Candidatos debatem agricultura
Candidatos debatem agricultura
Reunião promovida em Brasília pela CNA, em parceria com o Canal Rural, da RBS, abordou temas do setor
O debate promovido pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Canal Rural, foi marcado pela promessa de dar prioridade ao agronegócio.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS), José Serra (PSDB) e Anthony Garotinho (PSB) prometeram lutar por uma reforma tributária que desonere a produção e reduzir ou zerar os impostos incidentes sobre a cesta básica.
No primeiro bloco, cada candidato apresentou propostas gerais. Garotinho prometeu quatro choques: de crédito, com a queda dos juros de 8,5% ao ano para 7% em 2003 e 6% nos anos seguintes, de tecnologia, de mercado e de renda. Serra prometeu gerar 3 milhões de empregos no setor, melhorar a renda no campo e avançar na luta contra o protecionismo externo. Lula se comprometeu a investir em tecnologia, a procurar novos mercados para os produtos brasileiros e a financiar máquinas usadas para os pequenos produtores. Ciro disse que, se eleito, vai desonerar a produção, ampliar a oferta de crédito e investir em biotecnologia.
Garotinho manteve sua postura crítica em relação aos adversários e ao governo Fernando Henrique Cardoso. Sempre que podia, afirmava que os concorrentes não haviam respondido às perguntas formuladas pelos agricultores. Lula defendeu o aprofundamento da reforma agrária e mais crédito para o agricultor.
– É plenamente possível fazer a reforma agrária sem ocupações e sem violência – disse Lula.
Ciro lembrou o aumento da carga tributária durante o atual governo, passando de 27% para mais de 34%.
– E teria chegado a 45% se todos pagassem o que está na lei – disse.
Serra voltou a citar a escolha do modelo de TV digital a ser adotado pelo Brasil como um instrumento para forçar os países desenvolvidos a comprarem produtos brasileiros.
O esperado embate entre Ciro e Serra, depois das trocas de farpas no horário eleitoral gratuito, restringiu-se aos bastidores. Para os telespectadores ficou a imagem de um debate marcado pela cordialidade, sem agressões e sem nenhum pedido de direito de resposta. Em nenhum momento a jornalista Ana Amélia Lemos, mediadora do debate, precisou advertir os candidatos.
Ciro e Serra não se cumprimentaram nem na chegada, nem na saída. Rijo, Serra posicionou sua cadeira de maneira a ficar de costas para a de Ciro. O candidato da Frente Trabalhista, por sua vez, virava o rosto a cada momento em que Serra ameaçava voltar-se para seu lado.
Nenhum dos dois foi capaz de evitar as caretas enquanto o outro falava. Serra, por exemplo, estalou a boca quando Ciro criticou aqueles que apresentam metas para geração de emprego. Ciro retribuiu com outro muxoxo ao ouvir Serra pregar o boicote ao trigo argentino, proposta que, logo depois, chamou de “equívoco grosseiro”.
Sentado entre os dois, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que já disse querer “paz e amor”, selou um pacto com Ciro no debate. Lula e Ciro conversaram antes e durante o encontro. O auditório da CNA, que tem capacidade para 90 pessoas, ficou lotado de produtores rurais. No entanto, como cerca de 200 jornalistas se credenciaram para cobrir o evento, a CNA montou duas salas especiais para a imprensa, com telões.
Um telão instalado na Casa RBS e outro no auditório da Farsul na Expointer, em Esteio, permitiu aos expositores assistirem ao debate. O ex-secretário da Agricultura José Hermeto Hoffmann, que assistiu ao debate na Casa RBS, achou que o confronto foi “morno”.
– Lula está freiado – comentou o ex-secretário, insatisfeito com o desempenho do candidato do PT.
Espaço nobre para a agricultura
A agricultura saiu da cozinha e conquistou a sala de visitas. A avaliação do presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, resume a sensação de dezenas de dirigentes de federações rurais convidados para assistir ao debate presidencial realizado ontem pela entidade em parceria com o Canal Rural.
– Reconheceram que nós existimos – afirmou o presidente da Federação da Agricultura do Ceará, José Ramos Toni de Mello Filho.
Promessas como a redução da taxa de juro no crédito agrícola e a desoneração da cesta básica não chegaram a entusiasmar uma platéia formada por gente com décadas de experiência em gabinetes do governo federal. O que encantou o público foi a possibilidade de ver a agricultura efetivamente na agenda dos principais candidatos à Presidência da República. Entre os quatro participantes estava o futuro presidente, que não poderá esquecer a frase que foi a tônica entre todos os que ocuparam a mesa do auditório da CNA: a saída para os problemas do Brasil passa pela agricultura.
Dirigentes como o presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Meneghette, festejaram a oportunidade de o setor promover o debate e não apenas expor as questões que angustiam os produtores, como as dificuldades de acesso ao crédito e a ameaça representada pelo protecionismo agrícola. Os quatro candidatos firmaram uma espécie de compromisso com o setor, que sempre reclamou de ficar em segundo plano e representar uma espécie de apêndice do Ministério da Fazenda. Muitos consideraram evasivas as respostas dos quatro candidatos. De Salvo, o anfitrião, não escondeu a frustração pela falta de respostas objetivas, mas valorizou o espaço nobre para a agricultura brasileira em um encontro que levou 315 jornalistas à sede da CNA.
