CAE APROVA INDICAÇÃO DE LOYOLA PARA O BC



Ética, repressão a crimes financeiros, juros e desindexação da economia. Estes foram os quatro grandes temas que dominaram a sabatina do presidente indicado para o Banco Central, Gustavo Loyola, pelos membros da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na manhã de hoje (8). A mensagem presidencial indicando o substituto de Pérsio Arida no comando do BC foi aprovada pela comissão e deverá ser votadapelo plenário do Senado ainda na tarde desta quinta-feira.

Na sabatina a Loyola, os senadores manifestarampreocupações com a conjuntura econômica, a atual política de juros altos, a falta de puniçãopara os bancos e correntistas que operaram "contas fantasmas" e em nome de "laranjas" (pessoas simples que acobertam operações financeiras ilegais de interesse de terceiros), bem como a polêmica surgida por ocasião do anúncio do nome de Loyola para o BC, notícia vazada pela empresa de consultoria MCM, da qual o economista era sócio.

Opresidente indicado para o Banco Central evitou manifestar opiniões sobre questões de governo e do Congresso, como a proposta de uma legislação de "quarentena" para os ex-diretores do órgão, mas procurou colaborar com os parlamentares fixando conceitos e compromissos apresentados como posturas "pessoais", para sua nova gestão à frente do BC (ele foi presidente do banco durante 131 dias, no início do governo Itamar).

Loyola fez uma profissão de fé pela ética, negando enfaticamente procedência ao noticiário de que a MCM teria vazado a informação sobre sua ida para o cargo com as bolsas ainda abertas, no dia 31 de maio. Ele considerou a notícia dada pela empresa de consultoria, da qual era sócio, a seus clientes como"inoportuna", mas contestou qualquer impacto ou efeito sobre mercados nacionais ou estrangeiros. Negou também que a empresa faça qualquer tipo de "lobby" e contestou as notícias sobre contrato que teria sido assinado com a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuidores de Veículos) para um estudo sobre mecanismos de crédito para financiar carros.

A respeito dos crimes financeiros, ele lamentou a morosidade na identificação dos bancos e clientes que operaram "contas fantasmas" ou em nome de laranjas, mas prometeu desenvolver esforços para agilizar a conclusão desses processos e reforçar as propostas para endurecimento da legislação. 

O trabalho de recadastramento de contas feito pelo BC permitiu, segundo Loyola, a redução de 3 milhões de contas bancárias, muitas delas certamente irregulares, na suposição do novo presidente do banco. A respeito da política de juros e câmbio, Loyola garantiu que não haverá mudanças e defendeu essa estratégia como fundamental para permitir a consolidação do processo de estabilização da economia brasileira, em um ambiente de inflação baixa. Ele negou que o governo tenha a intenção de fazer uma recessão. E admitiu que juros altos efetivamente trazem problemas para a economia e as políticas governamentais. Considerou, no entanto, que são "administráveis" e, na atual conjuntura, a única alternativa de que se dispõe para administrar o programa econômico, até que as reformas propostas pelo governo e o programa de privatização apresentem resultados práticos.

Com relação à desindexação da economia Loyola preferiu não avançar informações ou opiniões mais aprofundadas, considerando tratar-se de uma política de governo. Observou, no entanto, que esse passo é um desdobramento natural do Plano Real, sem arriscar quando será efetivamente dado.



08/06/1995

Agência Senado


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