Brizola ataca adversários









Brizola ataca adversários
Pedetista rouba a cena na festa de Jorge Roberto

Na comemoração dos 50 anos de idade do candidato ao governo do Rio, Jorge Roberto Silveira, da Frente Trabalhista, quem roubou a cena foi um ilustre ancião que se diz um homem de 40. Leonel Brizola, 80 anos, candidato ao Senado, teve fôlego de sobra para soltar o verbo: criticou as pesquisas eleitorais, o tucano José Serra; Anthony Garotinho; Rosinha Garotinho; Sérgio Cabral Filho e até a igreja católica. Só defendeu Ciro Gomes, que estava ao seu lado.

Durante meia-hora, na noite de segunda-feira, o pedetista discursou para 2 mil pessoas em um clube de Niterói, onde Jorge comemorou seu aniversário. Uma data inoportuna, em razão da queda de Ciro Gomes nas pesquisas Datafolha e Ibope, divulgadas naquela noite. Ciro foi ao evento e, no reduto eleitoral do partido, Brizola tratou de defender a Frente. Começou desdenhando das sondagens:
- Essas pesquisas não passam de uma trapaça, isso é uma propaganda.

Embalado, o gaúcho não deixou os alvos políticos passarem em branco. Cabral Filho, seu mais novo desafeto, conforme adiantou o JB no domingo, abriu a lista:
- O primeiro que eu quero pegar é o seu Cabralzinho. Como ele pode representar o Rio? Um povo que não tem onde morar? Ele importou uma casa dos Estados Unidos, pronta, e até os pregos ele trouxe de lá. Ela está lá, em Angra dos Reis.

Fora as acusações, a única defesa - com um exemplo, no mínimo, exagerado - foi a favor de Ciro:
- O povo do Rio sabe que ele é educado. Ele é grosseiro quando um fotógrafo mete a máquina na cabeça da gente.

E da defesa, passou para o ataque contra José Serra:
- Naquele momento no debate da televisão, eu não teria a paciência de Ciro contra o Serra. Eu ia à cara dele (Serra)! Ele não teve qualidade nem para ser governador de São Paulo.

O candidato do PDT à Presidência, Anthony Garotinho, e sua mulher, Rosinha Matheus, foram os alvos seguintes:
- Eles usam esse eufemismo para lá e para cá. Ela mudou o nome, mas pelo menos deveria colocar um a no final para ficar Garotinha.

A última e mais polêmica crítica foi para a igreja:
- Nosso partido levantou a bandeira pela igualdade entre o homem e a mulher. Só não entendemos porque a igreja não dá igualdade ao homem e à mulher na estrutura católica.

Cabral Filho não foi encontrado para rebater as acusações. Comunicada, a Diocese do Rio não deu retorno.


Sinal de alerta para Ciro
Direção da campanha traça 14 medidas de urgência e tenta desgastar FH com ONU

BRASÍLIA - A Frente Trabalhista de Ciro Gomes se arma para enfrentar os 25 dias finais até o primeiro turno. O desafio é reverter a tendência de queda e ultrapassar o tucano José Serra, que passou para o segundo lugar. Em reunião na última segunda-feira, 14 pontos foram traçados. Entre, a mudança na propaganda eleitoral. Não está descartada a saída do marqueteiro e cunhado de Ciro, Einhart Jácome da Paz. Independentemente do futuro do publicitário, nos 12 programas eleitorais que restam não faltarão ataques ao governo e a Serra.

Ontem, o líder do PPS na Câmara, João Herrmann (SP), pediu a vinda de observadores da ONU nas eleições.
- Fernando Henrique Cardoso quer se transformar em integrante da ONU. O pedido chega a tempo de ele preservar sua biografia. A ONU precisa saber que Fernando Henrique não faz, mas deixa fazer - afirmou Herrmann, que não esconde a intenção de desgastar a figura do presidente junto às Nações Unidas.
-
Ele tem a seu favor o fato de ter sido observador eleitoral da ONU no Kosovo e no Timor. O líder do PPS admite que a denúncia não terá conseqüências práticas. Será tratada apenas internamente nas Nações Unidas. O texto foi encaminhado ontem para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, por e-mail. Nele, o deputado afirma que a lisura do processo eleitoral brasileiro está ameaçada. Segundo ele, porque Serra teria criado um ''Estado paralelo''.

