CABRAL CONCLAMA GOVERNO A APRESSAR OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA



Ao alertar sobre o recrudescimento da cobiça internacional em relação à Amazônia, o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) conclamou hoje (dia 20) o governo a apressar as ações visando ao seu desenvolvimento sustentado. "A Amazônia representa o último vazio demográfico do mundo com riquezas abundantes, e a comunidade internacional se vale de teses esfarrapadas como defesa do meio ambiente e combate ao tráfico de drogas para inibir os esforços nacionais de desenvolvimento", disse.

Cabral citou um estudo elaborado pelo Conselho Empresarial de Assuntos Estratégicos, sob a chefia do General Rubem Bayma Denis, para reforçar seu alerta. "O desenvolvimento da Amazônia faz parte de uma manobra nacional de integração do território brasileiro. Urge acelerar sua ocupação, preservando seus ecossistemas, a fim de que não se pense que ela, por se encontrar vazia, não pertence a ninguém", afirmou o senador, citando o documento.

Para Cabral, é urgente que o governo brasileiro dite as regras e imponha as condições necessárias para a ocupação e o desenvolvimento da Amazônia, registrando sua inabalável decisão de continuar a impedir as manobras internacionais para repartir suas riquezas. "Há quase dois anos, quando alertei para os perigos das madeireiras asiáticas, poucos prestaram atenção. Hoje, todos estão entendendo", destacou.

O senador historiou as tentativas de países como os Estados Unidos de interferir na região. "Mesmo antes de nossa independência, em 1817, o oceanógrafo Mathew Fawry, já aconselhava a criação de um Estado da Amazônia 'protegido' pelo governo norte-americano. A partir da década de 80, as tentativas viraram exigências de preservação do meio ambiente e das populações indígenas. E agora o grande pretexto é o tráfico de drogas", concluiu Cabral, enfatizando que a cobiça permanece a mesma.



20/05/1998

Agência Senado


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