Caciques que apoiaram FHC deixam Serra e apóiam Ciro









Caciques que apoiaram FHC deixam Serra e apóiam Ciro
PFL é maior dificuldade de tucano; 80% apóiam candidato do PPS

Em queda nas pesquisas, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, perdeu o apoio da maioria dos "donos dos votos" -caciques regionais com grande popularidade que ajudaram a eleger Fernando Collor em 89 e Fernando Henrique Cardoso em 94 e 98.

A falta de apoio dos líderes regionais é apontada por tucanos e por adversários como uma das causas do mau desempenho eleitoral de Serra. Ao mesmo tempo, Ciro Gomes, candidato da Frente Trabalhista, vem crescendo nas pesquisas e conquistando diariamente novos aliados.

Pelo menos 25 caciques regionais consultados pela Folha, que apoiaram FHC em 98, não dão hoje seus palanques exclusivamente para Serra. Dezessete deles estão hoje com outros candidatos ou fora da eleição presidencial, como Paulo Maluf (PPB-SP), que decidiu se concentrar na disputa estadual. Os oito restantes dividem seu palanque, como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que na semana passada abriu sua campanha para Ciro.

A maior dificuldade de Serra é conseguir apoios no PFL. O PFL iniciou a campanha dividido entre Serra e Ciro. Hoje, mais de 80% da sigla está com o ex-governador do Ceará.

"Das maiores expressões eleitorais do PFL, apenas os grupos do Hugo Napoleão [governador do Piauí] e do Siqueira Campos [governador de Tocantins] estão fechados com o Serra", contabiliza Saulo Queirós, secretário-geral do PFL. Outros pefelistas, como Cesar Maia (RJ), Marco Maciel (PE) e Amazonino Mendes (AM), declaram voto no ex-ministro da Saúde, mas perderam parte dos aliados para a campanha de Ciro.
Dois motivos são apontados para o distanciamento do PFL em relação ao PSDB. O primeiro é a eleição da Mesa Diretora do Congresso, em 2000, quando os tucanos apoiaram Jader Barbalho (PMDB-PA) em detrimento de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que está rompido com FHC.

Outra razão é a operação policial na empresa Lunus, em São Luís (MA), onde a Polícia Federal encontrou R$ 1,34 milhão e enterrou a pré-candidatura presidencial da pefelista Roseana Sarney. Setores do PFL apontam o dedo de Serra na operação e romperam com o candidato. Líder nas pesquisas para o Senado, Roseana diz em seus comícios para os eleitores votarem em qualquer candidato, "menos no Serra".

Apoio baiano
O caso de ACM é emblemático. Em 98, carregou FHC pela Bahia. Com seu apoio, o atual presidente teve 1,97 milhão de votos, o equivalente a 50,92% do eleitorado baiano à época. Hoje, ACM abraça Ciro. Há duas semanas, desfilou com ele por Salvador.

Desde então, as intenções de voto em Ciro subiram de 12% para 30% no Estado, de acordo com pesquisa Vox Populi. Lula lidera com 42% e Serra tem apenas 7%, um ponto percentual a menos do que Anthony Garotinho (PSB).

"FHC empurrou a candidatura do Serra goela abaixo de seus aliados e desagradou à maioria deles, que preferia o Tasso [Jereissati, ex-governador do Ceará]", afirma ACM. "As alianças com o Tasso seriam feitas com muito mais facilidade. Tenho certeza de que o PFL estaria inteiro com ele e toda a base do governo FHC estaria mantida." Para o ex-senador, que lidera as pesquisas para o Senado com mais de 60% dos votos, FHC "esqueceu o ensinamento de João 23": "Ninguém pode tudo. O presidente achou que podia tudo, até fazer do Serra presidente da República, o que é impossível."

Rival de ACM na Bahia e um dos principais aliados de Serra, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior, discorda que o tucano tenha sido "imposto" por FHC. Para ele, Serra teve dificuldade nas alianças por "representar um processo de mudança para o Brasil, sem espaço para velhas oligarquias". "Essas oligarquias nunca confiaram no Serra por suas brigas com os poderosos, como as indústrias de medicamentos. Por isso, procuraram outros caminhos em candidaturas que dão espaço a suas mamatas e privilégios. Primeiro foi a Roseana, agora é o Ciro", afirma Jutahy. Ele admite que a falta de alianças dificulta a eleição de Serra, porém diz que o tucano não pensa em mudar de estratégia. "Ganhar como o Serra é útil para o país. Ganhar como o Ciro será mais uma frustração para os brasileiros."

