CAMPOS DEFENDE A CRIAÇÃO DE BOLSA DO MERCOSUL
Para ampliar os negócios da Bolsa de Mercadorias e Futuros, o senador Júlio Campos (PFL-MT) defendeu sua proposta de criação de uma Bolsa do Mercosul, para captar os investimentos estrangeiros que, hoje em dia, não podem ser feitos na BMF. "Embora formada pelas corretoras brasileiras, nessa nova bolsa os contratos seriam feitos em dólar, para contornar as apreensões do governo quanto à perda de controle sobre os fluxos monetários, considerados indispensáveis para a manutenção do Plano Real", explica.
Para Campos, a BMF brasileira reivindica, com justiça,alargar a base de seu mercado através da participação de investidores estrangeiros em seus negócios. Ponderou o senador que, como o governo negou uma participação direta, a BMF apresentou aalternativa de criar uma espécie de filial, uma Bolsa do Mercosul, sediada no exterior, mas com seus negócios realizados pelas corretoras brasileiras, mediante terminais de vídeo ou no próprio pregão da Bolsa em São Paulo.
Esclarece, entretanto, que os negócios dessa filial seriam separados dos da BMF, por serem restritos a investidores estrangeiros e operados em dólar.
- Trata-se de uma proposta simples que, sem pleitear subsídios ou privilégios do governo, possui o potencial de transformar o Brasil no líder da negociação de derivativos referenciados em produtos do Mercosul, usando a capacidade já instalada da indústria brasileira de liquidez e corretagem em Bolsa - comentou.
Júlio Campos alerta para o fato de que, se o Brasil abrir mão dessa iniciativa, estará transferindo a oportunidade a terceiros. "Interesses não faltam, como se viu no recente acordo entre a Chicago Board of Trade e o Merval, da Argentina. Estamos perdendo uma oportunidade única, pois é sabido que a liquidez, uma vez instalada num mercado, dificilmente pode ser transferidapara outro. Perderia, assim, a indústria de corretagem nacional que tanto investimento próprio já fez, em tecnologia avançada e especialização de pessoal", assinalou.
O senador por Mato Grosso exortou o governo a aceitar a proposta da BMF, evitando o imobilismo e assumindo uma postura de somar esforços, dividindo as responsabilidades com a iniciativa privada. "Enquanto o governo cuida das carências sociais do país, não deve descuidar do lado mais dinâmico e avançado da economia, que inclui a complexa indústria de liquidez e intermediação. Na verdade, ela pode ter um papel fundamental na arrancada para superarmos atrasos, carências, marginalidades e vazios de desenvolvimento", conclui.
23/04/1998
Agência Senado
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