Cadastro Adoção diz que exigência de famílias com relação ao perfil da criança dificulta o processo
Nesta sexta-feira (25) comemora-se o Dia Nacional da Adoção. Os abrigos que acolhem crianças e adolescentes no País estão cheios, mas ainda assim famílias esperam anos na fila para adotar um filho. A demora nos processos de destituição do poder familiar, em que os pais perdem a guarda e a criança pode ser encaminhada à adoção, explica em parte esse fenômeno. Outro motivo é a diferença entre o perfil das crianças disponíveis e as expectativas das famílias.
Adoção ágil, cidadania garantida
A maior parte dos pretendentes procura crianças pequenas, da cor branca e sem irmãos. Dos 28 mil candidatos a pais incluídos no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 35,2% aceitam apenas crianças brancas e 58,7% buscam alguma com até três anos. Enquanto isso, nas instituições de acolhimento, mais de 75% dos cinco mil abrigados têm entre 10 e 17 anos, faixa etária que apenas 1,31% dos candidatos estão dispostos a aceitar.
Segundo um levantamento realizado em fevereiro deste ano pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), através do CNA, atualmente, o Brasil tem 4.914 crianças e adolescentes à espera de uma família e 27.437 interessados em adotar, uma proporção de quase cinco vezes mais. Quase mil crianças e adolescentes já foram adotados por meio do cadastro, criado em 2008. Antes da ferramenta, que é administrada pelo CNJ, as unidades federativas tinham bancos de dados próprios, o que dificultava a troca de informações e a adoção interestadual.
Para o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Nicolau Lupianhes Neto, é possível perceber uma mudança na postura das famílias pretendentes, que têm flexibilizado o perfil buscado. A principal delas diz respeito à faixa etária: antes a maioria aceitava apenas bebês, mas hoje a adoção de crianças até quatro ou cinco anos de idade está mais fácil.
“A gente observa que isso tem mudado pelos próprios números do cadastro, mas essa transformação não vai acontecer da noite para o dia porque faz parte de uma cultura”, aponta o magistrado. Uma barreira difícil de ser superada ainda é a adoção de irmãos. Apenas 18% aceitam adotar irmãos e 35% dos meninos e meninas têm irmãos no cadastro. A lei determina que, caso a criança ou adolescente tenha irmãos também disponíveis para adoção, o grupo não deve ser separado. Os vínculos fraternais só podem ser rompidos em casos excepcionais, que serão avaliados pela Vara da Infância.
Outros fatores são entraves para que uma criança ou adolescente seja adotado, entre eles a presença de algum tipo de deficiência física ou doença grave, condição que atinge 22% dos incluídos no cadastro.
Fonte:
Agência Brasil
25/05/2012 15:43
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