Ciro, no entanto, tem afirmado que a vinda de observadores não é necessária. O candidato foi avisado na segunda-feira à noite do pedido de Herrmann à ONU. Assessores do candidato a presidente admitem que a Frente Trabalhista adotou a postura do morde e sopra.

Ontem, em Manaus, o presidente Fernando Henrique reiterou que o Brasil não precisa de observadores internacionais para a eleição.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nelson Jobim, se recusou a comentar novamente as acusações da Frente Trabalhista. Disse que nunca houve qualquer polêmica envolvendo o TSE.

A reunião da Frente Trabalhista que aprovou os 14 pontos de mudança da campanha aconteceu na segunda-feira de manhã. Naquele momento, o comando da campanha ainda trabalhava com um cenário de empate técnico entre Ciro e Serra. Depois que as pesquisas Ibope e Datafolha mostraram Serra isolado em segundo lugar, na noite de segunda os telefones dos integrantes da cúpula começaram a tocar. A luz amarela foi acesa e a insatisfação com a organização da campanha e com os programas eleitorais no horário gratuito vieram à tona.

Entre as queixas, está uma suposta falta de profissionalismo de Einhart. O marqueteiro pode ser demitido ou passar a trabalhar conjuntamente com outros profissionais. Além disso, integrantes da Frente reclamam da falta de iniciativa de Ciro. O candidato não telefona para os políticos nos estados e, por isso, não aparece nos programas dos candidatos da aliança ao governo e ao Senado.


Serra vai mudar o alvo
Ataques agora serão contra Lula

BRASÍLIA - De olho no segundo turno, o comando de campanha de José Serra (PSDB) decidiu mudar de alvo. Nos programas eleitorais e nos comícios, Serra vai se comparar ao petista Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas eleitorais. São dois objetivos: apresentar Serra como um candidato mais preparado para governar o país e puxar Lula para o debate.

Boa parte dos aliados de Serra quer subir ainda mais o tom dos ataques. A campanha do tucano tem guardadas críticas e denúncias sobre administrações do PT em prefeituras e governos estaduais. Por enquanto, a principal resistência aos ataques mais duros parte do próprio Serra. Ele considera que a tática agressiva usada contra Ciro Gomes deu resultados, mas causou desgastes. Agora, prefere um tom mais ameno no enfrentamento com Lula.

Serra acha que o maior problema de Lula é a falta de experiência administrativa. Por isso, vai atacar este ponto. O tucano vai reforçar a apresentação de seu currículo, com passagens por dois ministérios, para mostrar que é ''mais preparado'' para governar. Essa linha começou a ser mostrada ontem, no site e no programa eleitoral.

Mas o comando tucano quer um jogo mais pesado e pretende deflagrar ataques às administrações petistas, inclusive à da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy - amiga pessoal de Serra. A estratégia seria a última tentativa de impedir que Lula continue subindo nas pesquisas a ponto de vencer no primeiro turno. Para o líder do PSDB no Senado, Geraldo Mello (RN), é precisa ficar claro quem governará caso Lula seja eleito.
- Vai ser o Lulinha paz e amor, produzido pelo marqueteiro Duda Mendonça ou o militante que representa a história e as teses do PT dos últimos 20 anos? - perguntou.

Também o presidente do PSDB, deputado José Anibal (SP), defendeu o embate direto contra Lula:
- Lula tem que ser posto em debate para que o eleitor possa ver que ele não tem consistência e está se disfarçando no que não é - disse Anibal.

Ontem, no comitê da campanha em São Paulo, o coordenador político, deputado Pimenta da Veiga (PSDB-MG), entregou um documento com sugestões aos marqueteiros Nelson Biondi e Nizan Guanaes, endossado pelo s coordenadores adjuntos Milton Seligmann e José Richa. O documento defende a polarização do processo eleitoral entre tucanos e petistas. Fala também em blindar Serra contra possíveis denúncias.
- Estamos esperando denúncias e toda a sorte de expedientes para tirar Serra do segundo turno. Vai ser um inferno, mas estamos preparados - disse Pimenta.