Nos bastidores, ruralistas fazem críticas a Lula
Nos bastidores do debate promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Canal Rural, da RBS, o candidato presidencial do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, teve um encontro com o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto.
Tão logo terminou o debate, dirigentes das principais federações do país conversaram reservadamente numa sala e aproveitaram para tecer críticas ao petista. As mais duras e cheias de ironia partiram de Sperotto.
– Não vão dizer desta vez que eu bebi (lembrando um incidente no Palácio Piratini, quando foi acusado em nota oficial do governo de estar alcoolizado). Só tomei um copo de suco de abacaxi. Lula continua sendo Lula – disse.
Questionado sobre a afirmação, Sperotto aproveitou para criticar o petista, que dava entrevista numa sala próxima.
– É uma política comunista, que exclui e não soma. No meu Estado, eles representam o atraso – afirmou.
Ao encerrar a entrevista, Lula quis tomar um café. Cercado de repórteres, só teve tempo de chamar sua mulher, Marisa, antes que ela descesse. Acompanhado do candidato a vice, José Alencar (PL), e de Marisa, Lula foi até a sala dos ruralistas. Enquanto permaneceu na sala, conversou somente com Sperotto, que não quis revelar o teor da conversa.
– Conversamos amenidades – disse.
As críticas de Sperotto ao PT não foram isoladas. Nos corredores da CNA, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, João Martins da Silva Júnior, fazia uma avaliação crítica do debate, também com críticas a Lula:
– Lula apenas recebeu uma roupagem nova. Ele se trai nos detalhes, como por exemplo, quando aborda questões como a reforma agrária. Disse que é o único capaz de promovê-la sem conflito. Como? Só se o governo tiver muito dinheiro para desapropriar terras.
O ruralista ainda aproveitou para declarar seu voto em Ciro Gomes (PPS), que dividiu com José Serra (PSDB) a preferência dos produtores presentes ao debate. Coube a Alencar responder às críticas dirigidas a Lula. Empresário do setor têxtil, conversou com vários dos líderes rurais que e stavam na sede da CNA.
– Tenho feito viagens pelo Brasil afora, conversando inclusive com produtores rurais. Há sempre um diálogo altamente positivo em favor das propostas do Lula – afirmou Alencar.
Sobre as declarações irônicas de Sperotto, respondeu:
– É bom que Lula continue sendo Lula. É sinal de que ele continua bom, porque ele sempre foi bom.
Ciro e Freire divergem sobre assessor
O candidato do PPS disse em entrevista que presidente da sigla acabou engolindo a pílula lançada pela imprensa
O candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, afirmou ontem que o presidente do seu partido, senador Roberto Freire (PE), se equivocou ao criticar as idéias defendidas pelo professor da Universidade de Princeton e economista José Alexandre Scheinkman, que passou a integrar a sua assessoria econômica.
Em entrevista ao telejornal Bom Dia, Brasil, da TV Globo, na qual teve de voltar a explicar as declarações ácidas que diz terem sido manipuladas num esforço para produzir “um mostro”, Ciro disse que Freire não conhece o economista e “acabou engolindo a pílula lançada pela imprensa, que logo se apressa”.
De acordo com Ciro, as idéias de Scheinkman não se opõem às suas idéias, principalmente no tocante à relação comercial do Brasil com os demais países.
– A questão básica que o professor Scheinkman defende, com a qual estou de acordo, é que o Brasil precisa aumentar brutalmente a sua presença no comércio exterior – disse o candidato do PPS.
Questionado sobre a frase “o mercado que se lixe”, Ciro repetiu a explicação de que foi usada fora de contexto. Antes, porém, disse aos jornalistas que citavam a imprensa escrita para fundamentar a pergunta que eles não deveriam acreditar nos jornais.
Em vários momentos, interveio e pediu para que o deixassem apresentar a sua versão e concluir suas explicações. Depois de explicar a sua frase sobre o mercado, reafirmou que não será “domesticado”:
– Não há força humana que me leve a ser domesticado para engolir os fundamentos de um programa que entregou o Brasil ao interesse financeiro internacional.
Em relação à promessa de construir 300 mil casas populares por ano, Ciro disse que os recursos poderão vir de várias áreas do governo federal. Na entrevista, apontou dois exemplos: a verba destinada para o custeio de passagens aéreas e diárias para autoridades e funcionários e os recursos reservados para propaganda oficial.
Hoje, o Bom Dia, Brasil entrevistará o candidato do PSB, Anthony Garotinho.
Rossetto se licencia do cargo de vice-governador
A 39 dias das eleições, o vice-governador Miguel Rossetto pediu ontem licença do cargo. Neste período, Rossetto se dedicará integralmente à campanha política novamente como candidato a vice-governador na chapa liderada por Tarso Genro (PT).
