Brizola vem ouvir mais argumentos









Brizola vem ouvir mais argumentos
O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, chega hoje, às 13h45min, a Porto Alegre. Ele se reúne com o partido a partir das 14h, na sede estadual, na rua Félix da Cunha. Os 80 prefeitos do PDT pediram audiência com Brizola para as 15h. Eles querem opinar sobre as definições que serão tomadas hoje quanto ao futuro do partido nas eleições de outubro e ao possível apoio do PDT ao PPS. Após, o presidente nacional se encontra com a executiva regional, o conselho político e os deputados federais e estaduais do partido. Não há horário para terminar o encontro, sendo possível que Brizola permaneça no Estado até amanhã, se necessário. Todos aguardam reunião conclusiva.


Ciro e Serra entram em confronto
No primeiro debate em TV, candidatos fazem promessas sobre emprego, exportação e reforma tributária

Anthony Garotinho (PSB), Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), José Serra (PSDB-PMDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN) participaram ontem à noite do primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado pela Rede Bandeirantes. Fizeram propostas para geração de empregos, educação, Previdência Social e crescimento da economia. O debate esquentou no final com confronto entre Serra e Ciro.

O tucano perguntou como Ciro pretende conseguir R$ 18 bilhões anuais para pagar reajuste do salário mínimo. O candidato do PPS disse que é preciso decidir no conflito distributivo “a que senhor se quer servir”. Serra acusou Ciro de “faltar com a verdade” quando afirma que o salário durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda era de 100 dólares. Também na última parte do encontro, houve conflito entre os outros dois candidatos. Garotinho perguntou a Lula se não foi longe demais ao fazer acordo com Orestes Quércia, do PMDB, e garantiu que foi o único a não se aproximar das “oligarquias”. Lula disse que não recusa apoios e afirmou que, de “tão puro”, Garotinho corre o risco de ficar sozinho na corrida.

No primeiro bloco, os candidatos falaram sobre como criar empregos diante da crise que afeta a economia. Lula disse que priorizará as exportações e o investimento nas pequenas e médias empresas e na agricultura familiar. Garotinho afirmou que fará reforma tributária para desonerar a produção com o objetivo de aumentar as exportações. Serra acha que a chave da questão está no aumento de exportações e na substituição de importados. Ciro disse que só o crescimento mudará o quadro de desemprego.


PDT enfrenta impasse e divisão
Pela 3a vez consecutiva, não consegue indicar candidato que chegue com fôlego ao fim da disputa

O PDT enfrenta a terceira eleição consecutiva ao governo do Estado com sérias dificuldades para definir candidatura que represente a unidade partidária e chegue com fôlego ao final da disputa. Em 1994, Sereno Chaise foi escolhido à última hora para liderar chapa ao Piratini após divergências internas que afundaram outras candidaturas. Em 1998, a senadora Emília Fernandes trocou o PTB pelo PDT para disputar o governo, mas não empolgou, até porque setores do partido apoiavam a campanha de Olívio Dutra.

A reunião de hoje entre os pedetistas gaúchos e o presidente nacional, Leonel Brizola, será pautada pelas divergências em função dos vários caminhos que o partido tem a seguir este ano. A desistência de José Fortunati abriu uma porta para o apoio ao PPS, o que já é admitido por integrantes históricos do partido, como o deputado João Luiz Vargas. As outras hipóteses avaliadas são a substituição de Fortunati, a desistência de ter candidato próprio, liberando os filiados, e até a adesão ao PT, tese mais enfraquecida de todas pelo peso minoritário dos que defendem internamente a possibilidade.

João Luiz argumentou que o PDT gaúcho deve concentrar seus esforços na campanha de Ciro Gomes, da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB), à Presidência da República. Avaliou que isso levaria o partido a não ter candidato ao governo do Estado. 'Nenhum nome do PDT, hoje, pode alavancar candidatura ao Piratini porque a disputa está polarizada', argumentou. Ele considera que muitos estão dispostos a apoiar o PPS, ressaltando que seria um contra-senso defender a candidatura de Tarso Genro, do PT. 'Nossos candidatos à Presidência não são os mesmos', disse, ao avaliar que o PDT tem de se alinhar no Estado aos partidos que também sustentam a candidatura de Ciro.

