Brasil já espera até US$ 10 bi do FMI
- Brasil já espera até US$ 10 bi do FMI
- A equipe econômica do Governo já trabalha com a perspectiva de fechar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional. A intenção é obter um empréstimo entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões num novo pacote (ou uma prorrogação do atual), com prazo de seis a 12 meses.
A negociação poderia incluir nova redução no piso de US$ 15 bilhões das reservas internacionais líquidas - que não incluem os recursos vindos do FMI. É dessa fonte que o Banco Central retira os dólares para intervir no mercado de câmbio. Hoje, as reservas estão próximas de US$ 27 bilhões.
Ontem o ministro Pedro Malan (Fazenda) falhou em tentativa de acalmar o mercado ao conceder entrevista para informar que as negociações do Brasil com organismos multilaterais foram intensificadas.
Apesar das expectativas, ele não anunciou nenhuma medida e evitou detalhar o que chamou de "processo em curso".
Ante a indefinição, o mercado seguiu nervoso. O dólar subiu 0,67% e fechou a R$ 3,015, maior cotação no real, com valorização de 5,1% só nesta semana. O risco-país também teve novo recorde, de 1.991 pontos (alta de 7,7%). A Bovespa recuou 4,64%. (pág. 1 e cad. Dinheiro)
- (Washington) - Após criar e difundir a hipótese de um "acordo de transição" entre o FMI, os presidenciáveis e o Governo brasileiro, o presidente do BC, Armínio Fraga, mudou seu objetivo.
Pressionando pela queda do real e pelo cenário externo crítico, Fraga procura agora mais dinheiro para garantir o fim da gestão FHC. Quanto mais perto das eleições, menos disposto ficará o FMI a elevar desembolsos para um governo em final de mandato. (pág. 1 e B4)
- Os dois principais candidatos de oposição à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS), rejeitaram a proposta de firmar compromissos com o FMI para a assinatura - antes do resultados das eleições - de um acordo de transição do atual governo.
"Acharia prudente a diretora do FMI não dar palpite sobre a política interna brasileira", disse o petista. Ciro afirmou que não assumirá compromisso com "políticas equivocadas".
O governista José Serra (PSDB) aprovou a "extensão" do acordo. (pág. 1, A4 e A5)
- Fernando Henrique Cardoso disse não achar preciso um novo acordo com o FMI e que isso dependerá do mercado. Para ele, os mercados "parecem não ter entendido que os fundamentos da economia do País são os melhores possíveis" e fazem uma aposta equivocada.
FHC disse que, em dez anos no Governo (dois na Fazenda), não fez outra coisa "senão seguir na tarefa de reconstruir o Estado, honrar os contratos e fazer o máximo esforço de, com o ajuste fiscal, manter viva a política social" e que o dólar sobe por especulação. (pág. 1 e B5)
- Pesquisa encomendada pela rede de TV NBC e pelo diário "The Wall Street Journal" revelou que a situação da economia já preocupa mais os norte-americanos que a possibilidade de um novo atentado. Para 59%, a preocupação vem dos mercados, enquanto 51% temem o terrorismo. A pergunta permitia respostas múltiplas.
Dos aflitos pela situação econômica, 31% se preocupam com fraudes contábeis, e 28%, com a queda nas ações. (pág. 1 e B6)
- Os partidos do Congresso norte-americano chegaram a um acordo para aprovar o "fast track", mecanismo que impede o Legislativo de alterar acordos comerciais firmados pelo presidente e permite só a aprovação ou rejeição integral.
Com isso, o Executivo tem mais liberdade para negociar os acordos, sem que seus parceiros temam que o texto final seja alterado pelo Congresso.
No entanto esse "fast track" (via rápida) ainda impõe uma série de limitações, como comissões do Congresso para seguir as negociações. (pág. 1 e B11)
- O economista Rudiger Dornbusch, autor de previsões polêmicas sobre a América Latina durante a década de 90, morreu anteontem nos EUA, de câncer, aos 60.
Nascido na Alemanha e naturalizado americano, Dornbusch era professor do MIT. (pág. 1 e B7)
Colunistas
PAINEL
Com a campanha em crise, Anthony Garotinho (PSB) enviou dois emissários dias atrás para falar com Paulo Maluf (PPB). Queria o apoio do pepebista à sua candidatura presidencial em São Paulo.
Editorial
ABSURDOS DA CRISE
No cenário político e econômico atual, os paradoxos surgem sem parar. O mais recente é o do papel do FMI na crise brasileira.
Normalmente, a ajuda do Fundo é vista como essencial para evitar a piora das crises financeiras. Nos últimos anos, essa idéia foi várias vezes desmentida pela realidade.
Países que recorreram ao Fundo mergulharam em crises ainda mais profundas (caso da Indonésia e da Coréia do Sul em 1997) ou viram suas políticas naufragar logo após concluir acordos com o FMI (como ocorreu no colapso do regime cambial brasileiro em 1999).
O "nonsense" atinge agora novo patamar. Primeiro, a Argentina submergiu na mais grave crise econômica, social e política de sua história, sem que o Fundo ou o governo dos EUA agissem a ponto de evitar o pior. O apoio que veio até agora foi marginal e a crise do peso só piora.
O Brasil segue esse roteiro, com uma agravante. Mais que apoio do FMI ao Brasil, busca-se um acordo no Brasil de apoio à receita do FMI. (...) (pág. A2)
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07/27/2002
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