Câmara priorizará a segurança
Câmara priorizará a segurança
O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, do PSDB, garantiu ontem que a instalação da Comissão Permanente sobre Segurança Pública será uma das primeiras medidas no retorno dos trabalhos parlamentares. O Congresso Nacional reabrirá no dia 15 de fevereiro, quando a decisão será submetida ao plenário. Como a mesa diretora da Câmara já aprovou o projeto de criação, falta apenas a apreciação dos deputados. A expectativa é de que a comissão esteja em funcionamento a partir de março.
Existe uma comissão que trata da segurança na Câmara dos Deputados, mas, como foi criada em caráter temporário, motivada pela CPI do Narcotráfico, funcionou por pouco tempo, em 2001. Com o fim da CPI, ela ficou esvaziada e não tomou nenhuma medida que mudasse questões relativas à segurança no país. A Câmara espera que a nova comissão, que será permanente, estimule propostas para diminuir a violência no Brasil, além de servir como um órgão fiscalizador da segurança pública.
Aécio acredita que o comitê permanente será criado em fevereiro. Segundo ele, há 118 propostas sobre segurança tramitando na Câmara. Após a votação pelo plenário, restará a indicação dos parlamentares que irão compor a comissão. Devido à prioridade do assunto, a previsão é de que os partidos demorem no máximo 15 dias para fazer as indicações.
Oposição comemora adesão do PDT
Líderes acreditam que haverá ampla aliança se o PT for o adversário no 2º turno da eleição ao Piratini
Os partidos que fazem oposição ao governo do Estado não têm dúvidas de que estarão juntos no 2º turno das eleições deste ano caso o PT seja um dos adversários. Porém, não concordam com a formação de frente anti-PT porque não permitiria o debate de propostas. Os presidentes de PPB, PMDB, PDT, PTB, PSDB e PPS acreditam que será natural a unidade da oposição num eventual 2º turno contra o PT e comemoram a adesão dos pedetistas, que, em 1998, contribuíram decisivamente para a vitória de Olívio Dutra.
O presidente do diretório estadual do PDT, deputado federal Airton Dipp, afirmou ontem que o partido está convicto que o vereador José Fortunati reúne todas as condições para chegar ao 2º turno. 'Se isso não ocorrer, temos outra certeza: não apoiaremos o PT', enfatizou Dipp. Para o presidente estadual do PMDB, Cezar Schirmer, o partido deverá estar ao lado de qualquer candidato de oposição que disputar contra o PT. 'Este governo deixou a desejar administrativamente porque foi muito ruim e politicamente por ser estreito', destacou, ao lembrar o que considerou de tratamento desrespeitoso o que o governo fez com o ex-aliado PDT.
O presidente estadual do PPB, Celso Bernardi, concordou com a idéia que todos os partidos de oposição devam se unir para contrapor a proposta do atual governo. Segundo ele, esse será o caminho natural do 2º turno, com a vantagem de que os trabalhistas estão aliados. O presidente estadual do PPS, deputado Nelson Proença, afirmou que o partido se negaria a participar de qualquer proposta que tenha o caráter de anti-PT.
'Defendemos um projeto para o desenvolvimento do Estado e estaremos ao lado de quem compartilhar conosco', anunciou. Proença disse que o PPS está disposto a se aliar aos partidos que têm a mesma visão ideológica para construir uma nova proposta de governo.
Essa também é a posição do presidente estadual do PTB, Iradir Pietroski, para quem o apelo mais forte para enfrentar o PT no 2º turno seria a elaboração de projeto que resgate o desenvolvimento do Estado. 'Precisamos mudar o quadro de estagnação implantado por este governo', enfatizou. O presidente estadual do PSDB, deputado federal Nelson Marchezan, defende formação de frente 'a favor do Rio Grande do Sul' para oferecer alternativa melhor do que a atual. 'Muito mais do que ganhar do PT nos interessa devolver à sociedade gaúcha a perspectiva de crescimento', justificou Marchezan.
Gaúchos se manifestam contra o assassinato
O PT gaúcho realizou ato público no final da tarde de ontem, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, para marcar a indignação com o assassinato do prefeito paulista de Santo André, Celso Daniel. Líderes de entidades, parlamentares, militantes e dirigentes do partido protestaram contra os atentados que vêm ameaçando integrantes do PT pelo país e exigiram a investigação e a punição dos culpados.
O secretário-geral do partido, Chico Vicente, disse estar convencido de que existe uma organização criminosa por trás dos atentados. 'Em apenas quatro meses, dois prefeitos foram mortos e quatro lideranças sofreram atentados. Isso não é coincidência', afirmou. De acordo com o deputado federal Henrique Fontana, o PT está sofrendo esses ataques pela forma de governar que contraria os interesses das elites. Na sua avaliação, 'esse é o crime número um que o Brasil quer descobrir'.