O deputado federal Alceu Collares, que não aceitará hoje apelo para que assuma a candidatura ao governo, defende o lançamento do deputado Vieira da Cunha, de Pedro Ruas ou João Luiz ao Palácio Piratini. 'Precisamos aumentar nosso percentual nas pesquisas e preparar um desses jovens para a eleição à prefeitura', argumentou. Sobre a aproximação com o PPS, Collares entende que seria mais natural do que voltar a se aliar com o PT: 'Pelos erros que cometeu, o PT semeou o antipetismo e isso é muito superior do que apoiarmos a candidatura do PPS'.


Júlio pretende fazer reestatização
O professor de Ciências e Matemática Júlio Flores, candidato do PSTU ao governo do Estado, disputa sua quarta eleição. Concorreu, em 1996 e 2000, à Prefeitura de Porto Alegre e, em 1998, ao Senado. Júlio garantiu que irá reestatizar empresas privatizadas no governo anterior. Acrescentou que pretende reajustar em 100% o salário dos servidores e pôr em prática plano de construção de obras públicas, como hospitais e escolas. Júlio também defendeu o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, argumentando que é necessário para viabilizar a reforma agrária. Escolheu como prioridades do programa de governo a resolução dos problemas das finanças públicas do Estado, o combate aos sonegadores de impostos e o fim do Fundopem, programa de incentivos fiscais para a atração de investimentos a grandes empresas. Ressaltou que os valores sonegados se aproximam de R$ 7 bilhões ao ano.

Fundador do PSTU, em 1994, Júlio entrou para a política no final da década de 70, quando participou das primeiras campanhas de filiação ao PT, no qual militou por 14 anos. Júlio é diretor do Sindicato dos Bancários há 12 anos. Também fez parte da direção da Central Única dos Trabalhadores. Disse que decidiu sair do PT porque o partido estava sofrendo mudanças e abandonando as propostas da sua origem.


Vieira quer convenção partidária
O presidente regional do PDT, deputado Vieira da Cunha, defendeu ontem a realização de convenção partidária para definir o candidato ao governo do Estado. Ele argumentou que ainda é necessário decidir se o PDT manterá ou não a disposição de candidatura própria. Vieira garantiu que a reunião de hoje, na sede estadual do partido, entre a cúpula partidária e o presidente nacional, Leonel Brizola, será apenas a primeira discussão. Apesar de admitir que a maioria do PDT vê como remotas as chances de ter representante ao governo, Vieira entende que, se essa opção for aprovada, convocará o partido a fim de definir junto às bases a melhor alternativa para substituir o vereador José Fortunati, que renunciou na semana passada. 'A nova candidatura precisará surgir do debate entre todo o partido. Ninguém, nem eu nem o deputado federal Alceu Collares, temos o direito de nos excluirmos da lista', argumentou Vieira, referindo-se à negativa do ex-governador em assumir nova empreitada ao Palácio Piratini, que será anunciada na reunião de hoje. Ele garantiu que, caso fosse escolhido pelos companheiros de partido, assumiria a candidatura ao governo.
Vieira avaliou que ainda há tempo para convocar convenção. O partido tem prazo de dez dias, a partir da renúncia de Fortunati à disputa, para registrar novo candidato. Como a documentação da desistência da candidatura ainda não foi encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral, o PDT poderá prolo ngar o tempo para a nova escolha.