Ciro não será esquecido. A novidade será a comparação entre os candidatos a vice da Frente Trabalhista e do PSDB. Paulinho versus Rita Camata. A campanha de Serra alertará que sete vice-presidentes já assumiram o poder e defende a importância de que o vice seja confiável.


TV: Tucano ataca petista
Ciro fala do amor por Patrícia e Lula trata de segurança

BRASÍLIA - Os programas eleitorais de ontem mostraram a intenção de José Serra de polarizar com Luiz Inácio Lula da Silva, deixando em segundo plano Ciro Gomes. Este, porém, não poupou o tucano.
O programa de Serra destacou as últimas pesquisas, que o apontaram como segundo colocado, à frente de Ciro.
- Serra é o mais forte para disputar com Lula o segundo turno. Quem é o mais preparado para gerar os empregos que o país precisa: Serra ou Lula? - perguntou a locutora.

A propaganda noturna de Ciro apresentou mata-mosquitos que tinham contratos temporários que não foram renovados pelo Ministério da Saúde na gestão de Serra. Foram relatos dramáticos, onde afirmam que foram tratados ''como lixo'' e que não votarão em Serra.

- Para que ele não faça com o Brasil o mesmo que fez quando estava no Ministério da Saúde no combate à dengue no Rio - declarou um dos entrevistados.

Também foram mostrados trabalhadores de São Paulo na fila do seguro-desemprego. Eles criticaram o governo Fernando Henrique e dizem que não votam em Serra.

- Nos enganaram duas vezes e querem nos enganar de novo - afirmou o candidato a vice de Ciro, Paulo Pereira da Silva.

O programa da tarde foi mais suave, dedicado a juras de amor entre Patrícia Pillar e Ciro.

- Para mim, ela é um presente de Deus - disse ele.

Anthony Garotinho dedicou o programa noturno aos aposentados, prometendo restabelecer a vinculação dos benefícios ao salário-mínimo. E lembrou que os aposentados foram chamados de vagabundos por Fernando Henrique.

Lula continuou evitando ataques. De tarde, repetiu o programa sobre o combate à violência. À noite, homenageou as vítimas do ataque terrorista do ano passado nos EUA, que completa um ano hoje, lembrando ainda as demais vítimas de guerras e violências.

- Tenho a esperança de que a humanidade acabe com seus conflitos pelo diálogo e não pela violência das armas.


Garotinho: 'Vou vencer'
Candidato diz que ganhará de Lula no segundo turno

SÃO PAULO - O candidato do PSB, Anthony Garotinho, afirmou ontem de manhã, em São José dos Campos, onde visitou a Embraer e fez campanha de rua, que não está surpreso com seu crescimento nas últimas pesquisas.

- Vou vencer. Vou ao segundo turno com Lula (o candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva) e ganhar a eleição. As pessoas estão percebendo que o único candidato que representa mudanças se chama Garotinho.

O ex-governador do Rio voltou a defender a saída do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Nelson Jobim, do cargo. E disse que o candidato Ciro Gomes, do PPS, manifestou interesse em assinar conjuntamente com ele um documento pedindo a renúncia de Jobim. O presidente do TSE é acusado por correligionários dos dois de comprometer o processo eleitoral por falta de isenção, devido às relações pessoais com o candidato tucano José Serra. Ontem mesmo, porém, Ciro desautorizou o convite a observadores internacionais, negando-se a assinar um pedido encaminhado pela Frente Trabalhista, que o apóia.

Anteontem, Jobim já tinha minimizado esse movimento, classificando de ''irrelevante'' o pedido de Garotinho para que se afaste da presidência do TSE.

O site de Garotinho na internet voltou a destacar ontem o crescimento do candidato nas pesquisas. A página cita os levantamentos de Ibope, Datafolha e CNT/Sensus. Segundo o site, as pesquisas ''mostram que a campanha de Garotinho ganhou fôlego novo a menos de um mês das eleições''.