Dirigentes da campanha de Ciro, como o deputado João Herrmann (PPS-SP), negam que seu candidato esteja aberto a "mamatas do PFL". Concordam, todavia, que o PFL teve importância no crescimento. "O Ciro é o dono da candidatura. Os aliados irão ajudar a empurrar o ônibus, mas não irão dirigi-lo", afirma Herrmann.
As dissidências não se limitam a PFL e PMDB. Há apoio a Ciro no próprio PSDB. O caso mais explícito é 0 de Tasso Jereissati, que está aliado formalmente ao PPS no Ceará e chegou a elogiar Ciro.

Governador do Estado por três vezes e maior cacique eleitoral cearense, Tasso fez campanha para FHC em 98. E o presidente conseguiu 804 mil votos (30,31%). Chegou em terceiro, mas próximo de Lula (32,84%) e de Ciro (34,24%) -que tem sua base eleitoral no Ceará.

Contrariado com Serra, Tasso liberou seus cabos eleitorais para Ciro, seu afilhado político. O presidenciável tucano sentiu o resultado da oposição do cacique na pele em pesquisa do Ibope concluída na sexta-feira. Ciro lidera com 58%, seguido por Lula, com 29%. Serra tem apenas 3%, um ponto percentual a menos do que Garotinho. É seu pior desempenho em todo o país.


Serra aposta tudo na TV e no rádio
O presidenciável tucano, José Serra, joga sua última cartada no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV para garantir vaga no segundo turno. Sua equipe calcula que ele precisa crescer 13 pontos percentuais nas pesquisas, chegando a 25% nos próximos 55 dias, para atingir o objetivo.

Por esse cálculo, Serra teria de conseguir cerca de 13 milhões de votos em menos de dois meses -pelo menos 236 mil votos por dia até a eleição em 6 de outubro. Mas o problema é achar o tom do discurso para conquistar o eleitor.

Por isso, a equipe do candidato passará esta semana testando, em pesquisas qualitativas, programas já feitos por Serra, que passou boa parte do dia de ontem gravando.

Emprego e segurança serão os pontos-chave do discurso. O apoio de Fernando Henrique Cardoso é assunto considerado vencido, pois o próprio presidente aparecerá nos programas pedindo votos para Serra. "O programa de TV dá ou tira dez pontos percentuais com muita facilidade. É um grave equívoco achar que qualquer um dos candidatos está fora", disse o chefe do comitê eleitoral de Serra, Pimenta da Veiga.

Pode ser, mas a pesquisa do Ibope divulgada na última quinta, na qual Serra caiu três pontos percentuais, deixou perplexa a equipe de campanha. Nos dias que antecederam a pesquisa, Serra gerou uma série de fatos positivos, como o encontro com FHC no Palácio da Alvorada, o almoço com Pedro Malan (Fazenda) e o lançamento do programa de governo.

Paralelamente aos programas de TV, Serra deve centrar fogo no eixo Rio-São Paulo-Minas, três dos maiores colégios eleitorais. Principalmente no Rio, onde o tucano é o último nas pesquisas.
No próximo fim de semana, Serra cumprirá uma programação em Minas preparada por Aécio Neves, apontado nas pesquisas como o candidato favorito ao governo mineiro.


Dólar alto leva FHC a chamar candidatos
Campanha de José Serra pressionou para evitar os encontros; acordo com FMI e transição estão na pauta

A nova alta do dólar após o anúncio do acordo com o FMI levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a convidar os quatro principais candidatos ao Palácio do Planalto para encontros separados ainda neste mês. FHC quer discutir o acordo de US$ 30 bilhões fechado com o Fundo Monetário Internacional e o processo de transição de governo.

A volta da turbulência econômica na última sexta, um dia depois do anúncio do acordo com o FMI, levo u FHC a reconsiderar a hipótese de se reunir com os candidatos. Os contatos começaram a ser feitos no final de semana.