Agenda dos candidatos

HOJE
11 Celso Bernardi (PPB)
14h: reunião com prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras, no plenarinho da Assembléia. 19h30min: palestra na Associação dos Funcionários da Febem.
13 Tarso Genro (PT-PCB-PC do B-PMN)
9h30min: Caxias do Sul. 15h: Carlos Barbosa. 17h30min: Bento Gonçalves.
15 Germano Rigotto (PMDB-PSDB-PHS)
10h: reunião com coordenação de campanha. 12h: palestra na Associação dos Comissários de Polícia, Porto Alegre. 16h: reunião com equipe do plano de governo.
22 Aroldo Medina (PL-PGT-PSD)
16h: visita e carreata em Novo Hamburgo.
23 Antônio Britto (PPS-PFL-PT do B-PSL)
Reunião com Movimento Tradicionalista Gaúcho, Porto Alegre. Visita à Famurs. Gravação de programa eleitoral gratuito.


Benedita conta que orou por Garotinho
A governadora do Rio, Benedita da Silva, do PT, disse ontem que orou pela recuperação do presidenciável do PSB, Anthony Garotinho, e da sua esposa, Rosinha Matheus. Eles ficaram machucados sexta-feira à noite após o desabamento do palanque em que estavam, na Cinelândia. Benedita comentou que chegou a telefonar para o hospital em busca de notícias sobre o estado de saúde do casal, mas não falou com eles. Sobre a rejeição ao seu nome apontada nas pesquisas, a governadora atribuiu à herança administrativa de Garotinho e ao fato de muitos eleitores terem demorado a perceber que ela concorre à reeleição.


Bernardi promete que vai pavimentar os acessos
O candidato do PPB ao governo, Celso Bernardi, prometeu, ontem, em Tupandi, pavimentação das estradas de acesso a municípios. 'Tenho sentido na pele, em minhas andanças pelo Interior, como são justas as reivindicações', disse. De acordo com técnicos responsáveis pelo programa rodoviário do PPB, cerca de 150 municípios não possuem suas sedes ligadas à malha pavimentada, equivalendo a mais de 2 mil quilômetros de rodovias.


Candidato em SC teme cópia dos seus roteiros
O candidato do PMDB ao governo de Santa Catarina, Luís Henrique da Silveira, determinou à sua assessoria que retirasse da Internet sua agenda de campanha. Ele desconfia que o governador Esperidião Amin, do PPB, candidato à reeleição, esteja 'copiando' seus roteiros. Na semana passada, foram três 'inesperados' encontros das comitivas dos dois candidatos. Luís Henrique, ex-prefeito de Joinville, achou que muita coincidência não é possível.


FHC passeia junto à fazenda dos filhos
Recuperado da gripe, o presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou o dia de ontem para dar um passeio nas cercanias da fazenda de seus filhos, onde passou o fim de semana. Ele visitou o fazendeiro Sérgio Telles e esteve em Serra Bonita, distrito de Buritis. Por volta das 11h30min, FHC chegou de surpresa à sede do Conselho Comunitário de Serra Bonita, onde ficou por 15 minutos, tomou chimarrão e conversou com os moradores. O produtor rural Rufino Clóvis Folador disse ao presidente que os agricultores enfrentam uma situação difícil.


Garotinho no papel de franco-atirador
O candidato do PSB à Presidência da República, ex-governador Anthony Garotinho, foi considerado ontem pela platéia que lotou o estúdio da Rede Bandeirantes, em São Paulo, o franco-atirador do debate. A postura de Garotinho em criticar duramente o adversário José Serra, do PSDB, provocou as maiores reações na platéia. Garotinho também ganhou a solidariedade do adversário Ciro Gomes, que concorre pela Frente Trabalhista.

No embate em que Garotinho travou com Serra sobre a questão da segurança pública, Ciro acabou soprando a resposta para o socialista e, com isso, contribuiu para que ele fosse favorecido no duelo travado com o candidato tucano.


