Camata denuncia campanha contra Aracruz



O senador Gerson Camata (PMDB-ES) denunciou uma campanha difamatória contra a Aracruz Celulose no Espírito Santo. "Trabalhada cavilosamente na Assembléia Legislativa", a campanha começou no ano passado, com a promulgação da lei que proibiu o plantio de eucalipto no estado para utilização na indústria de celulose.

O parlamentar disse que a campanha continua agora com o requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), inspirada em "uma ação civil pública de objetivos duvidosos". A ação denuncia várias instituições e autoridades de favorecimento à empresa na concessão de licença de instalação de uma nova fábrica.

Para o senador, a proibição do plantio de eucalipto para a fabricação de celulose no Espírito Santo é inconstitucional, já que todo agricultor tem o direito de usar sua terra para plantar o que ele quiser, desde que não sejam culturas proibidas. A proibição, segundo o parlamentar, jogou por terra "um extraordinário programa de fomento florestal" que vem sendo realizado pela Aracruz Celulose há mais de uma década, beneficiando mais de 2 mil pequenos produtores rurais em 50 municípios capixabas e também da Bahia e Minas Gerais.

- É risível a proibição de plantio do eucalipto para um fim específico, como pretende um legislador capixaba. Será que o eucalipto destinado à produção de celulose destrói o meio ambiente e a economia rural, enquanto aquele utilizado em outras finalidades não exerce nenhum efeito deletério? Trata-se, como vemos, de medida jocosa, mas que tem implicações trágicas, já que põe em risco a expansão de uma atividade relativamente nova no país e que poderia representar uma importante fonte de receita para a combalida agricultura capixaba - afirmou Camata.

O senador informou que a Aracruz Celulose faturou US$ 574,3 milhões em 2001 com a venda de 1,3 milhão de toneladas de celulose, atingindo um lucro líquido consolidado de R$ 210,6 milhões. A inauguração da nova fábrica ampliaria suas exportações para cerca de US$ 1 bilhão ao ano. A empresa exporta 95% do que produz.

A construção da terceira fábrica é hoje, segundo Camata, o maior investimento privado do país realizado por uma única empresa, englobando recursos de aproximadamente US$ 800 milhões. A empresa gera 4.831 empregos diretos, entre próprios e terceiros permanentes, e cerca de 50 mil empregos indiretos.

Camata informou ainda que a área utilizada no Brasil para plantio de florestas comerciais é de 0,7% do território, ou 6,2 milhões de hectares, mas chega a 63% na Finlândia, 65,5% na Suécia, 24,6% no Canadá e 20,9% nos Estados Unidos. Ele ressaltou que 40% do território capixaba são ocupados por pastagens, dos quais 30% são áreas degradadas, próprias para o plantio de eucaliptos.

O senador comunicou ainda que a empresa deverá ingressar com ação contra a proibição do plantio no Supremo Tribunal Federal (STF), com o apoio da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em aparte, o senador Ricardo Santos (PSDB-ES) lembrou a "grande vocação para a silvicultura" do Espírito Santo, enquanto o senador Paulo Hartung (PSB-ES) disse que Camata, quando governou o estado, sempre foi zeloso nas questões ambientais.



06/03/2002

Agência Senado


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