Cândido quer readmissão de guardas endêmicos



O senador Geraldo Cândido (PT-RJ) reivindicou, nessa quinta-feira (21), a imediata readmissão dos 5.792 guardas endêmicos, conhecidos como "mata-mosquitos" do estado do Rio de Janeiro, cujos contratos foram rescindidos pela Fundação Nacional da Saúde (Funasa) em 1999 e que até hoje lutam por seus postos de trabalho.

- A atual epidemia de dengue no estado é a crônica de uma tragédia anunciada, porque não faltaram alertas do Ministério Público e da Fundação Oswaldo Cruz sobre a gravidade do problema e a inconveniência da demissão dos guardas endêmicos federais e da política de municipalização do combate à dengue, tendo em vista o risco de epidemia generalizada - afirmou.

Ele lembrou que, em relação à crise do setor energético, o governo colocou a culpa em São Pedro. No caso da dengue, muito mais grave porque coloca em risco a vida dos cidadãos, a culpa chegou a ser imputada aos cidadãos e, mais recentemente, até às bromélias. Na verdade, Geraldo Cândido acredita que houve intransigência do ministro da Saúde, José Serra, que não deu ouvidos aos alertas do ex-ministro Adib Jatene.

Segundo Cândido, desde que foram demitidos, os mata-mosquitos levaram a cabo uma luta heróica pelos postos de trabalho. Foram reprimidos, desrespeitados e humilhados pelas autoridades do governo. Até mesmo decisões da Justiça Federal de reintegração imediata e oferecimento de condições de trabalho foram desrespeitadas, relatou o senador.

Nesse momento, informou Cândido, mais de 200 mata-mosquitos estão nas dependências da Fundação Nacional de Saúde, até que se cumpra a decisão judicial. Alguns estão até dispostos a fazer trabalho voluntário, por estarem conscientes da gravidade da situação da dengue no Rio de Janeiro, onde já foram notificados 68.438 casos. Oficialmente já são 11 mortos, que podem chegar a 27, pois a Secretaria de Saúde investiga 16 óbitos suspeitos, afirmou o senador.

- Nesse momento grave, a reintegração desses trabalhadores altamente especializados certamente teria papel decisivo no combate à epidemia. No entanto, é temerosa a ação do governo de alocar homens do Exército e da Marinha, despreparados para essas ações - observou Cândido.

Em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que o ministro José Serra tomou uma atitude errada ao demitir os guardas endêmicos. "Se seu trabalho não tivesse sido interrompido, a epidemia de dengue não teria tomado tanto corpo. A providência correta, agora, deve ser obedecer à decisão judicial de readmitir os 5.792 trabalhadores", disse.



21/02/2002

Agência Senado


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