Brasil sofre com diversas "epidemias", alerta Cristovam



Ao comentar a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que o Brasil sofre com várias outras "epidemias". Ele citou como exemplo dessas outras epidemias brasileiras o tráfego nas grandes cidades, a violência, a desigualdade social, a falta de credibilidade dos políticos, o tráfico de drogas, a corrupção e a má qualidade da educação, entre outras. O senador lamentou que poucas pessoas estejam pensando na resolução desses problemas atualmente no Brasil.

Cristovam disse que na própria área da saúde existem outras epidemias que afligem ou podem vir a afligir o país, como a tuberculose e a febre amarela.

- E a violência? Alguém de fato, tomou uma decisão para dizer que, dentro de tantos anos ou décadas, este país será pacífico? Não. Nós continuamos caminhando para a violência como caminhamos para a dengue - afirmou.

O senador enfatizou que considera uma questão de tempo a paralisação de várias cidades brasileiras pelo número excessivo de automóveis, como São Paulo e até mesmo Brasília.

- E a desigualdade? Alguém tem dúvida de que um país com a desigualdade brasileira vai terminar numa tragédia social? Vai terminar ou já estamos vivendo? A gente perdeu a capacidade de ver a realidade social brasileira - disse Cristovam.

Para ele, programas como o Bolsa-Família pouco contribuem para diminuir a desigualdade no país. Essa desigualdade só poderá desaparecer, acrescentou, quando a educação for valorizada e as "escolas forem iguais para todos".

Diante de todos esses problemas a própria democracia corre perigo, avaliou Cristovam. Pois, acredita o senador, a confiança da população na política vem diminuindo. Ele citou recentes pesquisas que mostram a pequena credibilidade dos partidos políticos e do Congresso Nacional junto à população. Para essa desmoralização do Legislativo, opinou Cristovam, contribuem o excesso de medidas provisórias e as "medidas judiciais impostas" ao Legislativo. Disse ainda que a corrupção diminui a credibilidade do poder político em todas as esferas. Mas um dos principais entraves para o Brasil é, sim, a má qualidade da educação, acrescentou Cristovam.

- Será que as pessoas não percebem que não colocar conhecimento no cérebro das crianças é o mesmo que provocar uma doença, a doença do despreparo, da falta de qualificação, do desemprego? - indagou o senador.

Em apartes, os senadores Papaléo Paes (PSDB-AP), Mão Santa (PMDB-PI) e Augusto Botelho (PT-RR) - todos médicos - elogiaram o pronunciamento do colega. Papaléo disse que o "sinal de alerta" contra a dengue está ligado há muitos anos e lamentou que os governantes não tenham tomado as ações preventivas necessárias. Mão Santa lembrou que já vem alertando para o perigo da dengue, da tuberculose e da rubéola há tempos. Já Augusto Botelho disse que entre as medidas preventivas mais importantes contra a dengue estão a educação e a conscientização da população.



24/03/2008

Agência Senado


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