De acordo com a pesquisa Ibope divulgada ontem, Garotinho e Ciro estão empatados tecnicamente na terceira posição. Garotinho foi de 11% para 12%, enquanto Ciro de 17% caiu para 15%.

O Datafolha apontou uma subida ainda mais expressiva do candidato do PSB. De acordo com o instituto, Garotinho, que tinha 10% das intenções de voto na consulta anterior, conquistou 4 pontos percentuais e está agora o terceiro lugar praticamente ao lado de Ciro, que recuou de 20% para 15%. A pesquisa CNT/Sensus revela que o ex-governador subiu quase 3 pontos percentuais (2,9%), passando de 10,4% para 13,3%.

Garotinho atribui, no site, seu crescimento aos programas no horário eleitoral gratuito e à sua participação no debate da TV Record.


PFL já discute o 2° turno
Apoio será dado a Ciro ou a Serra

SÃO PAULO - O PFL já está se preparando para o segundo turno da campanha presidencial. O partido, que se mantém dividido na primeira fase da disputa eleitoral para a Presidência, deve marchar unido depois dela. Segundo seus principais dirigentes, vai apoiar a candidatura de José Serra (PSDB) ou de Ciro Gomes (PPS), dependendo de qual vá ao segundo turno. A presença do petista Luiz Inácio Lula da Silva é dada como certa.
''A idéia é que o partido tome uma posição, ou apoiando Ciro ou apoiando Serra'', disse o primeiro vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE), uma das principais figuras pefelistas, juntamente com o vice-presidente da República, Marco Maciel, integradas na campanha do tucano.

A consolidação de Serra no segundo lugar das pesquisas, agora já 4 pontos à frente de Ciro (segundo o Ibope) ou 6 pontos (segundo o Datafolha) fortaleceu esse grupo dentro do PFL e atraiu novos aliados para a candidatura tucana.

- O clima melhorou muito com a subida de Serra nas pesquisas eleitorais. Antes havia gente querendo sair da campanha de Serra para a candidatura do Ciro. Agora os deputados e prefeitos estão mais animados, se empenhando mais na campanha.

O grupo que apóia Ciro Gomes, liderado pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e pelo ex-senador baiano Antonio Carlos Magalhães, também está se articulando para evitar brigas internas. Todos têm consciência de que, com o partido desunido, seu cacife diante da nova realidade no Congresso e na relação com o Executivo ficará muito diminuído.

Bornhausen deve se reunir esta semana para discutir a questão com outro articulador da candidatura de Serra no PFL, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia.

O prefeito é o principal nome do partido no Estado e, depois de ter criticado duramente a candidatura do tucano, prevendo inclusive que ela não chegaria ao fim do mês de maio deste ano, incorporou-se à campanha do candidato governista e é um dos seus principais pontos de apoio na região.


Rosinha chega a 50% no Rio
Candidata se aproxima da vitória no 1º turno. Somados, os adversários têm 38%

A candidata do PSB ao governo do Rio, Rosinha Garotinho, cresceu em três semanas de 44% de intenções de voto para 50% e se distanciou ainda mais de todos os seus adversários. Somados, os outros oito candidatos têm 37%, o que indica que a eleição estaria definida no primeiro turno se tivesse sido realizada segunda-feira, quando a pesquisa do Datafolha foi feita.

Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Jorge Roberto da Silveira (PDT), Benedita da Silva (PT) e Solange Amaral (PFL) estão tecnicamente empatados. Jorge Roberto caiu de 19% em 15 e 16 de agosto para 14%, Benedita da Silva estanc ou em 12% e Solange praticamente dobrou as intenções de voto, indo de 6% para 11%.

Os votos em branco, nulos ou em nenhum eram 6% e agora são 4%; e o número dos que não sabem em quem votar oscilou de 9% para 7%. Foram ouvidos 1.071 eleitores em 41 cidades.