O anúncio foi feito ontem à tarde pelo governador Olívio Dutra. Até o dia 6 de outubro, quando Olívio se ausentar, assume o Executivo o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador José Eugênio Tedesco.
No ato realizado com a presença de todo o secretariado, Rossetto assinou a solicitação de afastamento do cargo à Assembléia Legislativa sem remuneração.
Conforme Olívio, a iniciativa evidencia o respeito do governo ao espaço público. No ato, Olívio observou que todo o Rio Grande do Sul tem sido beneficiário de uma política de crescimento econômico acima da média nacional e inclusão social.
– Miguel Rossetto quer se dedicar por inteiro à chapa que deseja aprofundar e aperfeiçoar a partir de janeiro do ano que vem todos estes ideais – disse.
Durante o ato no Palácio Piratini, Rossetto distribuiu um documento. Na carta diz que “por termos persistido em nossos compromissos podemos comemorar, entre outros, a maior safra da história, um crescimento industrial sete vezes maior que o do país, o maior salário mínimo regional”.
– Agora é o momento de encontrarmos o nosso povo e sermos avaliados. Para isto estou me licenciando do cargo – disse.
Juízes do TRE do Acre abrem mão de sigilo
Os cinco juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Acre que votaram pela cassação da candidatura à reeleição do governador Jorge Viana (PT) anunciaram ontem em nota oficial que abrem mão de seus sigilos bancário, telefônico e fiscal.
A atitude dos juízes é uma reação às insinuações por parte de líderes do PT de que haveria suposta ingerência do crime organizado no Judiciário do Estado. A candidatura de Viana foi impugnada, assim como seu nome considerado inelegível pelos próximos três anos, depois da apreciação de uma ação proposta pelo Movimento Democrático Acreano (MDA), liderado por Flaviano Melo (PMDB), também candidato ao governo. O governador foi condenado por abuso do poder e de autoridade. O uso indiscriminado de um logotipo de uma árvore com o slogan “Governo da Floresta” embasaram a cassação.
Ciro e Serra derrotados no TSE
Tucano perdeu espaço no horário eleitoral, e PPS foi proibido de usar imagens ofensivas
Protagonistas dos mais fortes embates no horário eleitoral gratuito, os candidatos Ciro Gomes (PPS) e José Serra (PSDB) acabaram amargando ontem derrotas significativas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ciro Gomes está proibido de abrir seu horário com a frase “os golpes baixos acabam aqui”, acompanhadas de imagens animadas de telecatch, consideradas ofensivas a Serra. Já o candidato tucano foi punido com perda tempo de seu programa, por conta da veiculação de cenas em que Ciro chama de burro um ouvinte de uma rádio baiana.
A sanção imposta a Serra, entretanto, não garantiu a Ciro o direito de resposta pleiteado no horário do tucano. Autor da decisão, o ministro-auxiliar Caputo Bastos entendeu que a veiculação da cena, proibida na semana passada, não representou ofensa ao candidato da Frente Trabalhista. Ao retirar o tempo de Serra, Caputo Bastos considerou que a equipe de Serra foi pouco cautelosa ao transmitir a resposta de Ciro sem a pergunta do ouvinte.
Já a abertura do programa de Ciro Gomes foi vetada pelo ministro auxiliar José Gerardo Grossi, que a considerou injuriosa ao candidato tucano. A questão é que o programa de Ciro sempre começa após o de Serra, de acordo com a ordem de apresentação sorteada pelo TSE e a vinculação é direta.
Ciro também não teve sucesso na nova tentativa de proibir Serra de usar imagens ou declarações suas durante o programa eleitoral. O ministro-auxiliar José Gerardo Grossi negou liminar na ação em que Ciro pede direito de resposta no horário do oponente, pela exploração do fato de que não é verídica sua afirmação de que sempre estudou em escola pública. Para Grossi, a liminar significaria “censura prévia”.
Ao explicar os motivos pelos quais não concedeu o direito de resposta a Ciro, o ministro explica que a exibição da entrevista não configura injúria, pois não ofendeu a dignidade ou decoro de Ciro Gomes. Caputo Bastos conclui que Ciro de fato fez tal declaração em público. O único problema, segundo o ministro, é a omissão da pergunta.
TSE pode anular impugnação de Viana
Decisão do TRE do Acre em relação à candidatura do governador foi considerada “pesada”
São grandes as chances de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a decisão que impugnou a candidatura à reeleição do governador do Acre, Jorge Viana (PT).
Na madrugada de sexta-feira, o petista teve seu pedido de registro na Justiça Eleitoral impugnado sob o argumento de que teria usado indevidamente na publicidade institucional o símbolo de seu governo, que é uma castanheira estilizada.
Especialistas em Direito eleitoral consideram relevantes os argumentos apresentados no final de s emana pela defesa de Viana e pelo corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Acre e único juiz a votar contra a impugnação, Pedro Francisco da Silva.
