CAE VAI DEBATER ALTERAÇÕES ACIONÁRIAS OCORRIDAS NA EMBRAER



A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) decidiu nesta terça-feira (dia 12) convocar o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, e o presidente da Embraer, Maurício Botelho, para prestarem esclarecimentos sobre a venda de 20% das ações da empresa a um consórcio francês. A data da audiência ainda será definida.
O requerimento de convocação partiu do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que se mostrou preocupado com os rumos tomados pela Embraer, considerada por ele como uma empresa estratégica no desenvolvimento de novas tecnologias e na defesa do país. Para Suplicy, o Senado "tem o dever de acompanhar" o que se passa dentro da Embraer e ficar atento a sua estratégia de ação.
Além do presidente da Embraer e do comandante da Aeronáutica serão ouvidos pela comissão, também, o representante dos trabalhadores no conselho da empresa, Claudemir Marques de Almeida, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Antônio Donizete Ferreira. Suplicy quer saber, entre outros temas, como o comando da Aeronáutica tem procurado resguardar a importância estratégia da Embraer e qual a participação da empresa no fornecimento e manutenção das aeronaves da FAB.
Eduardo Suplicy acha que um esclarecimento oficial por parte das autoridades que dirigem a Embraer à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado daria mais tranquilidade a brasileiros que, como ele, têm temor de que uma empresa estratégica e de tamanha importância para o país seja entregue "de mãos beijadas" aos investidores estrangeiros.
O requerimento do senador paulista levou a maioria dos membros da comissão a levantar dúvidas sobre os destinos da Embraer. O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) questionou a validade da operação de venda de 20% das ações da empresa para um consórcio francês. "Essa transação foi eficaz"?, indagou o senador, para quem as autoridades não podem ficar restritas a um mero parecer jurídico, ao se referir ao documento da Advocacia Geral da União que considerou válida a operação de venda.
Já o senador Gerson Camata (PMDB-ES) propôs a realização de uma sessão secreta para ouvir os convocados, como forma de se preservar a própria segurança nacional e os interesses comerciais da empresa em nível internacional. O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF) apoiou o requerimento de Suplicy, mas entende que os convidados devem ser ouvidos separadamente. Pedro Simon manifestou-se contra a proposta e defendeu a realização de uma audiência com todos os convidados. Os senadores Roberto Saturnino (PSB-RJ), Romeu Tuma (PFL-SP), Paulo Souto (PFL-BA), José Alencar (PMDB-MG) e José Eduardo Dutra (PT-SE) também se mostraram favoráveis à convocação das autoridades e dos representantes dos trabalhadores.

12/01/2000

Agência Senado


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