O resultado reflete o desgaste do governo de Benedita da Silva e a incapacidade de os programas eleitorais do PT e do PDT reverterem o favoritismo de Rosinha. Os dois evitaram até recentemente fazer críticas ao governo de Anthony Garotinho (PSB) e só agora o fazem.

O crescimento de Solange aproxima seu índice eleitoral da força política do prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL). A pefelista é até agora a única que vem batendo sistematicamente em todos os principais adversários, considerando Rosinha, Benedita e Jorge Roberto ''farinha do mesmo saco'' por terem participado da aliança que elegeu Garotinho em 98.

O confronto num hipotético segundo turno dá a vitória a Rosinha contra qualquer adversário. A mulher de Garotinho venceria Jorge Roberto por 64% a 26% e Benedita por 66% a 23%.

Rosinha também cresceu no principal indicador de consolidação do voto, a declaração espontânea. Ela tinha 26% e tem agora 35%. Jorge Roberto passou de 11% a 10% e Benedita, de 6% a 7%. Solange Amaral foi de 2% para 6%. O número de indecisos neste quesito caiu de 46% para 34%.

Praticamente não houve, neste período de três semanas, alterações na evolução da rejeição aos candidatos. Benedita, que tinha 44%, tem agora 41%, Solange oscilou de 19% para 20%, Rosinha, de 18% para 17% e Jorge Roberto, de 10% para 12%.

Rosinha cresceu em praticamente todos os segmentos do eleitorado. Mas seu melhor desempenho continua a ser entre os mais pobres e os menos instruídos. Entre os mais pobres, ela cresceu de 49% para 56%. E entre os menos instruídos, o salto foi de 53% para 57%.

Seus pontos mais vulneráveis são os eleitores com nível superior e os que ganham mais de dez salários mínimos. Ainda assim, ela cresceu nestas faixas e encostou nos outros candidatos. Ela tinha 21% das intenções de votos dos que têm nível superior e agora tem 25%.

No mesmo período, Jorge Roberto, que estava absoluto no segmento, caiu de 34% para 23%. Este nicho também é disputado por Benedita, que tinha 20% e agora tem 24%.

Jorge Roberto também liderava entre os que ganham mais de dez salários mínimos, com 36%. Agora tem 27%. Ele caiu em todos os segmentos, mas teve queda maior entre os mais velhos.

Solange Amaral, ao contrário, cresceu em todos os segmentos, mas teve um salto mais notável no eleitorado feminino, onde passou de 6% para 13%.


Alckmin venceria Maluf no 2º turno
SÃO PAULO - O levantamento do Datafolha feito segunda-feira indica que houve uma inversão de posições na simulação do segundo turno da eleição para governador entre Paulo Maluf (PPB) e Geraldo Alckmin (PSDB). Agora, Alckmin está na frente, com 47%, passando Maluf, que ficou com 41%. É a primeira vez que isso ocorre desde que o Datafolha passou a simular o segundo turno, em julho.

A Pesquisa do DataFolha indicou uma queda de cinco pontos de Paulo Maluf (PPB), que continua em primeiro. Geraldo Alckmin (PSDB) seguiu em segundo, praticamente sem variação, enquanto José Genoíno (PT) apresentou uma melhora nas intenções de votos. Maluf aparece em primeiro, mas agora com 35% das intenções de voto (tinha 40%). Em seguida vem o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), que passou de 24% para 25%, e, depois, José Genoino, que subiu de 10% para 17%.


Artigos

O eleitor não é bobo
Octávio Costa

O deputado Aloizio Mercadante, candidato ao Senado pelo PT de São Paulo, cutucou a opinião pública com vara curta e se deu mal. Interessado talvez em comprovar teses preconcebidas, fez a seguinte pergunta às pessoas que visitam seu site na internet: ''O próximo governo deve manter Armínio Fraga na presidência do Banco Central?'' Certamente, esperava da militância petista um rotundo não a tudo que se refere ao atual governo. Deparou-se, porém, com resultado surpreendente. Apenas 21,1% responderam não, enquanto a ampla maioria de 70,5% disse sim à permanência de Armínio à frente do BC, sem falar nos 8,4% que optaram por um período de transição.