De acordo com eles, a ação encaminhada por adversários do governador para impugnar a sua candidatura não era a correta. Além disso, não teria sido dado amplo direito de defesa a Viana. Outro argumento é o de que a condenação à impugnação da candidatura seria extremamente pesada para a suposta irregularidade. Por esses motivos, os especialistas consideram que o TSE poderá anular a decisão do TRE.
A expectativa no TSE é a de que os recursos contra a impugnação cheguem apenas no final da semana ao tribunal. Eles foram encaminhados no domingo ao TRE. Conforme as regras processuais, as partes envolvidas terão três dias para opinar.Posteriormente, o processo será transferido para o TSE.
É aguardado para hoje o encaminhamento de um novo recurso ao TSE. Os advogados de Viana devem pedir ao tribunal que derrube a decisão do TRE que proibiu o uso da castanheira na propaganda institucional do governo acreano.
Em Rio Branco, a exemplo do corregedor e, posteriormente, da presidente do TRE, Miracele de Souza Lopes Borges, os demais juízes do tribunal abriram mão de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Pedro Francisco pretende encaminhar os dados sigilosos ao corregedor do TSE, ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, e ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.
– Como corregedor, tenho o dever de pedir que seja apurado se há envolvimento de membros do tribunal com o crime organizado – afirmou Pedro Francisco para quem a decisão de impugnar a candidatura de Jorge Viana foi “monstruosa”.
O corregedor anunciou que pediria a quebra de sigilo dos juízes após receber denúncias de que o crime organizado havia pago propina para que a candidatura de Viana fosse cassada.
Durante o final de semana, o presidente Fernando Henrique Cardoso se manifestou sobre o assunto classificando de “absurda” a impugnação.
A senadora do PT Marina Silva (AC) ressaltou ontem as mobilizações populares e as manifestações de solidariedade a Viana na Conferência Rio+10, na África do Sul.
Plenário vira escola
Cinqüenta e cinco estudantes gaúchos foram ontem Deputados por um Dia
Aprendizes de legisladores, ainda lhes falta retórica na tribuna e habilidade de negociação nos bastidores. Uma lição, entretanto, são eles que ensinam: votar apenas em defesa do que acreditam. Para os 55 estudantes que participaram da quarta edição do projeto Deputado por um Dia, ontem, na Assembléia Legislativa, a prova mais difícil da vida pública é legislar em benefício de toda coletividade.
– Não é fácil convencer os outros da importância de nossas idéias, por isso que as leis nem sempre agradam a todos. Mas se os deputados tiverem realmente boas intenções, acho que conseguem aprovar suas propostas – resumiu Ivan Silva Pereira, 13 anos.
Um dos mais assíduos e seguros freqüentadores da tribuna, Ivan, que cursa a 7ª série do Ensino Fundamental na Escola Municipal José Paulo da Silva, de Osório, confessou que exercitar a persuasão sobre a “oposição” foi um dos testes mais complicados. Para o garoto, que surpreendeu pela desenvoltura legislativa, o segredo é acreditar nas próprias propostas.
Aluna da 7ª série da Escola Estadual de Ensino Médio Santa Rosa, da Capital, Anelise da Silva, de 12 anos, reconheceu que “fazer leis” lhe pareceu tão difícil quanto colocá-las em prática.
Nervosa ao defender mais segurança aos estabelecimentos de ensino no microfone, Anelise optou por fazer uso da objetividade que acredita faltar entre os políticos brasileiros:
– Aprendi que a tarefa deles não é fácil, mas acho que eles têm de parar de prometer o impossível.
Com pose de experiente parlamentar na bancada, André Oliveira de Souza, 13 anos, da Escola Santa Rosa, caprichou no figurino para representar os interesses da comunidade de Porto Alegre, na Assembléia. Emocionado ao microfone, foi bem mais objetivo do que os três minutos a que tinha direito para fazer a defesa do projeto que estipula como obrigatória a segurança interna nas escolas públicas do Estado. De volta a seu posto no plenário, o integrante do fictício “Partido da Frente Jovem” justificou com a simplicidade do discurso mirim:
– Sabemos que essa medida já é lei, mas o guarda da nossa escola não dá conta de tudo. Ele já é velhinho, e seguidamente roubam nossa biblioteca.
Orgulhosa da performance dos alunos, tanto na elaboração quanto na defesa do projeto, a diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora da Glória, de Torres, Sirlei Terezinha Munari Dewes, agora torce pela aprovação do texto em uma sessão ordinária do Legislativo gaúcho. Sensibilizada com o projeto dos alunos, que propuseram a prática de educação agroecológica em escolas rurais, a deputada Maria do Rosário (PT) protocolou a proposta do grupo.
– Eles se empenharam, pesquisaram para reforçar os argumentos, por mais simples que seja a proposta de melhorar a qualidade de vida graças a uma alimentação sem agrotóxicos – afirmou Sirlei.
TJE discute produção do Judiciário
De acordo com relatório publicado em julho, 26.898 processos estão à espera de julgamento
A produtividade dos desembargadores gaúchos passou a ser prioridade nas discussões da cúpula do Poder Judiciário e preocupa a direção do Tribunal de Justiça do Estado (TJE). De acordo com o mais recente relatório sobre o assunto, publicado no Diário da Justiça do dia 29 de julho, as câmaras do TJE têm 26.898 processos distribuídos à espera de julgamento.
