Candidatos têm bens revelados
Candidatos têm bens revelados
Três dos nove candidatos a governador de Pernambuco declaram não ter bens a declarar. O mesmo foi informado por sete dos treze candidatos a senador
O Tribunal Regional Eleitoral revelou ontem as relações dos bens declarados pelos candidatos majoritários que irão disputar as eleições de outubro. Entre os candidatos ao Governo do Estado, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que concorre à reeleição, é quem tem o maior patrimônio, orçado em R$ 586,6 mil. De acordo com o peemedebista, o seu bem mais valioso é a sua coleção de arte, avaliada em R$ 198,2 mil. Dos noves majoritários, três informaram não ter bens a declarar: Rui Alcântara (PAN), Flávio Renato Lapenda (PTC) e José Carlos Neves de Andrade (PGT). Ana Lins (PSTU) informou ter um apartamento em Olinda de R$ 28 mil e Maurílio Silva (PCO) declarou um automóvel e uma casa, sem especificar os valores.
O candidato a governador Ilo Jorge (PDT) tem o segundo maior patrimônio – R$ 265 mil –, a maior parte dele referente à participação do pedetista em uma empresa na área educacional. Em terceiro está Humberto Costa (PT) com R$ 224,7 mil, sendo que mais da metade desse dinheiro foi investido para a compra de dois imóveis. Em seguida vem o candidato Humberto Barradas (PSB) com R$ 220 mil. Grande desses recursos refere-se à bens (fazenda e sítio) em Alagoas.
Nas relações protocoladas pelos candidatos existem informações curiosas. O vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL), que é candidato a senador, declarou que tem R$ 457,9 mil de patrimônio. Na documentação existe um item em que relaciona o valor que possui em jóias, quadros e livros: apenas R$ 1,22. Um dos suplentes de Maciel é o ex-ministro Gustavo Krause (PFL), que conseguiu acumular um patrimônio de R$ 1,1 milhão. O outro candidato a senador da União por Pernambuco, o deputado federal Sérgio Guerra (PSDB), registrou um total de R$ 1,9 milhão em bens. A maior parte deles investido em terras e obras de arte.
Dos treze candidatos ao Senado, sete afirmaram que não têm bens a declarar. Kátia Teles (PSTU), José Carlos Pantaleão (PSTU), Ocidir Potes Vale (PAN), Samuel Marcelino da Silva (PAN), Antônio Aparecido Queiroz (PCO), Olga Conceição (PGT) e Milton Xavier de Carvalho (PGT). O candidato Nélson Borges (PPS) informou ter um apartamento no Rio avaliado em R$ 60 mil.
Emissoras agendam confrontos entre candidatos
As emissoras de TV já estão se preparando para começar a rodada de debates com os candidatos ao Governo do Estado. A primeira a definir a data do confronto foi a Rede Globo. Será no dia 2 de outubro, quatro dias antes do primeiro turno das eleições. A hora ainda não foi escolhida, mas a diretora de jornalismo da Rede Globo Nordeste, Jô Mazzarolo, adianta que será em horário nobre. “Já mandamos uma carta para todos os partidos, pedindo para que eles reservassem esse dia para o nosso debate. Espero que todos participem”, informa.
Sobre a utilização da imagem da cadeira vazia no debate, caso algum candidato não compareça, ela disse que a emissora vai seguir as normas determinadas pelo TRE. “Se for permitido, nós vamos mostrar o cenário. Até como explicação para o público de que todos foram convidados”, afirma Jô Mazzarolo.
Além de promover um debate com os nove candidatos a governador, a TV Guararapes também está preparando um confronto com os 13 candidatos ao Senado. A data dos dois debates, no entanto, ainda não está marcada. “Vai depender da programação da rede”, explicou o diretor-geral da TV, Frederico Nogueira. Como o número de candidatos na disputa é muito grande, a TV Guararapes poderá dividir os concorrentes em dois grupos. “O ideal é que seja realizado um único debate. Só em último caso é que partiremos para dois confrontos em dias diferentes”, observa.
A TV Jornal está programando a realização de um debate e de uma série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado. “O debate deverá ocorrer no horário do TV Jornal Meio Dia. Falta agora definir a data. Em relação às entrevistas, estamos acertando os detalhes”, afirma a gerente de jornalismo, Leda Barros. A TV Tribuna não vai realizar nenhum debate ou entrevista com os candidatos. A cobertura da emissora também não acompanhará a disputa no interior, ficando restrita à região metropolitana.