Que lição o principal assessor de Lula para assuntos econômicos terá tirado da expressiva resposta? Terá concluído que a militância petista é favorável à independência do BC? Não creio. Não era esse o objetivo da pergunta. O que fica claro - para Mercadante e para a classe política em geral - é o reconhecimento dos méritos do economista que hoje preside o BC. Os eleitores não são especialistas em economia, mas sabem distinguir os bons dos maus homens públicos. Armínio Fraga pertence ao primeiro time.

Já é tempo de os candidatos medirem as palavras quando atacam Fraga e o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Acusá-los de se dobrar ao FMI e aos interesses dos banqueiros é grossa bobagem. Conversa de botequim. Fraga abandonou emprego bilionário (em dólares) para assumir o comando do BC no auge de gravíssima crise que ameaçava a integridade do real. Despediu-se de seu famoso empregador, o megaespeculador George Soros, voltou ao Brasil de mala e cuia e conseguiu debelar os efeitos do ataque cambial. Os críticos diziam que Fraga à frente do BC era o mesmo que entregar à raposa a guarda do galinheiro. Raposa em finanças Fraga de fato é, mas a farta experiência do outro lado da mesa lhe permitiu cuidar da moeda nacional com rara competência.

O eleitor não é bobo. Da mesma forma que aprova o desempenho de Fraga, acabará por reconhecer a dedicação de Malan à causa pública. Se prevalecesse a vontade de sua mulher, Catarina, Malan já teria abandonado Brasília e o Ministério da Fazenda há muito tempo. Voltaria a viver no Rio e brindaria sua família com um belo salário na iniciativa privada. O ministro preferiu levar a missão até o fim. Pedro Malan é acima de tudo um servidor público. Funcionário de carreira do Ipea, ajudou o Brasil a negociar a dívida externa no início dos anos 90, assumiu o posto máximo do BC no governo Itamar Franco e é ministro da Fazenda desde 1994. Pode-se discordar de Malan, mas não há como negar sua abnegação.

Não tenho procuração de Armínio e Malan. Saio em sua defesa porque me espanta a perda de rumo da campanha eleitoral. O interesse nacional não tem dono. Nada autoriza também comparações entre os governos democráticos e o regime militar. São absurdas e descabidas. Lula está enganado. O planejamento econômico ao tempo do arbítrio e da tortura foi um fiasco, a máscara caiu com a crise do petróleo de 1974. Já Brizola deve estar brincando quando afirma que chega a pensar ''que Sarney e Fernando Henrique foram piores do que os militares''. A frase não vale sequer como boutade. O debate assim só confunde.


Colunistas

COISAS DA POLÍTICA – Dora Kramer

PSDB suspende 'férias' petistas
Incentivados pelas boas novas das últimas pesquisas, os tucanos voltaram à antiga forma e, acomodados sobre saltos altíssimos, já se comportam como donos da segunda vaga na etapa final da eleição.

No comitê de José Serra, Ciro Gomes agora é tratado como problema exclusivo de Anthony Garotinho, e Luiz Inácio Lula da Silva considerado o único obstáculo entre o candidato do PSDB e o gabinete principal do Palácio do Planalto.

É verdade que a barreira configura-se de bom tamanho - mais exatamente à altura de 20 pontos percentuais -, mas, bons de muro como são, os tucanos não se intimidam: acham que Lula até agora estava de férias e propõem-se a acabar com o descanso do petista.

Nada parecido com a ofensiva anti-Ciro, é verdade. A palavra de ordem - pelo menos no que diz respeito às intenções - no PSDB é debater, nã o bater, no adversário. A idéia é explorar as contradições entre as posições do PT e o discurso eleitoral adotado pelo candidato do partido.

No mesmo dia em que saíram as pesquisas Datafolha e Ibope que registraram a inversão de posições entre Ciro e Serra, o tucano já tratou de aproveitar as oportunidades que se lhe apresentaram em entrevistas para cobrar posições de Lula. A defesa dos governos militares foi uma delas.