Deste total, 7.311 estão sob a responsabilidade de apenas cinco desembargadores, cada um deles com mais de mil processos sobre suas mesas. O principal problema seria na área cível.
O problema da produtividade do Poder Judiciário entrou em discussão na sessão de ontem à tarde do órgão especial do Tribunal de Justiça do Estado. Com pouco mais de uma hora de sessão, por 14 votos a 10, os desembargadores decidiram que o assunto deveria ser discutido a portas fechadas. Nem mesmo assessores do Pleno puderam ficar na sala.
O presidente do TJE, desembargador José Eugênio Tedesco, foi um dos que votou por sessão com as portas abertas, já que desde o início de sua gestão as questões administrativas passaram a ser debatidas publicamente.
O desembargador Araken de Assis foi o primeiro a argumentar para que o assunto fosse tratado abertamente. Pelo relatório publicado no Diário da Justiça, Araken não tem um só processo estocado.
– Esta é uma questão de interesse da sociedade e por isso deve ser tratada com as portas abertas – sugeriu Araken, sem sucesso.
Logo no início da sessão, o 1º vice-presidente do TJE, desembargador Élvio Schuch Pinto, argumentou para os 25 integrantes do órgão especial sobre a necessidade de reforçar algumas câmaras por motivo de aposentadorias ou férias. Foi quando o assunto passou a ser debatido com mais profundidade e as portas foram fechadas. Schuch Pinto acredita que o grande problema é o crescimento acelerado da demanda e não a baixa produtividade.
Além da produtividade, os vencimentos da magistratura têm sido o motivo de pressão da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) sobre a direção do TJE. Dirigentes da entidade cobram o pagamento de vencimentos atrasados referentes à conversão dos salários pela Unidade Real de Valor (URV) do início do Plano Real. Pelos cálculos da Ajuris, a defasagem salarial dos magistrados de 1998 até agora é de 48,35%. Na saída da sessão de ontem, o presidente Tedesco avaliou a situação em apenas duas frases:
– O local mais apropriado para se discutir assuntos dessa natureza não é pela imprensa, é uma questão interna. Respeito a posição dos representantes da Ajuris, mas eles têm de compreender que o chefe do Poder Judiciário tem o direito de analisar as manifestações da associação – declarou Tedesco.
O presidente da Ajuris, José Aquino Flores de Camargo, acredita que além do crescimento da demanda o problema da produtividade é agravado pelo fato de nem todos os desembargadores terem a mesma capacidade de trabalho. Para o dirigente, o fundamental é buscar uma prestação jurisdicional o mais ágil possível.
– Justiça que tarda fica sem efeito – avalia Camargo.
Sobre a polêmica dos vencimentos da magistratura, Camargo disse ontem que a Ajuris está tentando restabelecer o diálogo e as boas relações com o Tribunal de Justiça.
– Prefiro não me manifestar mais sobre o assunto – desconversou.
Câmara abre sindicância sobre CPI do Lixo
A Câmara de Porto Alegre abrirá sindicância interna para investigar o paradeiro dos documentos referentes à CPI que tratou da compra sem licitação de dois incineradores de lixo em 1991.
O prefeito, na época, era o atual governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT). A abertura da sindicância foi solicitada ontem pelo presidente da Câmara, José Fortunati (PDT), à Mesa Diretora da casa.
De acordo com Fortunati, decorreram 11 anos desde a abertura da CPI, e somente a partir de 1995 os documentos puderam ser acompanhados por terminais de computadores, o que facilitaria a localização imediata.
Os incineradores foram comprados pela prefeitura por cerca de US$ 150 mil na época (71% do valor pagos à vista). A conclusão da CPI foi de que as compras foram “ilegais”.
No Ministério Público, porém, o processo foi arquivado. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) considerou a transação legal.
Artigos
Aftosa, efeitos e responsabilidade
Flavio Vaz Netto
Há um ano e três meses retomamos a vacinação contra a febre aftosa. Era de se supor que a discussão sobre o assunto se estivesse esgotado. Assim, todavia, não é. Recentemente Zero Hora publicou artigo assinado pelo pecuarista Fábio Gomes ressuscitando o assunto. Ao tecer considerações sobre a pecuária nacional, destaca a performance da pecuária do Centro-oeste e, com muita justiça, enfatiza a qualidade da carne das raças “britânicas”. A evolução genética tem sido permanente e o conceito e o prestígio de nossas cabanhas cada vez mais afirmado no cenário nacional e internacional.
Feito esse registro onde se pretende afirmar e reafirmar a importância dos criatórios de raça bovina no Rio Grande do Sul, impõe-se por apego à verdade repor algumas questões colocadas, a nosso sentir, de forma equivocada na referida matéria.