FHC e Itamar selam a paz com abraço
RIO – O presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), encontraram-se ontem, após quatro anos de rompimento, durante seminário comemorativo dos 182 anos da Associação Comercial do Rio de Janeiro e do oitavo aniversário do Plano Real, na capital fluminense. Ao iniciar o discurso, Fernando Henrique se dirigiu ao governador mineiro como “meu prezado amigo Itamar Franco, que nos dá a honra de sua presença nesta tarde histórica”. O presidente disse que tinha trazido um discurso escrito, mas preferiu falar de improviso, ao ver tantos amigos e para falar mais emotivamente. Ele contou a história de quando foi convidado pelo atual governador para se transferir do Itamaraty e assumir o Ministério da Fazenda.
A reconciliação foi selada em público depois de os dois terem tido um rápido encontro em uma sala reservada. “Quero dizer de público que nunca me faltou apoio político do presidente Itamar. Há quem diga que não reconheço. É só ler os jornais. A história não se borra com borracha. Nem os stalinistas conseguiram”, discursou Fernando Henrique, ao lembrar a implementação do Real.
A gota d’água para o rompimento entre os dois foi a eleição presidencial de 1998.
Itamar não conseguiu candidatar-se à Presidência pelo PMDB, que optou pelo apoio à reeleição de Fernando Henrique. O presidente foi acusado por Itamar de ter comprado votos dos convencionais peemedebistas. Eleito governador de Minas, Itamar ameaçou não pagar a dívida do Estado com a União, o que só agravou a situação. O relacionamento, que tinha bons e maus momentos desde 1994, piorou de vez.
No encontro, antes de entrarem no auditório do BNDES, onde aconteceu o evento, o governador e o presidente, que nos últimos anos só trocaram ataques e farpas, elogiaram-se mutuamente pela boa aparência. Sentaram-se lado a lado no sofá enquanto não eram chamados para a solenidade de encerramento do seminário, promovido pela Associação Comercial do Rio.
Ciro ameaça Lula em simulação
Candidato do PPS cresce sete ponto na nova pesquisa do Ibope e, numa simulação para o segundo turno, já se apresenta em empate técnico com o adversário petista
SÃO PAULO – O candidato da Frente Trabalhista à Presidência, Ciro Gomes (PPS), subiu sete pontos na intenção de voto e está empatado tecnicamente com o José Serra (PSDB), segundo a última pesquisa Ibope, divulgada ontem. Comparado ao levantamento de junho, Ciro passou de 11% para 18% e Serra oscilou negativamente dois pontos, indo de 19% para 17%. O petista Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ter caído quatro pontos, descendo de 38% para 34%, manteve a liderança da disputa. O candidato do PSB, Anthony Garotinho, perdeu um ponto e foi de 13% para 12%.
Nas simulações para o segundo turno, Lula venceria todos os candidatos. No entanto, o petista aparece empatado tecnicamente com Ciro: Lula teria 43% contra 41%. Com Serra, o petista venceria por 46% a 37%. Com Garotinho ele tem a maior folga (48% a 33%).
De acordo com Fátima Pacheco Jordão, analista política, o Ibope confirmou a tendência indicada pelas pesquisas divulgadas na última semana (Vox Populi e Datafolha), mostrando crescimento generalizado de Ciro Gomes, em todos os segmentos do eleitorado e em todas as regiões do País. “Isso comprova que a comunicação de massa (a veiculação dos programas partidários em junho) deu um resultado abrangente”, diz.
Fátima destaca, no entanto, que Ciro não conquistou mais eleitores com nível superior de escolaridade, grupo em que ele tem 20% das intenções de voto. Teoricamente, esse é o eleitor mais informado, que não se emocionou com o discurso de Ciro.
“Quando ele fala em alongamento da dívida, por exemplo, esse grupo de eleitor sabe que isso refletirá no seu bolso”, analisa.
A especialista explica a queda de Lula como um reflexo das denúncias de suposta cobrança de propina na prefeitura petista de Santo André, além dos conflitos internos do PT em torno da aliança com o PL, culminando com a desistência da senadora Heloísa Helena de disputar o Governo de Alagoas.