E, segundo o comando da campanha, daqui para a frente essas cobranças serão mais freqüentes e detalhadas.
O plano de chamar Lula para fora da toca e procurar manter Ciro Gomes afastado da arena principal era tática que o tucanato esperava pôr em prática mais adiante, até porque os correligionários de Serra não esperavam resultados positivos agora.

Foi uma grata surpresa, para quem até a semana passada estava falando em manter o embate com a Frente Trabalhista até os últimos momentos da campanha do primeiro turno, porque o mais importante seria passar para a etapa final, nem que fosse por diferença ínfima.

Agora a conversa mudou. Continua sendo primordial, evidentemente, passar para o segundo turno, mas fundamental é também a tarefa de iniciar a desconstrução da espécie de imunidade de que Lula se valeu até este momento.

Do ponto de vista dos tucanos, tudo certo, não fosse certo excesso de otimismo dados a conturbação reinante e o fato de ainda estarmos a 25 dias da eleição. Detalhe este que pode vir a fazer toda a diferença.

A decisão de Serra ignorar Ciro não significa que a recíproca será verdadeira. Ao contrário. Dificilmente Ciro, Lula ou mesmo Anthony Garotinho deixarão o candidato governista fazer o que bem entende sem manifestar reação. Era só o que faltava se assim fosse.

Ciro sem dúvida aumentará o tom, entre outros motivos, porque, se a tendência continuar a mesma, ele logo entrará no terreno dos que não têm nada a perder. Garotinho, cheio de esperanças, decerto procurará pescar nas searas de Serra e Ciro, e Lula se empenhará na difícil missão de tentar ganhar no primeiro turno.

Misteriosos, os tucanos se dizem preparados para a briga. Insinuam a posse de munição pesada quando afirmam que, se o adversário atacar com ogivas, haverá contra-ataques com ogivas nucleares.

Prudente, porém, seria que se cercassem de cuidados para que os fortes artefatos não lhes caiam em cheio sobre as próprias cabeças, considerando que no ambiente não andam sobrando vagas para gente de fino trato.

Dados relevantes
Há mais ou menos um mês, quando começou a subir nas pesquisas e assumiu o segundo lugar, Ciro Gomes dizia que continuaria a não conferir grande crédito a elas, mas ressaltava, no entanto, três aspectos que considerava particularmente favoráveis para sua candidatura.

Eram três os dados que achava relevantes: o índice de rejeição, a preferência entre o eleitorado de escolaridade superior e o montante de eleitores que declaravam espontaneamente a opção pelo nome dele.
Na época, Ciro estava bem nesses três pontos: apresentava baixo índice de rejeição, alta preferência entre os mais instruídos e estava bem na pesquisa espontânea.

Pois os últimos números mostram que a candidatura da Frente Trabalhista claudica exatamente naqueles itens que, segundo os critérios de Ciro, são os decisivos.

Ele perdeu apoio entre os eleitores de maior renda e escolaridade, tornou-se o campeão da rejeição, com 34% dos consultados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum, e, enquanto Lula e Serra ficam com 29% e 21%, respectivamente, das declarações espontâneas de voto, Ciro recebeu apenas 10%.


Editorial

APOCALIPSE REVISITADO

Um ano depois, o ataque terrorista a dois símbolos do mundo ocidental - o World Trade Center (economia) e Pentágono (defesa), em Nova York e Washington - ainda reverbera como lance de ressentimento e cujas causas não se esgotaram.

A escala do atentado lançou uma cunha na História moderna. O terrorismo embaralhou antigos critérios de ataque e defesa, fechou definitivamente o capítulo da Guerra Fria e transformou o mundo num vasto campo de batalha, onde os inimigos podem estar em qualquer lugar. A catástrofe, ou o apocalipse local, pode cair do céu a qualquer momento, como, em meado do século 20, caiu de surpresa sobre Pearl Harbour e Hiroshima.

A primeira, e talvez a mais importante, lição a tirar do episódio é que o jogo político mudou. O choque das civilizações bateu intempestivamente à porta dos países ocidentais. O terrorismo, com seus peões que oferecem a vida em sacrifício por um lugar no paraíso, é sem dúvida matéria-prima abundante nos tempos atuais. E, nos tempos atuais, o terrorismo, em suas várias manifestações, identifica-se com determinados países muçulmanos de onde escorre financiamento para ações em várias partes do mundo.