Jereissati manifesta apoio a Ciro
O ex-governador do Ceará e candidato ao Senado Tasso Jereissati, do PSDB, já não esconde sua predileção pelo amigo e presidenciável do PPS, Ciro Gomes. Perante 20 mil pessoas reunidas sábado à noite para comício em Juazeiro do Norte, Jereissati se empolgou e, mesmo sem citar o nome de Ciro, discursou: “Podemos dizer que, com a possibilidade de um cearense na Presidência, chegou a hora e o momento do Ceará”. O presidenciável nasceu em São Paulo, mas foi ainda criança morar no Ceará. Padrinho político de Ciro, que já foi do PSDB, Jereissati faz dobradinha numa aliança informal com Patrícia Gomes, do PPS, ex-mulher do candidato à Presidência. Os dois estavam juntos no palanque, além de 26 prefeitos.


Jobim demonstra hoje a segurança das urnas
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nelson Jobim, apresentará hoje o sistema de segurança das urnas eletrônicas para representantes de todos os partidos políticos. Amanhã, o ministro Fernando Neves, do TSE, irá se reunir com representantes de emissoras de rádio e TV e dos partidos para definir o tempo que caberá a cada partido ou coligação nos programas em bloco e nas inserções durante a campanha eleitoral.


Luiz Estêvão quer concluir TRT
O ex-senador Luiz Estêvão disse ontem que o Grupo OK, de sua propriedade, apresenta hoje proposta ao Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo para participar da licitação para concluir a construção do Fórum Trabalhista, caso avalie que o preço base da obra, no valor de R$ 44 milhões, é 'compatível' com o custo definido pela empresa para o término do prédio.

Ele já declarou porém, que dados do edital de licitação serão 'matéria-prima' para se defender da acusação de que comandou esquema de desvio de R$ 169,5 milhões da obra do fórum. Garantiu ainda que sua empresa entrará na disputa para fazer várias obras públicas no país. 'Não devo nada, nem ao Ministério Público nem a ninguém. A notícia de que o Grupo OK havia comprado edital de licitação para concluir a obra surpreendeu e irritou ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), já que o eventual envolvimento da empresa de Estêvão na construção do prédio só serviria para desmoralizar a instituição. O presidente do TST, Francisco Fausto, evitou fazer um prejulgamento, mas garantiu que, no processo de licitação, a legalidade e a moralidade serão preservadas. O Ministério Público em São Paulo tem poder para questionar a participação da empresa, citada em processo da 12ª Vara Federal sobre o desvio de recursos públicos, na execução do serviço.


Líderes do Interior decidem apoiar PT
Integrantes do PDT no Interior estão aderindo à candidatura de Tarso Genro, da Frente Popular (PT-PCB-PC do B-PMN), ao governo. O ex-prefeito de Santana do Livramento Elifas Simas, do PDT, acompanhou no final de semana roteiro da senadora Emília Fernandes, candidata do PT à reeleição. O ex-prefeito de Bagé Luiz Alberto Vargas, do PDT, declarou ontem apoio a Tarso e Emília. Em Candiota, comitiva de pedetistas compareceu a jantar de simpatizantes da Frente Popular. Alírio Brito, pedetista histórico da região de Lavras do Sul, e outros militantes participaram de eventos da Frente Popular, manifestando descontentamento com setores do partido que ensaiam apoio ao PPS.


PMDB lidera pesquisa ao governo de Pernambuco
A pesquisa do Ibope sobre sucessão de Pernambuco, divulgada sábado, reforçou o favoritismo do governador Jarbas Vasconcelos. Candidato à reeleição pela coligação PMDB-PFL-PSDB-PPB, Jarbas obteve 65% das intenções de voto contra 10% de Humberto Costa, da aliança PT-PC do B-PCB-PL-PMN-PST. Foram entrevistados mil eleitores entre 27 e 30 de julho. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.


Pergunta irrita tucanos presentes
No segundo bloco do debate entre os presidenciáveis, o questionamento do candidato do PSB, Anthony Garotinho, a José Serra a respeito da sua posição em relação ao presidente Fernando Henrique Cardoso provocou a irritação de muitos tucanos e do marqueteiro Nizan Guanaes. A mesma pergunta, porém, acabou provocando alguns risos na platéia que acompanhava Ciro Gomes, do PPS, incluindo a sua namorada, atriz Patrícia Pillar. Quando Serra respondeu que tem orgulho do presidente Fernando Henrique, o presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer, que assistia atentamente na platéia, exclamou: “Muito bem!”.


