CABRAL ACUSA "TECNOBUROCRACIA" DE INVIABILIZAR PROJETOS DA PF PARA AMAZÔNIA
O senador Bernardo Cabral (PFL-AM) acusou nesta quarta-feira (dia 26) a "tecnoburocracia insensível e irracional" da Esplanada dos Ministérios de cortar "tão drasticamente" os projetos da Polícia Federal para defesa da Amazônia, que não poderão mais receber financiamentos de US$ 425 milhões de bancos franceses e alemães. Os projetos, conhecidos pelas siglas Pró-Amazônia e Promotec, constam do Plano Plurianual de Investimentos com menos que 10% do previsto inicialmente.Para o senador, "os burocratas" do governo não têm noção real dos problemas que os traficantes de drogas e de armas e o crime organizado estão provocando ao país, sempre partindo da Amazônia. Cabral lamentou que os funcionários encarregados de cortar verbas federais só pensam "no cumprimento das metas econômicas e das regras estabelecidas pelo FMI" e são os mesmos que quase extinguiram o Projeto Calha Norte.Depois de lembrar que o governo norte-americano está destinando US$ 1,6 bilhão para operações na Colômbia contra o narcotráfico, o senador afirmou que os guerrilheiros e traficantes vão cruzar a fronteira e atuar no lado brasileiro, pois a Bolívia e o Peru também estão contando com a apoio dos EUA. Bernardo Cabral perguntou se "há apenas coincidência" na atuação norte-americana nos três países com o cortes de verbas feitos para cumprir metas fixadas com o FMI.- São fatos e situações isoladas ou estamos assistindo ao desenrolar de um script que tem em seu roteiro, como desfecho final, a desestabilização da Amazônia? - perguntou. Cabral tem denunciado da tribuna do Senado a existência de um movimento, liderado pelos norte-americanos, em favor da internacionalização de parte da região amazônica, sob o argumento de que só assim se poderia preservar seu ecossistema.O Pró-Amazônia e o Promotec, conforme o senador, foram criados para que se possa utilizar todas as informações técnicas obtidas pelos projetos Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e Sistema de Proteção da Amazônia, que envolve as Forças Armadas e o controle de toda a região, com o uso de radares. Com tais informações, a Polícia Federal teria todas as condições de combater os traficantes e pessoas que cometem crimes contra o meio ambiente.Bernardo Cabral afirmou que os projetos de modernização da Polícia Federal trazem rapidamente retorno até mesmo financeiro ao país. Citou que, por causa do contrabando, a arrecadação de IPI sobre cigarros caiu cerca de R$ 600 milhões de 1998 para 1999. Caso continue o contrabando, em quatro anos (mesmo prazo de implantação do Pro-Amazônia e do Promotec) a perda de arrecadação poderá chegar a R$ 2,4 bilhões. E questinou: "se o governo não aprova os projetos de combate ao contrabando, como se espera reduzir a perda dessa arrecadação?" Cabral teve o apoio, em apartes, dos senadores Romeu Tuma (PFL-SP), Gerson Camata (PMDB-ES), Heloísa Helenda (PT-AL) e Romero Jucá (PSDB-RR).
26/01/2000
Agência Senado
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