A pesquisa do Ibope, encomendada pela Casa de Criação – MNS Comunicação Ltda., foi feita entre 4 e 7 de julho e entrevistou dois mil eleitores em todo o País. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.
Visita de Ciro acirra briga do PPS com o PDT/PTB
A vinda de Ciro Gomes, candidato da Frente Trabalhista (PPS/PDT/PTB) à Presidência da República, para um comício no Cabo de Santo Agostinho no próximo sábado, a convite do prefeito Elias Gomes (PPS), está causando mal-estar entre os pós-comunistas e líderes locais do PDT e PTB. Os três partidos aliaram-se no plano nacional mas não repetem a coligação no Estado. O PPS, depois de fracassada a Frente Trabalhista estadual, aderiu ao palanque da reeleição do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), enquanto o PDT e o PTB disputam na oposição. O motivo da saia-justa é justamente o convite feito por Elias ao governador para que participasse do comício de Ciro no Cabo, mesmo sendo aliado do candidato tucano José Serra.
“Não fomos convocados. Ficou um clima chato. Se Jarbas quiser apoiar Ciro, tudo bem, mas ele oficialmente apóia Serra e não pode ser convidado de honra em um palanque de Ciro. Prefiro ver como um equívoco, e não como má fé do PPS”, reclama o presidente estadual do PTB, deputado André Campos.
O candidato ao Governo do Estado pela Frente Trabalhista, Ilo Jorge (PDT), também reclamou do convite ao adversário Jarbas Vasconcelos. “Só soubemos pelos jornais que Ciro Gomes viria ao Cabo no sábado. Não tenho nada contra o apoio de Jarbas a Ciro, mas a questão local (disputa pelo Governo do Estado) existe”, reclamou, explicando que o PDT havia programado o lançamento oficial de sua candidatura na sexta-feira, justamente a véspera da visita de Ciro.
A manutenção da data de sexta, uma alusão ao número 12 do PDT, será discutida em uma reunião hoje à noite. “Podemos adiar o lançamento da campanha e esperar Ciro voltar outra data, ou podemos aproveitar a inauguração do comitê central de Carlos wilson (candidato ao senador do PTB) para fazer o lançamento”, comentou.
Elias Gomes disse que tudo não passa de um mal entendido. “Não tem nada a ver.
Vamos ter um ato com toda a Frente Trabalhista (PPS/PDT/PTB) no Recife, em data a ser definida. Já a vinda de Ciro é um convite pessoal para vir ao Cabo. Se o PDT e PTB quiserem convidá-lo para Camaragibe ou Limoeiro, por exemplo, eles têm esse direito.
São coisas distintas.” Na avaliação até de aliados, entretanto, Elias “foi inábil” e seu convite a Jarbas soou como uma “provocação gratuita”.
PT exige que as investigações sobre espionagem continuem
SÃO PAULO – O PT avaliou ontem que a renúncia do diretor-geral da Polícia Federal Itanor Neves Carneiro, apresentada ontem, é uma mostra de que as acusações de que o partido sofreu espionagem política “devem ser investigadas rigorosamente”. A declaração foi feita por André Singer, porta-voz da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.
A Procuradoria da República requereu à Justiça Federal transcrição das 42 fitas com gravações de conversas telefônicas de integrantes da cúpula do PT e de colaboradores do prefeito de Santo André Celso Daniel, morto em janeiro. O pedido foi feito à 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo pelos procuradores que investigam supostos abusos e possíveis crimes da Polícia Federal na interceptação. Os procuradores querem que a degravação seja feita pela Universidade de Campinas.
O conteúdo das fitas incomoda o PT, mas autoridades que tiveram acesso a ele garantem que “não há menção” a financiamento de campanhas. Entre os grampeados estavam o sucessor de Daniel, João Avamileno, e o empresário Sérgio Gomes da Silva.
Os procuradores consideram importante a transcrição para tentar identificar a linha de
investigação. A procuradora Maria Cristiana Simões Amorim disse que, se ficar comprovado que os federais agiram ilegalmente, as fitas serão destruídas.