Rigotto critica tratamento destinado aos prefeitos
Germano Rigotto, candidato ao governo pela coligação União pelo Rio Grande (PMDB-PSDB-PHS), criticou sábado, em Antônio Prado, adversários que se dizem parceiros dos prefeitos do Interior. 'O candidato que representa a atual administração deveria explicar o atraso de até um ano nos repasses de recursos vindos para o salário-educação, os gastos com o transporte escolar e a municipalização solidária da saúde', enfatizou Rigotto.


Tucano se recusa a ser governista
O tucano José Serra se recusou ontem, durante o debate na Rede Bandeirantes, a admitir ser o candidato do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. “Sou candidato do meu governo, do governo José Serra”, afirmou, ao ser perguntado por Anthony Garotinho, do PSB, sobre qual expectativa daria aos jovens, sendo representante do governo que “termina de forma melancólica”. Garotinho rebateu, afirmando que Serra tem vergonha do próprio partido e de dizer que é o candidato do governo. “O governo dele ainda nem existe”, criticou Garotinho depois de ouvir o argumento do tucano sobre a necessidade de fortalecer o ensino médio.
“Ele não respondeu à minha pergunta”, afirmou Garotinho. Durante a tréplica, Serra garantiu que explicou de forma clara sua proposta para a juventude e falou sobre a ligação com o governo: “Tenho sim o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem sou amigo”. Acrescentou que tem relação de lealdade com FHC e que, ao longo de todo governo, não escondeu posições sobre questões do Executivo.

Ao perguntar ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o acordo do governo com o FMI, Serra deixou claro que o petista se manifestou a favor. “Espero que a bancada do PT apóie o projeto que reduz a cumulatividade do PIS para desonerar as exportações, o que permitirá criação de empregos”, afirmou.


Tarso defende luta pelo meio ambiente
O candidato ao governo pela Frente Popular (PT-PCB-PCdoB-PMN), Tarso Genro, pregou ontem a necessidade de reforçar políticas de defesa do meio ambiente, apontando como prioridades o movimento contra a privatização da água e a elaboração de plano de desenvolvimento sustentável para o Estado. Segundo Tarso, o modelo neoliberal aprofundou os danos ambientais ao planeta. 'O neoliberalismo é antiecológico e predatório da natureza porque está centrado no lucro. Para nós, que somos humanistas, a defesa da natureza representa parte essencial do projeto', disse para cerca de 300 ambientalistas que estiveram no cais da Vila de Itapuã, em Viamão.


Artigos

Segurança Municipal
Nereu D'Ávila

A Câmara Municipal aprovou, após longo período de tramitação, projeto de lei deste vereador que autoriza a criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública. No entanto, para surpresa geral, o prefeito vetou tal proposição, sendo que o Legislativo, nos próximos dias, apreciará essa extemporânea manifestação do chefe do poder Executivo. Cumpre salientar que a estrutura proposta visa instituir um órgão específico destinado à coordenação da política de segurança municipal, com ênfase em assuntos da municipalidade. Entre esses, o patrulhamento de praças e parques, inibindo o uso e a venda de drogas nesses locais, e o apoio a serviços municipais, como o problema de camelôs irregulares no Centro da cidade, tendo como âncora a nossa centenária Guarda Municipal. Gize-se, ainda, que o papel a ser desempenhado pelo município se dará em parceria com a Brigada Militar e a Polícia Civil, como uma contribuição subsidiária ao trabalho dessas forças, evitando-se, com isso, o receio da superposição de funções.