A iniciativa foi confirmada ontem à noite por meio de nota assinada pelo ministro Pedro Parente (Casa Civil). O texto diz que o presidente está "convidando cada um dos principais candidatos à Presidência para conversas sobre a economia brasileira, os entendimentos com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o conteúdo do acordo com o Fundo Monetário Internacional e o papel do acordo no processo de transição para um novo governo".

O presidente sofreu pressão da campanha presidencial do tucano José Serra para evitar esse tipo de encontro, mas a volta da turbulência econômica e a sensação do mercado financeiro de que o candidato governista tem pouca chance de ir ao segundo turno fizeram com o que emissários do Palácio do Planalto estabelecessem os primeiros contatos.

Parente procurou assessores e aliados dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB). Ciro aceitou. Lula também deverá aceitar. E Garotinho disse que vai avaliar e responderá hoje.

Ontem à noite, em São Paulo, o candidato do PPS negou que o contato já tenha sido feito, mas se disse disposto a conversar. "Qualquer cidadão brasileiro, chamado pelo presidente, tem o dever de educação política de atender ao convite", afirmou, para em seguida completar que participaria do encontro "sem reservas".

"O que pega é catapora. Conversa, não", declarou ainda em entrevista à Bandeirantes.

Até a semana passada, a campanha de Serra era contrária ao encontro de FHC com os presidenciáveis. A avaliação era que uma foto de FHC ao lado de Lula e Ciro transmitiria a imagem de que Serra já seria tratado como derrotado pelo Planalto. A cúpula petista também tinha restrições ao encontro por achar que Lula poderia perder a marca de oposição e sua eventual gestão ser vista como continuidade dos anos FHC.

No entanto, Lula sempre deixou claro que, se convidado, não teria como recusar, sob o risco de passar a imagem de intransigente. São boas as relações entre a cúpula do PT e FHC, que já disse a interlocutores que votaria em Lula em um eventual segundo turno contra Ciro.

Já o PT foi o partido de oposição que jogou mais afinado com o governo na negociação com o FMI. O deputado Aloizio Mercadante, um dos principais assessores econômicos de Lula, elogiou a iniciativa. "Acho positivo que o presidente procure os candidatos e que haja uma transição entre esse governo e o próximo."
FHC vem mantendo contato com o PT, em conversas telefônicas com o presidente do partido, José Dirceu. A última ligação ocorreu no final da semana, quando FHC abordou a hipótese do encontro com Lula. Dirceu afirmou que não via nenhum empecilho e discutiu o tema em reunião ontem em São Paulo.

O presidente do PPS, senador Roberto Freire, esteve na semana passada com FHC no Alvorada. Na ocasião, o presidente afirmou que gostaria de conversar com todos os partidos sobre a situação econômica e sobre o acordo. Mas não pediu que o senador fosse intermediário de um convite a Ciro. Àquela altura, FHC preferia não fazer o encontro, na esperança de que o acordo com o FMI derrubasse o dólar para menos de R$ 3.


Itamar é poupado por candidatos em debate na TV
No debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais prevaleceu o confronto com o PSDB estadual e nacional, este encarnado pela gestão de FHC. Nitidamente, gestão Itamar Franco (sem partido) foi poupada. Mesmo a crise financeira do Estado, que foi muito falada, foi tratada pelos candidatos como sendo responsabilidade do governo federal.


Oposição se une para formar frente contra o PT
A formação de uma frente anti-PT nas eleições para o governo do Rio Grande do Sul, mesmo informal, foi a principal marca do debate de anteontem. Os oposicionistas, especialmente Celso Bernardi (PPB) e Antônio Britto (PPS), se uniram para encurralar o petista Tarso Genro. Foram flagrantes as "tabelinhas" entre os dois candidatos.


Chamado de "fujão", Maluf cita Deus e ataca Alckmin
Depois de ter sido chamado de "fujão" por não ter comparecido ao debate da TV Bandeirantes, Paulo Maluf (PPB) partiu ontem para o contra-ataque. Ele disse que "Deus foi misericordioso" com ele e que, em seu dicionário, "não escreveu a palavra medo".

