CAE dedica reunião para homenagear Leonel Brizola
O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Ramez Tebet (PMDB-MS), decidiu dedicar a reunião da comissão, previamente agendada para votar pauta de 11 itens, para prestar homenagem ao presidente do PDT, Leonel Brizola, falecido na noite desta segunda-feira no Rio de Janeiro. Em razão da importância de Brizola para a história do país, Tebet pediu a compreensão dos integrantes da CAE para sua decisão de não colocar nenhuma matéria em votação.
O senador pelo Mato Grosso do Sul afirmou que sua admiração por Brizola nasceu a partir da campanha da legalidade, em 1961, para assegurar a posse de João Goulart na Presidência da República. Ele disse ter tido contatos com Brizola em alguns momentos da vida política brasileira, entre os quais a campanha das Diretas Já , no comício da Candelária no Rio de Janeiro, quando representou o seu estado como vice-governador.
- Brizola foi um grande líder da política brasileira. Causou admiração no Brasil por seu espírito ousado, homem valente, corajoso, polêmico, que enfrentava as decisões as mais difíceis. Seu corpo irá descansar ao lado de outros grandes líderes do país, como Getúlio Vargas, em São Borja - afirmou Tebet.
Primeiro integrante da CAE a se manifestar, o senador Roberto Saturnino (PT-RJ) disse que a homenagem era dirigida a um dos maiores líderes políticos do nosso tempo.
- Mesmo com todas as divergências que eu pessoalmente tive em vários momentos, há um reconhecimento de que ele representou não apenas posição política coerente e determinada, com sua personalidade honrada nas funções públicas, como capacidade de liderança extraordinária que manteve o seu nome sempre em evidência, apesar das vicissitudes que passou - disse Saturnino.
Para o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), o falecimento de Brizola representa a perda de um grande líder para o Brasil.
- Como homem sempre apaixonado, tem pessoas que o adoravam e que não gostavam dele. Mas todos o admiravam pela persistência e coerência. Perde-se personalidade que marcou toda uma época. Não é fácil uma pessoa ter as vitórias que ele teve. Foi deputado federal, governador do Rio Grande do Sul e duas vezes governador do Rio de Janeiro, presidente do partido e lutador da causa trabalhista. Embora não tenha sido do PDT, sei que o país perde um dos seus símbolos - disse Suassuna.
O senador Jonas Pinheiro (PFL-MT) solidarizou-se com todos os que prestaram homenagem a Brizola e disse que a morte do presidente do PDT é um assunto que mobiliza o momento nacional. O senador Efraim Morais (PFL-PB) lembrou que Brizola foi o último defensor do trabalhismo, -doutrina que marcou época no país-.
- Brizola tornou-se referência na luta pela liberdade, contra o arbítrio. Está na galeria dos grandes homens públicos do país. Abraço a sua família, solidário e com saudades do grande homem que ficará gravado na história - afirmou Efraim.
Para o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Brizola tinha algumas opiniões polêmicas, mas teve a grande qualidade de ser um líder autêntico, coerente na defesa de suas propostas, como na luta pela legalidade, da volta da democracia no Brasil.
- Estivemos ligados algumas vezes. Na primeira eleição que disputei em Belo Horizonte, dividimos o palanque. Manifesto não apenas o meu sentimento pessoal, mas também de meu partido - ressaltou o senador mineiro.
Ao associar-se às homenagens a Brizola, o senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) destacou que ele marcou muitas posições ao longo dos mais de 50 anos de política, contribuindo muito na discussão dos grandes problemas nacionais.
22/06/2004
Agência Senado
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