Artigos
Teologia da inclusão social
Fernando Antônio Gonçalves
Nos movimentos leigos não-alienantes da Igreja Católica, a qual ainda pertenço com radical fidelidade do Homem de Nazaré, de muita valia seria uma contemporânea capacitação leiga. Ousaria denominar o programa de Teologia da Inclusão Social, de conteúdo essencialmente crítico-libertador, dotado de uma dupla finalidade: entender os balizamentos doutrinários incompatíveis com a mensagem salvífica do Filho de Deus e, por via de conseqüência, favorecer a reformatação da própria instituição, hoje envolvida com acusações várias e obsolescências múltiplas. O todo não se tornando mais deteriorado graças à inatacável integridade, sincera dedicação ao dever e evidente bravura de João Paulo II, atualmente sem mais os requisitos para comandar uma máquina gigantesca, a carecer de estratégias mais antenadas com os desafios dos amanhãs.
Com salutar entusiasmo, nos movimentos não-cabisbaixos amplia-se o número dos que manifestam sua insatisfação com o distanciamento cada vez mais acentuado da Igreja Católica dos gigantescos desafios sociais, epistemológicos e teologais, apesar das espetaculares estatísticas do pontificado de João Paulo II: 1 milhão e 70 mil quilômetros percorridos, 84 viagens papais, 3 mil e 78 discursos e homilias, 13 milhões de pessoas recebidas em audiência, 15 mil encontros pessoais, 159 novos cardeais, beatificação de 798 homens e mulheres, canonização de 280 novos santos, nomeação de 2650 novos bispos da Igreja, os registros impressos das doutrinas escritas durante o pontificado ocupando um espaço linear de três metros. Um grandiloqüente acervo que não revitalizou, salvo algumas práticas terceiromundistas, um cristianismo superficial, tradicional e com pouca substância solidária, ainda respaldado numa “teologia escolástica autoritária e não-bíblica há muito superada”.
Para uma efetiva capacitação numa Teologia da Inclusão Social, faz-se necessária uma tomada de conhecimento, para se retornar aos norteamentos emanados do Concílio Vaticano II, do amoroso papa-profeta João XXIII. Alguns trabalhos recentes forneceriam os apetrechos para uma caminhada mais socialmente responsável com o Senhor Jesus, “o sempre fio de ouro da tapeçaria da às vezes nunca muito edificadora história da Igreja”. Citaria apenas cinco: Igreja Católica, de Hans Kung, Objetiva, 2002, O Povo de Deus, José Comblin, Paulus, 2002, Quebra da Fé, John Cornwell, Imago, 2002, A Armada do Papa, Gordon Urquhart, Record, 2002, e Feminino e Masculino, de Leonardo Boff e Rose Marie Muraro, Sextante, 2002.
Em 11 de outubro de 1962, quando da sessão inaugural do Concílio Vaticano li, João XXIII rejeitava toda visão pessimista: “é necessário discordar desses profetas da desgraça”. Ele buscava alertar uma Igreja que se comprazia com posturas nostálgicas, quase nulamente comprometida, no seu topo, com o mundo dos menos afortunados, hoje numa proporção estonteante, segundo os dados da Organização Mundial de Saúde. E que afetará, pelas endemias geradas e ódios refundados por fundamentalismos suicidas, todas as demais camadas sociais do planeta.
Para um novo papado que tardiamente já se avizinha, o desafio contemporâneo mais relevante para a Igreja Católica, uma das propulsoras da mensagem do Filho de Deus: estabelecer o revestimento necessário para anunciar a mensagem cristã para o mundo do século 21. Voltando-se aos grandes delineamentos bíblicos, retornando-se ao conceito paulino de Povo de Deus, esplendorosamente revigorado pelo Vaticano II, tão olvidado a partir do Sínodo dos Bispos de 1985, que sobrepairou sobre o Concílio Vaticano II.
Que surjam as parcerias, no Recife, para a efetivação da capacitação desejada por muitos. Eu acredito no pessoal do Igreja Nova e em outros parceiros de bom calibre.
Depois da sístole, que venha a diástole.
Colunistas
PINGA FOGO –Inaldo Sampaio
Collor às avessas?
Entrevistado domingo pela TV Pajuçara, emissora afiliada ao SBT, o ex-presidente Fernando Collor, candidato do PRTB ao governo de Alagoas, desculpou-se perante o povo alagoano pelos inúmeros erros cometidos no passado. “Espero hoje ser uma pessoa melhor, alguém com mais humildade, mais consciência e muito mais experiência, sem muito voluntarismo e sem achar que se pode mudar o mundo da noite para o dia”, disse ele perante às câmeras.