Em sua resposta, Maluf seguiu a estratégia de atacar apenas Geraldo Alckmin (PSDB). Apesar de ter sido criticado por três candidatos anteontem, só o tucano foi eleito como alvo.

"Foge, por exemplo, quem não cuida da segurança", disse sobre o governador, criticando também a atuação do tucano nas áreas da saúde e educação, na geração de empregos e devido à implantação de pedágios.
Maluf também deu a entender que a Rede Bandeirantes errou ao informar que ele teria decidido não comparecer ao debate só na última sexta-feira. Segundo o pepebista, sua decisão já era de conhecimento da emissora desde segunda-feira da semana passada.

Ontem, a Bandeirantes confirmou que fez contatos com a equipe de Maluf desde o começo da semana passada, mas que só foi comunicada na sexta-feira de que ele não iria ao debate.

O pepebista fez as declarações ao chegar ontem à tarde no hotel Maksoud Plaza (centro de SP), lugar escolhido pelo PPB para realizar uma conferência com Willian Bratton, um dos idealizadores do programa de "tolerância zero" adotado em Nova York.

Na conferência, de cerca de duas horas, Maluf falou menos de cinco minutos à platéia de cerca de 500 pessoas, a maioria pepebista. Ele preferiu ouvir Bratton, para quem o modelo adotado nos EUA é útil para combater o crime no Brasil.

Essa é quarta vez que o especialista é convidado pelo PPB para vir ao Brasil durante campanhas de Maluf. A sigla, que pagou cerca de R$ 20 mil para trazer Bratton ao Brasil, deve ter ficado satisfeita. Ontem, Bratton defendeu a importância de haver um "líder político" no combate à violência, disse que vê em Maluf uma pessoa com "esperança e otimismo" de mudar a onda de violência no Estado e que votaria nele, se fosse eleitor em São Paulo.


Movimento negro pede boicote a Ciro
Cerca de 15 entidades do movimento negro participam hoje à tarde, em Salvador, de uma manifestação contra o presidenciável Ciro Gomes, uma semana depois de o candidato da Frente Trabalhista se recusar a ceder o microfone para o estudante Rafael Santos, em debate na UnB (Universidade de Brasília).

Durante a manifestação -uma passeada do Campo Grande à praça da Sé (centro)-, as entidades também vão distribuir à população um manifesto pedindo boicote à candidatura do ex-governador cearense.

"Ciro Gomes demonstrou que não merece o voto dos negros, ao responder de forma irônica e grosseira a um estudante", disse Ivonei Pires, 36, coordenador estadual do MNU (Movimento Negro Unificado).

Na terça-feira passada, quando se discutia o sistema de cotas para negros nas universidades públicas no "Fórum Brasil em Questão - a Universidade e as Eleições Presidenciais", na UnB, o candidato do PPS impediu o estudante Santos de externar a sua opinião e disse que dar voz a ele, quando as regras não previam isso, apenas reforçaria o racismo.

Além da manifestação, que terá as presenças dos dois principais blocos afros da Bahia (Olodum e Ilê Ayiê), o MNU também disse que vai ingressar na Justiça com uma ação contra Ciro Gomes. "Nossos advogados entendem que houve crime de racismo", disse Pires. Ciro Gomes não foi localizado para comentar esse caso específico ontem.

Ontem à tarde, o MNU da Bahia iniciou a postagem de cartas para todas as entidades que lutam pela igualdade racial no Brasil, solicitando que os seus integrantes façam campanha contra Ciro.


"Como ficaria SP com Maluf no governo e um presidente do PT?"
Democracia é a arte da convivência com a diferença. Não tem nenhum problema de você ter um governador de direita num Estado, um de esquerda no outro. Eu gostaria que fosse pelo [candidato do PT ao governo paulista, José] Genoino, agora, se a maioria do povo de São Paulo votar no [Paulo] Maluf, esse povo merece tanto o respeito quanto o outro.


Artigos

Bem-vindo, Paul, mas é tarde
Clóvis Rossi

SÃO PAULO - Paul Krugman transformou-se na estrela do pensamento econômico planetário. Tem todas as vantagens: fala e pensa em inglês, o idioma dominante, leciona na Universidade de Princeton, uma das principais grifes acadêmicas do planeta, e ainda por cima tem uma coluna no jornal "The New York Times", padrão de excelência.