Primeiro para esclarecer que o Ministério da Agricultura não “fechou o mercado de bovinos para os pecuaristas gaúchos”... Tampouco por “um suposto problema sanitário”. Ao contrário do que diz a matéria, o governo federal não virou as costas para o problema “por odiosa submissão a organismos internacionais” e, diferentemente do que supõe o signatário do indigitado artigo, está, sim, empenhado em buscar uma solução para um problema para o qual, aliás, não concorreu. O signatário foi desde o início da ocorrência da febre aftosa um fervoroso defensor da vacinação.
O ministério alertava, desde então, para as conseqüências sanitárias e econômicas dessa medida. Veio, exatamente, de muitos criatórios de raça a grande mobilização na defesa da vacinação juntamente com o governo do Estado. Foi a escolha de grande parte de nossos produtores. Levamos 50 anos para erradicar a febre aftosa e ter o status de livre sem vacinação. Numa tacada zeramos tudo.
Estamos às vésperas de ver o problema resolvido. Não é hora de se gerar dúvidas
A orientação técnica que consultava as questões sanitárias e econômicas orientava para o abate sanitário com a vacinação perifocal. Com essa medida em 12 meses teríamos devolvido o status de livre sem vacinação. Teria custado aos cofres públicos cerca de R$ 10 milhões e garantido, assim, as condições de trabalho e mercado para os nossos produtores. Preferimos vacinar a um custo de R$ 40 milhões e perder todos os mercados. Foi uma escolha.
Não se culpe, pois, a ação do governo federal nesse sentido que, ao contrário do que supõe o missivista, está empenhado em cumprir, sim, as exigências das normas internacionais, não por razões de submissão, mas de interesse nacional e regional. Ou temos produto que interesse ou não teremos mercado. É disso que se cuida. Ou atendemos as exigências sanitárias que no caso da febre aftosa é recíproca (portanto, não há submissão a qualquer ordenamento unilateral), ou se está fora do mercado. Não teremos compradores.
Aliás, a normatização a respeito foi construída através de acordo firmado com 162 países. O “suposto” problema de febre aftosa, cuja erradicação tornamos a perseguir, precisa ser enfrentado de forma firme e corajosa.
Nesse sentido, o ministério contou e tem contado com o apoio da Farsul, que tem exercido um importante papel na formação da opinião dos pecuaristas, que, hoje, compreendem, com clareza, pelo menos em sua grande maioria, a posição sustentada pelo Ministério da Agricultura no trato dessa questão.
O artigo reclamando ações do Ministério da Agricultura não contribui em nada no processo de erradicação da febre aftosa e de retomada dos mercados. Estamos às vésperas de ver o problema resolvido. Não é hora de se gerar dúvidas com relação à ação governamental. Ao contrário, o digno produtor, signatário do referido artigo, muito ajudaria se nesse momento desse visibilidade ao rigor imposto pelo Mapa no controle da doença e nas ações para a sua erradicação. Comete também aqui uma injustiça à própria Secretaria da Agricultura do Estado.
Com relação aos efeitos da doença, os resultados estão aí. Não se fala mais em tese. Os prejuízos simplesmente não se conseguirão medir. Encerra o missivista dando conta, na sua opinião, de que os pecuaristas gaúchos estão órfãos. A afirmação representa uma injustiça às boas lideranças que representam o setor, mas é possível que ocorra aqui ou ali onde a tutela ainda é necessária.
Colunistas
ANA AMÉLIA LEMOS
Debate para construir
A principal virtude do debate dos candidatos à sucessão presidencial realizado ontem pelo Canal Rural, numa parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, foi dar ao agronegócio a visibilidade e a atenção que o setor merece por ser o mais dinâmico da economia brasileira, responsável pela geração de empregos e pela produção de alimentos. O desempenho da agricultura e da pecuária, mostrado pelo IBGE, confirma que, entre as alternativas para a solução dos grandes problemas nacionais, o setor primário figura em primeiro lugar.
No debate de ontem, os candidatos tiveram a oportunidade de mostrar ao país suas idéias, projetos e propostas para equacionar pendências como burocracia e exigências descabidas na concessão do crédito rural, preservação do meio ambiente, tributação, reforma agrária e subsídios. Por ter sido um debate temático, os candidatos não tiveram chance de estabelecer polêmica, o que, aliás, não era o propósito dos promotores do evento que atraiu a atenção de toda a imprensa nacional. Pelo menos 230 jornalistas se credenciaram na CNA para a cobertura do debate que reuniu à mesa Anthony Garotinho, José Serra, Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes.
Os produtores rurais que acompanharam, em todo o país, a transmissão do debate puderam avaliar com mais precisão o conhecimento dos candidatos sobre um setor que é realmente vital para a economia brasileira e que, no ano passado, com as exportações, conseguiu um superávit de US$ 19 bilhões.
As projeções para a safra 2002/2003 são ainda mais alentadoras, graças à valorização do dólar, à redução dos estoques mundiais de grãos e aos problemas com as colheitas dos principais concorrentes do Brasil no comércio mundial.