Ciro Gomes, chamado por certos tucanos como “o novo Collor” devido à sua pouca idade, ao seu voluntarismo e à sua origem nordestina, disse certa vez à Rádio Jornal, mais precisamente a Geraldo Freire, que o entrevistou no seu programa, que não queria negócio com o PFL na presente campanha eleitoral. Um governo realmente de mudança como o que se propõe a fazer se ganhar a eleição, disse ele, “deverá ser instalado com o PFL na oposição”.
Hoje, a menos de 90 dias das eleições, o candidato do PPS já tem o apoio oficioso de 12 secções do PFL, entre as quais a da Bahia, capitaneada por ACM, e a de Santa Catarina, chefiada por Jorge Bornhausen. Só falta agora Marco Maciel, que deverá aderir mais adiante se Serra não chegar ao segundo turno. Um Collor às avessas?
Endereço incerto
O deputado Gilberto Marques Paulo, que não se candidatará à reeleição por estar desiludido com a vida pública, mantém em seu escritório de advogacia, num lugar bem visível, esta frase de Platão: “O castigo dos homens capazes que se recusam a tomar parte nas questões eleitorais é viver sob o regime dos homens incapazes”. Como a frase comporta várias interpretações, certamente tem alguma relação com a situação política do PSDB pernambucano.
Apelo em bloco
A pedido de Marco Maciel, todos os prefeitos do PFL (48) subscreveram a “carta aberta” a Inocêncio Oliveira fazendo-lhe um dramático apelo para não deixar a vida pública. O partido ainda não se satisfez com essa carta e irá receber seu líder, com festa, 6ª, às 17h, em Serra Talhada, quando ele desembarcar lá para proferir uma palestra no CDL.
PT com Cássio
A petista Cosete Alves, atual prefeita de Campina Grande, abriu uma dissidência no partido para a eleição de governador. Não apoiará o deputado federal Avenzoar Arruda e sim o ex-prefeito Cássio Cunha Lima (PSDB), ao lado de quem se elegeu vice na eleição do ano 2000. Pelas últimas pesquisas, o candidato tucano é franco favorito.
Ex-presidente do Sintepe abre dia 13 o seu comitê
Teresa Leitão (PT), ex-presidente do Sintepe e candidata a deputada estadual, abrirá oficialmente o seu comitê no próximo dia 13, a partir das 9 da manhã, com as presenças de Humberto Costa e Dílson Peixoto.
Ex-ministro e neotucano jogam pra ganhar
O que mais se ouve nos meios políticos é que o ex-ministro Raul Jungman (PMDB) e o empresário Oto Glasner (PSDB), ambos candidatos à Câmara Federal, não estão brincando de eleição. Jogam pesadíssimo.
Eterno rodízio
Em sete anos e meio de governo, FHC já teve oito ministros da Justiça: Nélson Jobim, Íris Rezende, Renan Calheiros, José Gregori, José Carlos Dias, Aloísio Nunes Ferreira, Miguel Reale Júnior e o atual Paulo de Tarso Ramos Ribeiro. Sobre este último, o ex-ministro Fernando Lyra nunca ouvira falar até às 19h de 3ª feira.
No corpo a corpo
Em vez de comícios, que custam caro e não rendem votos, o deputado José Múcio (PSDB) está apostando em reuniões. Falou ontem à tarde, em Lajedo, para 150 lideranças e, à noite, em Capoeiras, para cerca de 200. Tinha uma reeleição tranquila na “chapinha”. Mas, no “chapão”, nivelou-se aos concorrentes.
Repercutiu bem, em Olinda, a candidatura da ex-prefeita Jacilda Urquisa (PMDB) à Assembléia Legislativa, em lugar da do marido, Hélio, que não se candidatará à reeleição. Já em Bom Conselho, terra natal do casal, a maioria dos eleitores tinha preferência pelo deputado. Que vai muito lá e arranjou algumas obras junto ao governo estadual.
Candidato à Câmara Federal pelo PSB, o presidente regional do partido, Jorge Gomes, só resolveu entrar na “guerra” depois que se convenceu que Miguel Arraes e Eduardo Campos, juntos, terão aproximadamente 250 mil votos. Ele espera sair de Caruaru com 25 a 30 mil votos. O que é 50% da sua eleição.