Pois foi essa figura emblemática que escreveu, conforme a transcrição publicada no sábado pela Folha:
"Dez anos atrás, Washington garantiu aos países latino-americanos que, se eles se abrissem para bens e capitais estrangeiros e se privatizassem as estatais, viveriam um grande crescimento econômico. Mas isso não aconteceu. A Argentina está uma catástrofe. México e Brasil eram, até alguns meses atrás, vistos como histórias que deram certo, mas a renda per capita hoje nos dois países está apenas um pouquinho acima do que era em 1980. E, como a desigualdade se agravou muito, a maioria das pessoas provavelmente está em pior situação do que há 20 anos. Podemos nos surpreender pelo fato de a população estar farta de ainda mais chamados por austeridade?".

Krugman confessa que ele também acreditou no tal Consenso de Washington, o que codificou o receituário dito neoliberal. Mas, acrescenta, "agora (...) é hora de avaliar minhas crenças no mercado".

Bem-vindo ao clube, Paul. Você não imagina como foi dura a travessia do deserto para os poucos que nunca caímos no conto do Consenso de Washington.

Os perfeitos idiotas neoliberais, que abundam ao sul do Rio Grande, só faziam repetir slogans importados e rotular de neobobos os que ousavam dizer "o rei está nu".

É bom, pois, contar com alguém que veste a grife Princeton para dizer o que dizíamos apenas com a cara e a coragem. Mas é tarde, Paul. As políticas recomendadas por Washington criaram um campo minado do qual só se sairá com sangue e dor.


Colunistas

PAINEL

Bancar a vítima
A Polícia Federal suspeita que os grampos encontrados na Força Sindical e no comitê de Paulinho foram plantados pelos próprios auxiliares do vice de Ciro.

Contagem regressiva
A cúpula do PMDB considera que, se com duas semanas de horário eleitoral na TV José Serra não subir nas pesquisas, a eleição, na prática, terá acabado para o tucano. A saída, então, será abrir negociações com o PT de Lula para o segundo turno.

Inimigo íntimo
Serra enxergou o dedo de colegas de PSDB nos boatos surgidos na sexta-feira de que renunciaria à sua candidatura.

Ataque especulativo
Depois de desmentir os boatos de que desistiria, Serra sofreu ontem com outro rumor: Nizan Guanaes estaria abandonando a campanha. Ao ouvir a história, o tucano ligou para o marqueteiro. Que negou tudo.

SOS Ibama
Surpresa no prédio de Ciro em Fortaleza: os funcionários acharam uma jibóia no jardim do edifício. O réptil foi morto. A dúvida é como ela chegou lá.

Caso de necessidade
Preocupada com o desempenho de Ciro nas pesquisas, a cúpula do PT pediu ao diretório do Ceará que levante a biografia do presidenciável do PPS.

Pires na mão
A governadora petista Benedita da Silva (RJ) pedirá ajuda ao governo federal para pagar sem atraso o salário do funcionalismo público fluminense.

Coincidência
A contabilidade da Occa (ONG petista), investigada pelo Ministério Público por suspeita de desvio dinheiro de doação, é de responsabilidade do escritório Contécnica. O mesmo que cuida das contas da empresa do vereador Vicente Cândido (PT), fundador da ONG.

Aposta de risco
Boletim divulgado pela Andima (Associação Nacional das Instituições de Mercado Aberto) faz uma projeção otimista da economia brasileira para 2003. O dólar, por exemplo, que ontem fechou a R$ 3,15, seria cotado em média a R$ 2,8. Detalhe: no texto, a entidade diz que Serra deverá vencer a eleição.

Tática FHC
No debate da Bandeirantes, anteontem, Alckmin (PSDB), ao falar sobre a ausência de Maluf, disse que "quem foge ao debate ofende o eleitor". Resta saber se o comentário vale também para o colega tucano Aécio Neves, que não apareceu no de MG.

Nanico de sobra
É tal a popularidade da maioria dos candidatos a governador de SP que a TV Bandeirantes precisou divulgar aos jornalistas que acompanharam o debate no domingo um xerox com a foto e o nome de cada um deles.