O futuro presidente que ontem estava ali no debate, quando assumir, vai ter de cumprir com as promessas feitas. Os produtores já descobriram que o voto é a sua arma mais poderosa e já decidiram que só darão apoio aos políticos sinceramente comprometidos com as causas do agronegócio.
JOSÉ BARRIONUEVO
Coronel impede acesso a depoimento
O coronel Tarso Antônio Marcadella, chefe do Estado-Maior da Brigada, impediu que o fotógrafo Ronaldo Bernardi fotografasse a reunião do Conselho de Justificação que ontem ouviu novos depoimentos no processo interno do comando contra o coronel João Alberto Monteiro. Autoritário, Marcadella não aceitou nem mesmo as ponderações do advogado de Monteiro, Luiz Ferreira, que não via motivo para vetar o acesso da imprensa a uma audiência pública. Bernardi conseguiu fotografar a chegada de testemunhas, à distância.
A portas fechadas
Marcadella preferiu recolher os depoimentos a portas fechadas. Como chefe do Estado-Maior, assumiu a presidência, mesmo sendo mais moderno (menos tempo de caserna) do que Monteiro e do que os dois outros coronéis convocados, da reserva, que receberam fardamento novo e ajuda de custo para integrar o conselho. Coronéis mais antigos, da ativa, têm posição crítica em relação à postura política do comando.
Em seu depoimento, o tenente-coronel Luis Carlos Martins, humilhado quando cumpria ordem judicial em Pinhal da Serra, na tentativa de invasão de hidrelétrica, confirmou as notícias publicadas em Zero Hora sobre o incidente em que o comandante-geral da BM colocou um boné dos invasores.
Tribunal político
O objetivo do advogado é mostrar que o conselho não passa de um tribunal político, lembrando que Monteiro era vítima de retaliações por ter entrado com notícia-crime no Ministério Público contra o comandante por entender que sua postura no episódio de Pinhal da Serra comprometia a imagem da corporação.
Diversos ex-comandantes já depuseram no Conselho de Justificação em defesa do coronel Monteiro, que em 32 anos de Brigada nunca teve uma única alteração funcional.
Projeto muda entrada da cidade
Um projeto para a construção de 3 mil moradias retira da entrada de Porto Alegre uma chaga exposta, que desafia estes 14 anos de administração do PT na Capital. O prefeito João Verle deu seguimento a um estudo que foi entregue ontem ao presidente da Câmara, vereador José Fortunati, que como vice-prefeito elaborou a proposta no governo anterior. Segundo Verle, o projeto transformará a entrada da cidade num cartão-postal em cinco anos. Depende de um empréstimo de US$ 5 milhões, o que motivou a visita do prefeito à Câmara.
Fortunati assegurou que vai se empenhar na avaliação da proposta. Define como “um dos melhores projetos sociais da nossa cidade, que, quando concluído, dará dignidade a milhares de pessoas que moram em condições subumanas”.
O projeto inclui completa infra-estrutura viária, paisagística, de saneamento e lazer, com o alargamento de diversas ruas e a construção de um viaduto sobre a Avenida Farrapos.
Rossetto joga prestígio
Principal revelação do atual governo, Miguel Rossetto se licencia da condição de vice-governador para se dedicar inteiramente à campanha eleitoral, jogando seu prestígio no apoio do candidato do partido à sucessão de Olívio. Carismático, a presença de Rossetto deve dar novo ritmo aos últimos 38 dias de campanha eleitoral, levando a militância a abraçar a candidatura de Tarso, que está em queda constante, de acordo com as pesquisas.
Defensor da candidatura de Olívio na prévia, Rossetto une o partido numa fase decisiva, em que a disputa corria o risco de ser vencida por Britto já no primeiro turno.
Elegância e firmeza
Profissional conceituada, Ana Amélia Lemos conduziu com firmeza e elegância o debate com os candidatos na TV Rural. Preservou o comando, sem a necessidade de apelar para a postura inquisitória e autoritária de entrevistadores que parecem disputar beleza com os candidatos.
Pela primeira vez o setor primário teve o merecido destaque na sucessão.
Criada na roça
O tucano José Serra provocou gargalhadas na platéia de repórteres que assistiam ao debate num telão. Foi no final, quando pediu o voto dos produtores e citou sua candidata a vice.
– A Rita foi criada na roça – brincou.
Estava feliz por ter recebido o apoio – e um beijo – de Regina Duarte, ex-namoradinha do Brasil.
Cafezinho sem guaraná
No final da coletiva, José Serra (PSDB) definiu seu estado de espírito durante a campanha:
– Estou me sentindo fisicamente em ponto de bala, com muita energia e sem precisar de guaraná em pó, que eu não tomo mais. Até as olheiras diminuíram.
Se não subir nas pesquisas, volta o guaraná. E as olheiras.
Faltou sintonia
A falta de sintonia do presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), com Ciro, ficou visível ontem durante o debate. Sem ser informado de que Ciro não concederia entrevista, Freire se dirigiu para a sala reservada para a imprensa. Ao deparar com a sala vazia, soube que Ciro não compareceria e que já havia inclusive deixado o prédio.
– Ele já desceu? Por onde? – perguntou o senador, meio atrapalhado.
