Brasil participa da COP 16 em posição de liderança, diz governo



O Brasil deverá participar da Convenção de Mudanças Climáticas (COP 16), entre os dias 29 de novembro a 10 de dezembro, em Cancun, no México, numa confortável posição de liderança, com o compromisso de cobrar um engajamento maior dos demais países participantes, principalmente os desenvolvidos, com a redução das emissões de gases de efeito estufa.

VEJA MAIS

Essa é a opinião dos três especialistas do governo que participaram, nesta quinta-feira (25), de audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). No debate, eles analisaram os novos compromissos que serão assumidos pelo governo brasileiro durante a COP 16 e o alcance das metas assumidas na conferência realizada no ano passado, em Copenhague.

O embaixador extraordinário do Brasil para a Mudança do Clima, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Sérgio Barbosa Serra, lembrou que o Brasil está sendo respeitado internacionalmente por ter se comprometido com uma meta de redução de emissões de gases de efeito estufa acima dos 30% recomendados para os países em desenvolvimento.Explicou ainda que, apesar de a meta para os países desenvolvidos ter sido estipulada entre 25% a 40%, com relação a 1990, dificilmente será fechado um acordo nesse sentido no encontro em Cancun. Isso porque os Estados Unidos não conseguiram aprovar no Congresso americano projeto sobre a redução dos gases.

- Isso puxa os demais países desenvolvidos para baixo - avaliou o representante do Itamaraty.

Para o embaixador Sérgio Serra, já seria um resultado bastante positivo se, na COP 16, ficasse acertado que haverá novo compromisso para a redução dos gases que agravam o aquecimento global, em sequência ao Protocolo de Kyoto, que se encerra em 2012.

Na área financeira, segundo Sérgio Serra, as perspectivas são melhores, sobretudo em relação à aprovação de um financiamento de US$ 30 bilhões, em três anos, para os países mais vulneráveis ao efeito estufa.

- Nossa posição será a de procurar garantir essas coisas: que saia o financiamento no curto prazo e que haja a indicação concreta da continuidade do Protocolo de Kyoto em relação a um segundo período de compromissos - observou o representante do Itamaraty.

Outro objetivo da audiência, solicitada pela senadora Marina Silva (PV-AC), foi debater a regulamentação da Lei 12.187/09, que instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Por essa norma, o Brasil ratificou o compromisso voluntário assumido no COP 15, de reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020.

Transparência

Na opinião da secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Branca Americano, é importante que o Brasil ratifique, na COP 16, sua intenção de implantar os compromissos assumidos em Copenhague. Ela defendeu que se dê transparência a todas as medidas tomadas pelo Brasil com relação à redução dos gases do efeito estufa em áreas como energia e agricultura, e, principalmente, sobre a redução do desmatamento, segundo ela, "o calcanhar de Aquiles" brasileiro.

- Temos as nossas ações listadas e quantificadas e a nossa disposição de dar transparência a essas ações. Isso é o que internacionalmente está se exigindo dos países em desenvolvimento - garantiu Branca.

Lei

Já o subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil da Presidência da República, Johaness Eck, destacou a importância da regulamentação da Lei 12.187/09. Desde que o Brasil instituiu a norma, em dezembro do ano passado, a Casa Civil tem, segundo Eck, trabalhado nos projetos necessários para que o Brasil cumpra os compromissos assumidos em Copenhague.

- Basicamente, nós trabalhamos em cinco planos: prevenção e controle do desmatamento na Amazônia Legal, prevenção e controle do desmatamento e de queimadas no Cerrado, o plano de energia, agropecuária e siderurgia - explicou o representante da Casa Civil.

25/11/2010

Agência Senado


Artigos Relacionados


Presidente do Benin pede que Dilma assuma posição de liderança no Brics para ajudar a África

Cristovam lamenta posição do Brasil no IDH e critica governo por não assumir 'tragédia' na educação

HELOÍSA HELENA PARTICIPA DE REUNIÃO NA LIDERANÇA DO PT

Governo federal participa da Feira ONG Brasil 2013

Brasil participa de reuniões da Parceria para Governo Aberto

Governo do Estado participa do 4º Salão e Seminário Qualidade Brasil