O prefeito de Gravataí, Daniel Bordignon, destacou que os administradores municipais são alvos mais fáceis para os criminosos. 'Precisamos redobrar os cuidados com a segurança', alertou. Segundo o vereador Estilac Xavier, o partido vai tomar medidas preventivas, mas os riscos deverão aumentar com as eleições deste ano. 'O discurso violento que a oposição faz ao PT pode ser um estímulo, uma autorização subjetiva à violência', comentou. O deputado Marcos Rolim cobrou conduta mais efetiva do governo nas investigações. 'A Polícia Federal já deveria estar à disposição no caso', disse.
Alckmin não descarta hipótese
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, informou ontem que não está descartada nenhuma hipótese no caso do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT. Embora as indicações sejam de seqüestro, também é avaliada a possibilidade de crime político e de possível ligação com o assassinato do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, em setembro de 2001. Alckmin disse que a Polícia Federal e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República colaboram nas investigações sobre a organização Forças Armadas Revolucionárias Brasileiras, que reivindicou a autoria do assassinato de Toninho.
Dirceu vê PT como vítima de ódio
Sem citar nomes ou partidos, o presidente nacional do PT, José Dirceu, criticou ontem publicitários que 'pregam o ódio' contra o PT. 'São mercadores da morte', ressaltou. Segundo ele, os integrantes do partido não vão se amedrontar com a violência. 'Não estamos preocupados com os nossos prefeitos, mas com a população', disse. Ele afirmou que o Brasil vive uma guerra civil e o governo federal 'sabe que é preciso resolver isso'. Para Dirceu, ao contrário do que ocorreu no caso envolvendo o apresentador Silvio Santos, a Polícia se omitiu no seqüestro e assassinato do prefeito de Santo André, Carlos Daniel. O deputado afirmou que o PT não pode achar que os seus prefeitos têm sido vítimas da violência por acaso.
Jornais europeus referem crime
O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, foi tema de reportagens em jornais europeus ontem. Segundo o diário britânico Financial Times, a morte de 'um líder oposicionista em São Paulo no final de semana gerou protesto público contra a crescente violência que poderia ter implicações para o governo' nas eleições de outubro. O jornal publicou ainda que a 'ampla consternação e indignação' provocada pelo crime poderá atingir os índices de popularidade dos governos federal e estaduais. O jornal espanhol El Mundo lembrou que se trata do segundo prefeito do PT assassinado em menos de quatro meses e referiu a comoção da opinião pública.
Lula acha que planejaram morte
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse on tem, em discurso no Paço Municipal de Santo André, estar convencido de que a morte do prefeito Celso Daniel, ocorrida domingo, foi planejada. 'Tem gente graúda por trás disso', afirmou. Lula declarou que o PT não será derrotado. 'Ele se encontrará com Mariguella, Guevara, Paulo Freire, Henfil, Betinho, Chico Mendes, Toninho e os sem-terra, que lá fazem não um acampamento, porque a reforma agrária já existe, mas plantam e produzem alimentos com dignidade', enfatizou. O líder petista disse ainda que, assim como Daniel, 'teremos companheiros no ABC, no Brasil e no mundo lutando por justiça'.
Olívio não acredita que houve acaso
O governador do Estado, Olívio Dutra, afirmou ontem, em São Paulo, que há fortes suspeitas de que o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, não foi por acaso. Assim como a maioria dos dirigentes petistas, acredita que o assassinato teve motivação política. 'Não é possível estarmos à mercê desse tipo de crime', disse.
Segundo Olívio, a morte de Daniel representa perda irreparável e o momento exige reflexão por parte de todos os governantes. Ele declarou que a segurança merece atenção redobrada e são necessários investimentos na área da segurança pública e em políticas sociais. O governador esteve ontem no enterro do prefeito de Santo André.
Prefeitos do RS se preocupam
O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, deixa apreensivos também os prefeitos do partido no interior do Estado, que já estudam a criação de sistema próprio de segurança. A discussão começa por Caxias do Sul e deve ser levada hoje às demais prefeituras do PT gaúcho. O secretário de Administração de Caxias do Sul, Rudimar Caberlon, disse que a principal preocupação fica em torno da legalidade da estrutura pensada. Em Pelotas, o prefeito em exercício, Mário Filho, do PSB, afirmou que ele e o prefeito Fernando Marroni, do PT, receberam ameaças. Mário Filho contou que isso levou à adoção de ações de segurança especiais para os dois.
Resumo
Prisão - 'A sociedade está perdendo a batalha para o crime organizado', lamentou ontem o presidente do Congresso Nacional, senador Ramez Tebet, do PMDB. Ao comentar o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, Tebet disse que até a adoção de prisão perpétua no país deve ser pensada.