Capitão Gay vem a cavalo para o desfile farroupilha
José Antônio San Juan Cattaneo ganhou o noticiário nacional como candidato a vereador na eleição de 2000 em Pelotas, apelidado de Capitão Gay – personagem retirado de um programa humorístico de Jô Soares na TV –, que resolveu assumir. Como candidato a deputado estadual pelo PPB sob o número 11007 – “o mesmo de James Bond” –, promove a 1ª Cavalgada Eleitoral do Capitão Gay, disposto a desfilar com seu piquete no 7 de Setembro, o dia da independência, que será também o Independence Gay, e no 20 de setembro, a data farroupilha. Seu piquete homenageia uma ave que habita nossas florestas, com risco de extinção, o Jacu. O nome do piquete faz um trocadilho cacofônico.
Parte amanhã de Pelotas disposto a levar para o Rio Grande o que sua cidade não soube entender (fez pouco mais de 500 votos para vereador). Acompanhado de cavalarianos e de dois travestis – um deles vestido de prenda –, terá pela frente 250 quilômetros de cavalgada, com sete pernoites pelo caminho, em que fará sarau musical. Atravessa a ponte do Guaíba no dia 6, empunhando a bandeira do arco-íris, numa campanha alegre e descontraída. Um ônibus e um caminhão darão suporte ao piquete, formado em sua maioria por amigos.
ROSANE DE OLIVEIRA
Debate produtivo
Debates temáticos podem parecer monótonos para quem senta na frente da TV à espera de show, mas são mais produtivos para quem deseja conhecer as propostas dos candidatos. Os quatro candidatos a presidente que participaram ontem do debate do Canal Rural tiveram uma oportunidade singular para confrontar propostas. Se não foram objetivos como gostaraim os produtores rurais é porque falta clareza nos seus programas de governo.
Tal como fizera a Confederação Nacional da Indústria, a Confederação Nacional da Agricultura ouviu seus associados para saber quais temas gostariam de ver abordados pelos candidatos. Resultado: com 74% das preferências, o crédito rural foi o mais votado. Nenhuma surpresa. Afinal, a agricultura não existe sem crédito e os recursos disponíveis para o financiamento da safra 2002/2003 equivalem a um terço do valor oferecido para custeio da safra 1978/1979.
A rigor não se registraram grandes diferenças nas propostas dos candidatos para cada tema. Os quatro foram unânimes em definir a agricultura como prioridade, se comprometeram com a desoneração da produção agrícola, juraram lutar nos organismos internacionais contra o protecionismo dos países desenvolvidos e acenaram com a redução do custo do dinheiro.
O único ponto em que ficou perceptível a diferença entre as propostas foi a reforma agrária, embora todos prometam fazê-la. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva se considera o único em condições de realizar a reforma agrária negociando com sem-terras e proprietários rurais, José Serra faz uma opção preferencial pelo modelo do Banco da Terra e elege como prioridade fazer os assentamentos produzirem.
Sem show e sem briga, o debate conduzido pela jornalista Ana Amélia Lemos ofereceu ao país a visão do futuro presidente da República sobre o setor responsável pela geração dos maiores superávits comerciais. Dificilmente os produtores rurais mudarão de candidato por conta do debate, mas os eleitores em geral terão um elemento a mais para fazer sua escolha. Os candidatos reconhecem que é obrigação do eleito evitar o êxodo rural, que engrossa os cinturões de miséria nas grandes cidades.
Editorial
O SINAL DO CONGRESSO
Em plena campanha eleitoral, o Congresso mostra-se disposto a fornecer um sinal positivo de que, a exemplo do Executivo, está disposto a fazer a sua parte para ajudar o país a reconquistar credibilidade externa. Enquanto o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, empenhavam-se ontem em convencer os investidores a restabelecer as linhas de crédito de curto prazo para o país, o presidente da Câmara Aécio Neves (PSDB-MG) aprestava-se para convocar os parlamentares a Brasília. O objetivo é permitir que os deputados assegurem presença suficiente para desobstruir a pauta de votações, permitindo a votação em caráter emergencial de uma minirreforma tributária.
O que o país precisa contar neste momento é com um sistema tributário adequado
O que o país precisaria contar neste momento é com um sistema tributário adequado, para o qual nem o Executivo nem o Legislativo têm-se empenhado de forma consistente. Diante das dificuldades enfrentadas pelo país, porém, seria recomendável que os parlamentares se empenhassem pelo menos em dar início ao fim da cobrança cumulativa de tributos sobre o setor produtivo, particularmente sobre as exportações. É uma tarefa que todos reconhecem como necessária e urgente. Apesar de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter-se comprometido em recorrer a uma medida provisória para assegurar tal mudança na hipótese de o Congresso se omitir, o país só teria a ganhar se os próprios parlamentares conseguissem aproveitar a mobilização proposta e, pondo abaixo as expectativas pessimistas, assumissem sua parcela de responsabilidade perante as dificuldades tributárias e fiscais enfrentadas pelo país.
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08/27/2002
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