as oportunidades no Brasil sejam para todos. Ele admitiu que o real passa por turbulências. Porém, para ele, a crise é apenas conjuntural e passageira.


Artigos

Pastoreio de lobos
Percival Puggina

Há mais de dez anos venho apontando os desvios de conduta do MST. Não era preciso muito discernimento para identificar que aquela matriz ideológica, o comando político a que se submetia, o tipo de organização adotada, o conteúdo de seus documentos, os contatos externos e os modelos seguidos eram nitidamente insurrecionais.

Não deu outra. Ao longo desse tempo, fui empilhando cartas, manifestações de protesto e contestações, inclusive de religiosos e de leigos, católicos como eu, que me acusavam de uma atitude insensível e fantasiosa. Como era possível assumir posição contrária a quem cumpria a evangélica missão de zelar pelos excluídos e carentes? Nunca me pareceu que fosse esse o intuito das lideranças do MST e jamais me pareceu sincera nem muito piedosa sua conduta. Ódio aos ricos é coisa que nada tem a ver com efetivo amor aos pobres. E quem cobiça as coisas alheias, ou as furta, agride 20% dos mandamentos da lei de Deus.

Num dos assentamentos do MST no município de Jóia, em setembro do ano passado, o ocupante de um dos lotes foi brutalmente assassinado por membros do movimento do qual dissentia. O chocante crime, que se deu em presença do filho e da esposa da vítima, teve forte repercussão na imprensa estadual e nacional. Ponto final? Não. O drama se prolonga, distante dos noticiários, nas pessoas da viúva e do órfão. A casinha onde moravam com o chefe da família - com o respectivo lote e o que nele havia - foi ocupada por outros moradores do assentamento. Além da viuvez e da orfandade, perderam todo o pouco que tinham.

Ponto final? Não. A família sofre e espera. Espera o julgamento dos assassinos e espera que o Incra decida sobre o esbulho de seus bens. E a sociedade espera resposta a estas perguntas: 1a) Que movimento social zeloso pelos carentes é esse, de cujo interior surge um grupo de assassinos e executa um chefe de família? 2a) Onde estão os líderes espirituais dessa gente, que deixam totalmente desassistidos uma viúva e seu filho? Exóticos pastores, que pastoreiam os lobos e abandonam as ovelhas.


Colunistas

PANORAMA POLÍTICO - A. Burd

DIZ-QUE-DIZ
1) Durante as negociações para formação da Frente Trabalhista, Leonel Brizola pediu que o único palanque de Ciro Gomes no Rio Grande do Sul fosse o de José Fortunati. Testemunhas do PDT afirmam que este acordo chegou a ser firmado verbalmente. No papel, nada. O PPS rejeita a hipótese e seus líderes se irritam com o assunto. Quer dizer, onde há fumaça há fogo.

2) Ciro Gomes ligou para vários de seus aliados em Porto Alegre ontem. Não escondeu a euforia com resultado da pesquisa que o fez ultrapassar José Serra. Está, porém, longe de qualquer loja onde poderia calçar salto alto.

3) O cenário para os debates entre os candidatos à Presidência da República não poderia estar melhor preparado. Já saem as faíscas pelo nariz.

VELHA CANCHA
O PSDB menosprezou o PFL e agora corre atrás. Os liberais se jogam com todas as forças para esmagar José Serra e se credenciam para voltar ao poder na hipótese de que Ciro Gomes seja o vencedor.

MUDOU
Anthony Garotinho, na rápida visita a Gravataí, ontem, estava mal-humorado. Longe do candidato sorridente e afável. Efeito das pesquisas que não confirmam a ascensão inicial. Falta paciência e fôlego.

PARA PÔR EM DIA
O secretário da Fazenda, Arno Augustin, reuniu-se ontem com o presidente da Famurs, Paulo Ziulkoski, para negociar a dívida de R$ 56 milhões do salário-educação com os municípios, acumulada desde setembro do ano passado. O atraso nos repasses da saúde atingem R$ 49,5 milhões. A proposta do governo já foi para o papel, mas a Famurs exige ajustes, como a regularidade das verbas para o transporte escolar.

PREVENÇÃO
Quando for concluído e assinado o protocolo sobre repasse de verbas da Secretaria da Fazenda aos municípios, a Famurs vai apresentá-lo aos candidatos que chegarem ao 2º turno da eleição ao governo do Estado. Estão certos ao não querer que o documento valha só na atual gestão.