Curriculum vitae
João Otávio Noronha, incluído ontem em uma lista tríplice enviada a FHC para a escolha de novo ministro do STJ, é advogado de Ricardo Sérgio de Oliveira -ex-diretor do Banco do Brasil e amigo de Serra- em dois processos no TJ de São Paulo.

A conferir
Ricardo Sérgio é acusado de ter cobrado propina dos vencedores do processo de privatização da Telebrás. Em um processo, que está em andamento na primeira instância do TJ, ele aciona a Editora Abril por injúria e difamação. O outro corre em sigilo de Justiça.

Visita à Folha
Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Vera Thorstensen, assessora econômica da delegação do Brasil em Genebra (OMC), de Paulo de Tarso Jardim, primeiro-secretário, e de Pedro Luiz Rodrigues, porta-voz.

TIROTEIO

De Jutahy Júnior (PSDB-BA), sobre as alianças que sustentam a candidatura Ciro:
- A candidatura de Ciro tem uma concepção semelhante às de Jânio e Collor. Tenta passar uma idéia de modernidade, mas tem por trás as forças mais comprometidas com o atraso. É o truque da roupagem nova em um conteúdo velho.

CONTRAPONTO

Estrela do dia
Ciro Gomes esteve na manhã do último sábado em João Pessoa (PB), onde fez uma caminhada pelo centro comercial da cidade e participou de um comício relâmpago no comitê.

Das cerca de 300 pessoas que foram ao escritório da campanha para prestigiar o discurso do presidenciável, pelo menos metade era formada por cabos eleitorais de João Bosco Carneiro Júnior (PPS), candidato a deputado estadual.

Pela falta de tempo, os organizadores só autorizavam a fala de candidatos a deputado federal, o que foi irritando os simpatizantes de Carneiro Júnior.

A "vingança" veio na saída. Ao acabar o evento, os cabos-eleitorais carregaram o candidato a deputado estadual nos ombros, aos gritos de "Júnior! Júnior!" e de "já ganhou". E nem deram bola para Ciro, que saiu caminhando com certa tranquilidade até o seu carro...


Editorial

ELEIÇÃO SECUNDÁRIA

Para quem assistiu ao debate entre os candidatos a governador do Estado de São Paulo, na TV Bandeirantes, a impressão que restou foi a de um encontro algo caótico, protagonizado por figuras em sua maioria pouco conhecidas e mal preparadas. Nove candidatos participaram do programa, o que tornou as intervenções de cada um muito restritas e pulverizou demais as falas dos principais pleiteantes.

Registre-se que o argumento do excesso de candidatos no debate não serve como justificativa para a ausência, deplorável, do pepebista Paulo Maluf, líder nas pesquisas. Isso porque a assessoria do ex-prefeito da capital há dois meses vinha participando das reuniões que decidiram as regras do programa. Maluf informou que não participaria do debate 48 horas antes do evento.

O debate foi monótono: todos criticavam o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), e o governador, na medida em que o tempo permitia, tentava defender-se. Fora o confronto entre Fernando Morais (PMDB) e Alckmin, o restante do tempo ficou, praticamente, tomado pela intervenção de candidatos "nanicos".

Um debate com nove participantes dificilmente é produtivo para o espectador. Foram poucas as chances que tiveram os candidatos mais competitivos de defrontar-se. Entende-se a preocupação que tiveram os organizadores do debate de não correr riscos na Justiça, mas o resultado acabou sendo pior do que o do debate entre os quatro presidenciáveis, no domingo anterior.

O segundo aspecto a lamentar é o calendário eleitoral, que faz coincidir o pleito presidencial com o dos governadores de Estado, relegando as disputas locais a um inevitável segundo plano. A esse respeito, seria interessante estudar, até, uma mudança de datas para que essa coincidência deixe, no futuro, de sequestrar atenção de eleições importantes como a de governadores.


Topo da página



08/13/2002


Artigos Relacionados


Ciro e Serra

Serra faz de Ciro o alvo

Serra se aproxima de Ciro

Serra sobe e Ciro cai

Serra diz que Ciro é campeão de mentiras

Ciro acusa Serra de agir de má-fé