A incoerência do prefeito municipal nas razões do veto é notória. Alega num dos pontos que a nova secretaria geraria despesas. Ora, há que se canalizar os recursos para atender aos anseios da comunidade, que indubitavelmente prioriza a segurança pública. Ademais, os porto-alegrenses não esqueceram a contratação do sociólogo Luiz Eduardo Soares, mediante vultosa soma, que teve uma meteórica passagem por nossa cidade e hoje é candidato às eleições no Rio de Janeiro. Esse técnico veio com a missão de elaborar projetos na área da segurança, que por certo não saíram do papel. Porém, o argumento derradeiro, que enfraquece a justificativa do prefeito nesse teor, consubstancia-se em dois projetos de sua autoria que criam duas novas secretarias.

O que há, em realidade, é a falta de prioridade para a segurança. Mantida essa intransigência, Porto Alegre, que é vanguarda em tantos temas, ficará ultrapassada por outras administrações, como é o caso de São Paulo, comandada pela petista Marta Suplicy, que já verificou a importância da colaboração dos municípios na segurança pública. A prefeita sancionou a lei que cria a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, ao mesmo tempo em que anunciou a compra de carros, coletes à prova de balas, rádios de comunicação, bem como a contratação de 1,5 mil guardas. Espero que o prefeito se espelhe na sua correligionária paulista e invista na segurança municipal.


Colunistas

PANORAMA POLÍTICO - A. Burd

EXERCÍCIO DA VAIDADE E SÓ
1) O debate de ontem à noite, na TV Bandeirantes, serviu muito mais aos candidatos à Presidência da República do que aos eleitores. Queriam desopilar ódios acumulados e conseguiram. Esgrimaram atendendo ao treinamento intenso dos atentos assessores, que pouco ou nada conhecem e nem se interessam em saber sobre os graves problemas da realidade brasileira.

2) Sobre emprego, nenhuma proposta concreta. Só uma afinidade entre José Serra e o governo do RS: é preferível investir recursos públicos na agricultura familiar a aplicar na indústria automobilística. Sobre solução para o problema da Previdência, Ciro Gomes propôs capitalização, modelo chileno que o governo gaúcho condena. Sobre educação, as sugestões foram pífias.

NUMERADAS
1) Serra apresentou-se com perfil de candidato à presidência de clube de serviço; 2) Lula fez a platéia rir e ainda bem; 3) Ciro está com memória afiada e números na ponta da língua. É uma vantagem.

NÃO EXPLICAM COMO
Para sonhar ainda não é cobrado imposto: os candidatos imaginam Brasil cor-de-rosa, salário mínimo justo, todos de carteira assinada, sem dependência do capital externo e distribuição de alimentos.

OUTROS QUEREM
1) Ainda há quem critique a urna eletrônica made in Brasil, mas Alemanha, Itália, Austrália e Turquia querem importá-la. Só falta os EUA; 2) Cresceu de 4,36% em 1994 para 11,87% no ano passado a participação da telefonia no bolo do ICMS. Do total de R$ 2,091 bilhões em 1994, a telefonia levou R$ 91,1 milhões aos cofres estaduais. Em 2001, da receita de R$ 6,7 bilhões, o setor contribuiu com R$ 796 milhões.

DE PLANTÃO
Restam duas semanas para os candidatos ao governo do Estado incursionarem mais demoradamente pelo Interior. A partir de 20 de agosto, com o começo da propaganda em rádio e TV, terão de ficar atentos em Porto Alegre aos ataques para respostas imediatas. Quem demorar vai bailar. Esta é a regra.

SEGUNDA INTENÇÃO
O que tem de apoiadores de candidatos se expondo à espera de um cafuné de cargos não está no gibi.

POR CEM ANOS
Senhores candidatos: a posteridade lhes aguarda. O plástico dos galhardetes vai demorar cem anos para se decompor. Como se tornou praxe entre adversários arrancar propagandas, se for jogado junto às bocas-de-lobo vai obstruir galerias pluviais. Serão solenemente lembrados nas futuras enxurradas...