Com o pano de fundo do ressentimento explícito de nações defasadas na corrida pelo progresso, ficou evidente, no entanto, a fragilização das grandes metrópoles ocidentais, com seus enormes arranha-céus se oferecendo como alvos a ataques suicidas. No ataque às torres gêmeas, com seu cortejo fúnebre de quase 3 mil mortos, viu-se que nem tudo era tão surpreendente assim. O filósofo e arquiteto francês Paul Virilio já em 1993, quando o World Trade Center sofreu o primeiro atentado (cinco mortes provocadas pela explosão de uma caminhonete), falou da fragilidade deste tipo de arranha-céus - verdadeiros monumentos que não levam em conta a insensatez de um urbanismo que multiplica torres gigantescas, aumentando assim a vulnerabilidade.

Além disso, o Ocidente não pode continuar negando que a enorme defasagem de progresso entre os povos, com sua carga de sofrimento e desespero, facilita o papel insidioso e criminal dos propagandistas do ódio. Não se perca de vista, no entanto, que os países democráticos, EUA à frente, apesar de abusos e injustiças, representam igualmente um modelo de sociedade baseado em liberdades individuais, respeito aos direitos da pessoa e existência de instituições políticas representativas.

Por isso é duplamente lamentável que os dirigentes ocidentais se mostrem neste ponto incapazes de resolver problemas postos pelos fluxos migratórios, pela fome dos países pobres ou pelos regimes opressores que desprezam a vida humana.

Anuncia-se nos últimos tempos, e com razão, que a Terceira Guerra Mundial poderia eclodir entre duas civilizações até agora divergentes: a muçulmana e a ocidental. Alguns líderes religiosos extremados proclamam a necessidade de guerra santa que passe a limpo 10 séculos de frustrações bélicas, desde que os muçulmanos ganharam sua última guerra contra o Ocidente, na Terceira Cruzada. As guerras do Golfo e do Afeganistão, travadas entre o Iraque e os talibãs contra o resto do mundo, tiveram característica de revanche histórica que não passou de derrotas acachapantes.

No atual vazio político, de perda de legitimidade de alguns Estados, de desordem crescente e de fragmentação militar, estalam as guerras globalizantes num mundo que ficou pequeno, porque o que ocorre num lugar tem repercussão instantânea em outros pontos da Terra. A televisão consolida a globalização e configura a atitude da opinião pública dos países ocidentais. O que acontece num país repercute logo nos outros, e os influencia decisivamente.

Muita gente no Ocidente é capaz de dissociar a imagem dos terroristas, em especial os da Al Qaeda, do islamismo, que é uma religião de paz. A luta contra o terrorismo não é simples. Tampouco a arrogância de certos líderes religiosos é igualmente simples. A política de provocações do lado de lá incentiva a política de retaliação do lado de cá. O ataque às torres gêmeas redundou na eliminação do regime talibã no Afeganistão.
Diante dos excessos do ter rorismo e eventuais excessos no combate a ele, o importante neste momento é encontrar o meio-termo que encerre com dignidade o episódio iniciado com a destruição das torres gêmeas. O ato insensato de 11 de setembro dirigiu os refletores da opinião pública para questões palpitantes do mundo muçulmano, como Iraque, Cachemira, Palestina, Chechênia etc.

O Conselho de Segurança da ONU logo depois do atentado aprovou histórica resolução que obriga seus 189 países a lutar contra o terrorismo, congelando os meios de financiamento e negando-lhe apoio político. Só assim se fecha o cerco.

O terrorismo é um intento de persuasão pela força, mecanismo psicológico vazio de conteúdo do ponto de vista racional que os antigos latinos descreveram como a quimera do argumentum baculinum (argumentação à base de porrete). Quando consegue instilar medo nos corações, pode se contentar com ataques ocasionais, aqui e ali. O medo se propaga como bactéria carnívora. É isso que não pode prevalecer.


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09/11/2002


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