Busca desesperada



 





Busca desesperada
O PFL, que já lançou Roseana Sarney e foi obrigado a recuar diante do desgaste da ex-governadora, ameaçou apoiar Ciro Gomes (PPS) e cogitou até investir na candidatura do apresentador Silvio Santos, ontem inventou mais uma alternativa para tentar influir na eleição presidencial, depois de ver o PSDB rechaçar seu ultimato para trocar o candidato José Serra. Desta vez, e de novo sem qualquer sucesso, o PFL, em reunião da executiva nacional, lançou um movimento pela candidatura do vice-presidente Marco Maciel. O factóide, porém, durou pouco. Poucas horas depois Maciel desautorizou qualquer especulação em torno de seu nome, deixando os pefelistas sem rumo.

O portador da má notícia para o PFL foi o líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), que, ao lado de Maciel, participou de um almoço com empresários.

— Isso pode servir para fortalecer o PFL, mas também pode ser interpretado como forma de atingir o outro candidato — disse Maciel a Inocêncio, referindo-se a Serra.

— Ele derrubou a idéia por achar que o partido não deve ter candidato próprio — completou o vice-líder do PFL, Pauderney Avelino (AM), que também participou do almoço.

Proposta partiu de deputado baiano
A proposta de ter Maciel como candidato foi feita pelo deputado baiano José Rocha, ligado ao ex-senador Antonio Carlos Magalhães. A idéia recebeu a adesão de outros pefelistas, como Paulo Gouveia (SC) e Ronaldo Caiado (GO). Assim que acabou a reunião da executiva, o presidente em exercício do PFL, senador José Jorge (PE), ligou para o vice-presidente.

— Ele não foi taxativo, mas argumentou que tem compromissos em Pernambuco e quer se candidatar ao Senado — disse José Jorge.

Na véspera, a tese havia sido defendida pelo deputado Rodrigo Maia (RJ), que sustenta que Maciel poderia unificar a base e enfrentar de igual para igual o petista Luiz Inácio Lula da Silva quando o assunto for a ética.

— Mas nunca defendi a candidatura Maciel contra Serra. Penso que ele poderá ajudar a unificar a base em torno do seu nome. Devemos ficar atentos ao palanque eletrônico, que é mais importante do que o político. Se conseguirmos unir os quatro partidos (PPB, PMDB, PFL e PSDB) teremos 14 minutos na televisão no horário gratuito — disse Rodrigo.

Terceiro mandato para o presidente
Na mesma reunião, também foi novamente cogitada a hipótese de um terceiro mandato para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Dois governadores do PFL, Siqueira Campos (Tocantins) e Amazonino Mendes (Amazonas), já tinham manifestado interesse em realizar consultas aos tribunais eleitorais sobre a possibilidade de uma segunda reeleição em seus estados.

— Essa alternativa poderia reunificar a base com mais facilidade. Uma boa parte do PFL a apoiaria. Mas, para que ela tivesse maior sustentação, uma consulta deveria ter sido feita ao TSE lá atrás — disse o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN).

Pefelistas que participaram da reunião, no entanto, disseram que a proposta foi rechaçada com veemência.

Uns disseram que seria um golpe e outros afirmaram que seria a fujimorização do país, numa referência a Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, que usou esse expediente para chegar ao terceiro mandato.

— Isso é pura especulação, é trololó, mas tem procedência — disse Agripino Maia.

O líder do governo no Senado, Artur da Távola (RJ), tratou logo de descartar a hipótese:

— O presidente não quer saber desse assunto — disse.


Lula diz que aliança de esquerda seria milagre
SÃO PAULO. O sonho do PT de ter o apoio do PPS e do PSB à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva está mais distante. O próprio pré-candidato petista admitiu ontem, em entrevista ao apresentador Jô Soares, que só um milagre é capaz de unir os partidos de oposição ainda no primeiro turno das eleições. No fim da entrevista, porém, Lula deu sinais de que acredita em milagres. Convidado a participar de um debate com os outros pré-candidatos no “Programa do Jô”, Lula aconselhou o apresentador a esperar até o dia 5 de junho, prazo para a realização das convenções partidárias, dando a entender que espera mudanças no quadro eleitoral.

Elogios foram reação a crítica de Ciro Gomes
A questão da candidatura única de oposição surgiu quando Jô exibiu a gravação da entrevista com Ciro Gomes, na qual o pré-candidato do PPS questiona a proposta do PT para combate à fome.

“Pergunte ao Lula onde ele vai arrumar R$ 32 bilhões. Do Orçamento não dá”, disse Ciro na gravação. O Programa Fome Zero, elaborado pelo Instituto Cidadania, da qual Lula faz parte, prevê gastos de R$ 20 bilhões para eliminar a fome no Brasil.

— Engraçado... passo a vida inteira falando bem do Ciro... se até 5 de junho acontecer um milagre, estaremos juntos eu, Ciro e (Anthony) Garotinho (pré-candidato do PSB) — disse Lula, chateado com a crítica do ex-governador do Ceará.

Durante a entrevista, Lula elogiou os adversários, inclusive o senador José Serra (SP), pré-candidato do PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso.

— Eu e os outros três candidatos que estão aí já passamos grande parte da vida dividindo o mesmo palanque.

Não somos inimigos. Temos discordâncias políticas, mas mantenho uma relação de amizade com todos. Se eles fossem de direita, não teria acontecido isso. Pessoalmente, gosto do Serra — disse Lula.

Em julho do ano passado, durante caravana que visitou projetos de agricultura familiar na Região Sul, Lula chegou a admitir que um dia possa a voltar a dividir o mesmo palanque com Fernando Henrique Cardoso.

Respondendo a uma pergunta de Jô sobre a possível manutenção de Armínio Fraga no governo, o petista disse o seguinte:

— Tenho visto ele debater no Congresso e me parece um técnico competente. Mas não concordo com sua filosofia. Se ganharmos, queremos escolher o ministro da Fazenda, os presidentes do Banco Central e do Banco do Brasil. Tem que ser gente com o mesmo compromisso político. Não podemos ter técnicos jogando contra. É por isso que acontecem esses negócios como o do rapaz da privatização (Ricardo Sérgio).

Embora tenha dito que não considera Serra um político de direita, Lula criticou o tucano por não assumir explicitamente a condição de candidato governista.

— Serra está cometendo um equívoco. Ele está tentando passar a imagem de que não é o candidato do governo. O governo, por pior que seja, tem uma máquina poderosa que garante pelo menos 20% dos votos.

Serra deveria assumir a condição de candidato do governo com o ônus e os bônus — disse.

Já no fim da entrevista, depois de insinuar que o quadro eleitoral não está definido, Lula fugiu mais uma vez à sua característica de não comentar as candidaturas dos adversários e provocou o tucano.

— Estão querendo derrubar o Serra. E é gente de dentro. O petista aproveitou o programa para divulgar alguns pontos de seu programa de governo, que só deverá ficar pronto em junho.

Lula disse que, se eleito, pretende renegociar com o Fundo Monetário Internacional apenas os US$ 90 bilhões da dívida externa referentes a pendências de União, estados e municípios.

— Os outros US$ 140 bilhões são empréstimos da iniciativa privada, que foi buscar juros menores no exterior e vai ter que pagar — afirmou o pré-candidato petista.

Lula disse que pretende usar toda sua experiência de negociador, adquirida nos tempos de movimento sindical, para tentar conquistar condições mais favoráveis para o país. Uma das propostas de Lula é criar uma rede de países devedores capaz de negociar com maior peso o reinvestimento nestes países do dinheiro pago pela d


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