TALENTO ÀS ORDENS
Sem obter retorno dos demais candidatos do PT a governos estaduais a quem se ofereceu, entre os quais Tarso Genro, Duda Mendonça vai se dedicar à campanha de Benedita da Silva no Rio de Janeiro. Será uma espécie de colher de chá do marqueteiro disposto a distribuir incessantemente seu talento de marqueteiro. Sem se descuidar um milímetro dos passos de Lula, é claro.

DIVIDIDOS
A direção nacional do PSDB obrigou os filiados a entregarem os cargos no governo de Santa Catarina e se bandear para candidatura do PMDB. A inconformidade levou à criação do movimento 'Tucano Livre, Tucano Melhor' em apoio a Esperidião Amin, que busca a reeleição. O governador, por sinal, faz campanha por Serra. Para consagrar a aliança informal, tucanos ganham novos cargos no 2º escalão.

APARTES
Candidatos reclamam: 'Já não se fazem mais doadores como antes'.

Revistas semanais põem gasolina na campanha presidencial do PPS. Querem ver o Ciro pegar fogo.

Painéis de um candidato do PL à Câmara dos Deputados em São Paulo: 'Lula presidente, Maluf governador'.

José Sarney com Lula; Roseana com Ciro; filho Zequinha com Serra. Não pregam prego sem uma estopa.

Arno Carrard, advogado na emancipação de dezenas de municípios, concorre à Assembléia Legislativa.

Alta da gasolina espera definição do dólar. Quer dizer, vai vazar de novo do bolso dos consumidores.

Notícias e comentários antecipando o dia seguinte: Câmera 2, a partir das 22h30min de hoje, na TV Guaíba.

Deu no jornal: 'Ciro cai no samba com ACM, ex-desafeto'. Chance de subir nas próximas pesquisas.

Numa colher de chá cabem 70 gotas d'água. Muitos candidatos, para conferir a paciência, fizeram o teste.


Editorial

A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A crise econômica por que passa o país tem os mais variados reflexos, muitos deles com repercussão na desestruturação familiar. A família tem encontrado dificuldades para cumprir seu papel de núcleo da sociedade, efetivando sua finalidade educativa de propiciar ao indivíduo seu primeiro contato com os valores morais. O estresse do cotidiano, o desemprego, o pouco contato entre pais e filhos têm levado a verdadeiros abismos familiares, com repercussões negativas para todos os envolvidos, sem contar a violência doméstica, que é uma chaga a embotar um convívio que deveria ser afetivo e idílico.

Nos últimos anos, a criação de delegacias especializadas para mulheres, crianças e adolescentes tem sido uma tentativa de defendê-los da violência banalizada, que tem sua origem exatamente onde ela deveria ser inexistente, ou seja, em casa. Além disso, os legisladores têm procurado criar leis que possam defender esses setores economicamente fracos no convívio social, demonstrando uma adequação entre essa legislação e o texto constitucional, que protege a família e os direitos individuais, uma proteção da própria sociedade, em suma.

Todos os dias, os meios de comunicação divulgam relatos de violência em casa, com agressões de mulheres e de menores dentro dos próprios lares, demonstrando uma total falta de proteção. No caso das mulheres, é evidente uma carga de preconceitos, advindos de uma sociedade patriarcal, que vê a mulher ainda com olhar de superioridade. Não esqueçamos que apenas na Constituição de 1988 foi fixada a igualdade definitiva entre homens e mulheres.

É certo, porém, que a fixação de uma legislação protetora, bem como a criação de órgãos especializados, constituem apenas uma parte da tentativa para resolver tais problemas. Investir em educação, em geração de empregos podem ser medidas capazes de levar um pouco mais de tranqüilidade à população, gerando mais equilíbrio familiar. Isso poderá amenizar conflitos entre pais e filhos, com mais harmonia entre todos e preservando a infância e o matrimônio.

No imaginário coletivo, no casamento, a esperança é que seja para sempre. Da mesma forma, somos marcados indelevelmente pela infância vida afora. Experiências felizes nos fazem melhores cidadãos. E para isso, a expressão 'lar, doce lar' não pode ser de palavras vazias.


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08/05/2002


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