UM, DOIS
1) Em entrevista à Globo, Garotinho anunciou 3a-feira que entregaria fitas gravadas sobre denúncias de suborno. Ontem, em Gravataí, voltou atrás; 2) Serra disse que problema do Brasil não é dívida, mas dúvida pública. Rimou e nada mais.

SALTO
Uma das reclamações mais constantes dos ouvintes que telefonam para o programa Espaço Aberto, da Rádio Guaíba: brutal salto no preço do botijão de gás. Estourou depois que acabou o subsídio do governo.

DIFERENÇA
Os candidatos ao governo e Senado, no RS, registraram que as despesas com as campanhas não passarão de R$ 25 milhões. No Paraná, só para o governo, declararam que chegarão a R$ 33 milhões.

FORA DE TEMPO
O ministro Pedro Malan critica os EUA. Agora? Mais parece uma mãozinha para mudar perfil de José Serra, de quem nunca foi grande amigo, mas com o qual navega no mesmo barco por mares bravios.

CORTE DISCUTIDO
Em torno de cem residências do Chapéu do Sol, na zona Sul de Porto Alegre, tiveram a água cortada por falta de pagamento ao Dmae. Os atingidos entram hoje na Justiça pedindo religação. O vereador Sebastião Melo, que defende a tese de que não pode haver corte, já obteve várias decisões favoráveis de juízes.

APARTES
Maioria dos candidatos às proporcionais reclama: caixa raspado.

No momento, o placar eleitoral é este: todos os adversários contra Ciro.

PT e PC do B do Pará não pouparam elogios para Paulo de Tarso Ribeiro, novo ministro da Justiça.

Rita Camata estará no final da tarde de amanhã em Caxias do Sul para reforçar a campanha de Rigotto.

Vitória Nebel por e-mail: 'Com os últimos episódios no ministério, será que FHC já caiu na 'reale'?'.

Uelton Fernandes assume o escritório de representação do RS em Brasília. Substitui José Pinto, que concorre como suplente de Paim ao Senado.

PL ignora PT no Rio e apóia Rosinha Matheus, do PSB, ao governo.

Flávio Alcaraz Gomes Repórter, às 7h30min de hoje, na Rádio Guaíba.

Deu no jornal: 'Brasil critica a demora do FMI em ajudar a Argentina'. Amigo é para essas coisas.

Outra: 'Receber FGTS vira gincana'. No final, um prêmio garantido.


Editorial

CRESCIMENTO DO BRASIL EM 2002

Segundo o Banco Internacional de Pagamentos, considerado o banco central dos bancos centrais, o PIB brasileiro deverá crescer 2,1% em 2002. A conclusão faz parte do relatório anual do BIS sobre a situação da economia mundial, divulgado em Basiléia, Suíça. O resultado previsto para o Brasil é superior ao alcançado no ano passado, quando o país cresceu apenas 1,5%. A análise reconhece que o Brasil continua exposto à volatilidade internacional, o que se deve à permanente necessidade de capital externo. Faz o BIS, também, interessantes considerações, em seu relatório, sobre a repercussão da crise argentina no Brasil, reconhecendo, embora não descarte totalmente a possibilidade de complicações, que não se registrou um contágio importante da situação do parceiro no Mercosul.

Ao contrário do que se tem ouvido repetir com freqüência, de que o fator político tem sido a causa de desconfiança dos investidores em relação ao resultado eleitoral, o Banco Internacional de Pagamentos afirma que o Brasil, em relação à retração de aplicações internacionais, é o que menos tem sido afetado na América Latina. Em 2001, lembra a análise do BIS, enquanto os demais países da América Latina registraram saída de capital, os investimentos, ainda que em menor escala em comparação com o ano anterior, continuaram entrando no país. Outra conclusão do relatório divulgado em Basiléia e que merece especial atenção é a de previsão de retomada do comércio mundial e de repercussão da economia norte-americana e de um aumento nos preços das commodities, fatores importantes para o desenvolvimento da economia brasileira.

Ao registrarmos neste espaço editorial os dados divulgados pelo Banco Internacional de Pagamentos relativos ao Brasil, o fazemos com o propósito de oferecer aos nossos leitores uma visão, se não de natureza totalmente otimista, pelo menos bem menos pessimista sobre as perspectivas da economia brasileira das muitas análises que sobre nosso país têm sido feitas, aqui e no exterior. Não se pode esquecer que o BIS, justamente por ser considerado o banco central dos bancos centrais, conta com todas as condições para realizar previsões sobre as economias das diferentes regiões geográficas e de seus países integrantes.


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07/11/2002


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