CALMON DIZ QUE BC FEZ INTERVENÇÃO "DESASTROSA", MAS DEFENDE PROER



Em depoimento de três horas à CPI do Sistema Financeiro nesta quinta-feira (dia 19), o ex-controlador do Banco Econômico, Ângelo Calmon de Sá, acusou o Banco Central de ter feito "uma intervenção precipitada e desastrosa" na instituição, mas defendeu o Proer - programa de reestruturação bancária executado pelo BC.Calmon afirmou que o Econômico devia R$ 2,9 bilhões no dia 11 de agosto de 95, mas tinha garantias superiores a R$ 4 bilhões antes da intervenção. "O Econômico não estava quebrado. Ele apenas enfrentava problemas de liquidez. E o Banco Central demorou nove meses para reabrir o banco ao público." Ele atribuiu as dificuldades do banco ao governo federal, entre outras coisas por não reembolsar o Econômico por gastos com o seguro rural e com empresas estatais.Questionado pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que mencionou os processos movidos pelo Banco Central por gestão fraudulenta, Calmon de Sá deu sua versão para cada acusação. Disse que foi surpreendido pelo BC por ter pedido processo baseado em uma operação que recebera aval do Banco Central em 1988. Jader Barbalho interrogou Calmon sobre o banco que ele fundou em um paraíso fiscal (Ilhas Cayman) e para onde remeteu US$ 2,2 bilhões antes da intervenção. O ex-banqueiro explicou que se tratava de resgate de investimentos feitos por estrangeiros em um fundo gerido pela empresa das Ilhas Cayman.Calmon de Sá lamentou que o BC, três meses depois da intervenção no Econômico, tenha mudado sua forma de resolver problemas dos bancos, evitando perdas para correntistas e aplicadores. "O Brasil tinha mesmo que fazer o Proer, como dezenas de países fizeram. E aqui ele custou muito pouco, mal passando de R$ 20 bilhões. O Japão já gastou US$ 500 bilhões nas reestruturação do seu sistema financeiro", disse.Questionado pelo relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), Calmon de Sá afirmou que há no Brasil "uma idéia distorcida do Proer, que ele teria sido feito para ajudar banqueiros". Explicou que se trata de dinheiro do depósito compulsório dos bancos, "e esse dinheiro não pode de forma alguma ser aplicado em educação ou saúde, como afirmam os críticos do Proer". O senador Jader Barbalho lembrou, no entanto, que o depósito compulsório, no fundo, é dinheiro dos correntistas retido no Banco Central. "É verdade", admitiu Calmon.Depois de afirmar que "jamais" voltará a ser banqueiro, Calmon de Sá disse que o lucro dos bancos "é muito pequeno e os riscos muito altos". Acrescentou que o lucro raramente supera 1% dos ativos e, se houver 10% de inadimplência, o banco quebra". Por isso, disse, "banco não empresa dinheiro para uma pessoa enterrar a própria mãe".

19/08/1999

Agência Senado


Artigos Relacionados


Ricardo Ferraço apoia Eliana Calmon e defende mais poderes para o CNJ

Eliana Calmon defende PEC que explicita competência do CNJ para investigar e punir juízes

José Nery defende intervenção no DF

Armando Monteiro defende fim da intervenção no Mercantil

DEPUTADO DEFENDE COOPERATIVISMO SEM INTERVENÇÃO DO ESTADO

Gerson Camata defende intervenção da OEA na Colômbia