Desigualdade - O presidente interino do Superior Tribunal de Justiça, ministro Nilson Naves, divulgou nota ontem lamentando o assassinato de Celso Daniel. Para Naves, a principal causa da violência é a desigualdade social.
Concorrência - O presidente nacional do PSDB, José Aníbal, ressaltou ontem que o crime organizado concorre com o Estado. Para ele, a Polícia em SP precisa de 'mais ação, tecnologia, serviços de pesquisa e inteligência'.
Ajuda - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, afirmou ontem que avaliará o que pode fazer para ajudar o governo de São Paulo e o Ministério da Justiça no combate à violência.
Inquérito - O delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, designou ontem o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa Humana para conduzir o inquérito que investiga o assassinato do prefeito Celso Daniel.
OAB - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Machado, criticou ontem a Polícia de SP ao chegar ao velório do prefeito de Santo André, Celso Daniel. 'Compete à Polícia, que não foi eficiente na prevenção deste crime, que atue na repressão', cobrou.
Pacto - A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, pré-candidata a governadora de SP, defendeu ontem pacto de forças da sociedade para combater a violência e o crime organizado.
Oportunismo - O presidente da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais do Estado de SP, Alencar Burti, disse ontem temer que o aumento da violência seja usado como 'oportunismo político' nas eleições. Ele ressaltou que essa discussão não deve se limitar às autoridades, mas se estender à sociedade.
Federal - A segurança pública não é questão regional ou partidária, mas do governo federal na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Horácio Lafer. Ele afirmou que FHC deverá liderar o enfrentamento da crise.
Política - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luís Marinho, acredita que o seqüestro e a morte de Celso Daniel estão relacionados à política. 'Os governos do PT vêm incomodando os criminosos', disse.
Plano - A deputada Zulaiê Cobra, do PSDB, criticou ontem as ações da área de segurança do governo Fernando Henrique. Ela condenou o plano nacional de segurança pública, que não tratou da unificação das polícias.
Vice - O vice-prefeito de Santo André, João Avamileno, do PT, toma posse às 10h de hoje como prefeito. Ele declarou que usará colete à prova de bala. Para Avamileno, o assassinato de Celso Daniel teve motivação política.
Zeca: problema não é só de SP
O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, disse ontem que a onda de violência que atinge São Paulo é problema de todo o Brasil e não apenas daquele estado. 'É preciso que algo seja feito porque nós estamos perdendo essa guerra', ressaltou Zeca do PT, que chegou por volta das 10h à Câmara Municipal de Santo André para acompanhar o velório do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Assim como grande parte dos líderes do partido, Zeca do PT acredita que Daniel foi vítima de crime político. O governador afirmou ainda que está disposto a acompanhar o presidente nacional do partido, José Dirceu, em audiência que será realizada hoje, em Brasília, com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ciro propõe modelo contra a violência
O pré-candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, enviou nota ontem, de Boston, nos Estados Unidos, lamentando a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Ciro disse que está propondo no seu programa de governo novo modelo de segurança pública. Entre as medidas estão a federalização de vários tipos de crimes, aumento do efetivo da Polícia Federal, reforma do processo penal e união das polícias estaduais. O pré-candidato ressaltou que 'quando a ação do crime organizado invade o estamento político, vitimando seus líderes, é porque a marginalidade se imagina mais forte do que a autoridade'.
Ferreira defende cruzada nacional
O ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, defende uma cruzada nacional contra o crime. Para ele, uma das formas de homenagear o prefeito Celso Daniel, do PT, assassinado domingo, é não permitir a impunidade. 'Vamos organizar movimento juntando todos os partidos, governos, Judiciário e Ministério Público numa guerra nacional contra o crime organizado', conclamou.
Ferreira afirmou ter conversado com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para que haja ação articulada contra a violência. 'Estou convencido de que os criminosos não atuam num estado só. É preciso troca de informações num serviço de inteligência altamente competente e coordenado em nível nacional', disse, garantindo que a Polícia Federal está pronta para isso.
Garotinho: FHC não criou plano
O governador do Rio, Anthony Garotinho, do PSB, disse ontem, em Belo Horizonte, que o presidente Fernando Henrique Cardoso não tem plano nacional de segurança, mas programa de distribuição de verbas. 'É cedo para opinar sobre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e não acredito que devamos explorar essa situação', ponderou. Ele relatou índices relacionados à segurança que obtiveram melhora nos seus três anos de governo. Garotinho se encontrou ontem com empresários mineiros, quando relatou projetos econ
Artigos Relacionados
Armando Monteiro priorizará reformas no Senado
Segurança em piscina é tema de projetos em tramitação na Câmara
CCJ aprova mudanças da Câmara em Fundo de Segurança Pública
Consultorias do Senado e da Câmara selecionam projetos relacionados a segurança
Tebet envia projetos sobre segurança para a Câmara
Câmara Temática de Segurança da Copa 2014 se reúne em Porto Alegre