“Patativa do Assaré” foi tão importante para a música nordestina quanto Humberto Teixeira e José Dantas. Seu poema “A triste partida”, gravado por Luiz Gonzaga, denunciando os efeitos da seca no Nordeste, teve mais repercussão política do que milhares de discursos feitos por deputados e senadores, no Congresso, abordando o mesmo tema.
Pela primeira vez, em muitos anos, a diretoria do EMTU enfentou uma greve de ônibus sem estar a serviço dos empresários. Evandro Avelar, secretário de projetos especiais, inaugurou uma prática segundo a qual o reajuste de salário dos motoristas não será repassado para os usuários. Tomara que não mude!
Editorial
RESCALDO DE UMA GREVE
Terminada a greve de motoristas, fiscais e cobradores de ônibus do Grande Recife, que durante três dias transtornou a vida profissional e privada de 1,6 milhão de usuários, reduziu o número e a qualidade de atendimentos dos hospitais e deu prejuízos ainda não avaliados aos setores do comércio, indústria e serviços, repete-se a pergunta de sempre: pode haver greve nas atividades indispensáveis à vida dos cidadãos?
A Constituição Federal, em seu art. 9º, diz secamente: “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devem por meio dele defender”. Mas, na continuação, aflora a questão da essencialidade, sem responder claramente à pergunta acima. “Parágrafo primeiro - A lei definirá os serviços essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. Parágrafo segundo - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei”. O resto vai depender da interpretação dos juízes.
A greve de rodoviários urbanos, eclodida no dia 3 deste mês, apresentou algumas diferenças em relação à de 1998. Foi quase sem piquetes, com raras depredações de ônibus e sem conflitos de rua, ocorrências que marcaram a anterior. Pode-se mesmo dizer que foi uma greve pacífica, civilizada, num setor estratégico para a vida e a economia de uma área metropolitana complexa, como a do Grande Recife. Mas, esta última paralisação revelou, com toda a crueza, o nível de dependência que as metrópoles do País se encontram em relação ao transporte alternativo. Há uma quantidade cada vez maior de kombis, bestas e vans que transportam passageiros nos municípios da RMR. Numa greve de motoristas de ônibus, envolvendo 100% da categoria, o transporte alternativo pode parecer, como se diz, um mal necessário. Mas, em circunstâncias de alta demanda, pode também significar um elemento explorador a mais da população.
Muito mais do que na greve de 1998, nesta de 2002 a população da RMR foi sistematicamente explorada: os veículos alternativos chegaram a aumentar em 100% o preço das passagens cobradas habitualmente, além de não aceitarem geralmente o vale-transporte, tão habitual em outros dias. Os kombistas perderam, assim, uma boa oportunidade para melhorar a sua imagem diante do povo e mesmo dos poderes públicos. Isso vai depor contra eles, na luta pela legalização desse tipo de transporte, entre nós.
O efetivo profissional que faz circular dois mil e seiscentos ônibus na RMR é composto de vinte mil motoristas e pelo menos vinte mil cobradores e mais de mil fiscais. A reivindicação maior desse pessoal foi a de um reajuste salarial de 18,45%. Não resolvido o impasse entre patrões e rodoviários, um acordo foi mediado pela Justiça do Trabalho. Mas, antes disso, o juiz exigiu que parte da frota entrasse em circulação, sob pena de multas vultosas ao Sindicato responsável pela decretação da greve.
Embora o reajuste não tenha sido o mesmo das reivindicações, na greve deste ano aproximou-se mais do desejado pelos trabalhadores. Em 1998, eles reivindicaram 15,5% e conseguiram 4,3%. Este ano, brigaram por 18,45% e ficaram com 9%.
Durante toda a greve, o aumento de tarifas, para compensar o reajuste salarial, foi recusado pela EMTU. Os empresários o colocaram como condição para ceder nas negociações, mas, depois, aceitaram não mexer por enquanto no preço das passagens.
Pouco antes da greve, informações divulgadas pelo sindicato patronal davam conta de que do início de 1997 até junho de 2002, o setor do transporte coletivo no Grande Recife acumulou um déficit de R$ 156 milhões. Ainda assim, o acordo foi feito. E o sindicato dos trabalhadores lembrou que houve aumentos sucessivos de tarifas, nos oito anos do Plano Real.
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07/10/2002
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