Capiberibe quer esclarecer recusa da soja pelos chineses
O senador João Capiberibe (PSB-AP) leu artigo do ex-secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul (governo Olívio Dutra), José Hermeto Hoffmann, no qual este diz que as sementes de soja contaminadas com fungicida que provocaram a recusa de vários carregamentos do produto para a China - gerando prejuízo de US$ 1 bilhão ao país - são, na verdade, sementes com veneno destinadas ao plantio, mas que foram criminosamente misturadas às sementes colhidas.
A causa, segundo Hoffmann, foi o fato de o governo federal ter proibido o plantio de soja transgênica no início de 2003, forçando os produtores a adquirirem sementes convencionais. Pouco depois, no entanto, foi liberado o plantio de mais uma safra de soja modificada. Os produtores, então, adquiriram sementes geneticamente modificadas e alguns deles, inescrupulosos, misturaram as sementes com fungicida à colheita, num ato criminoso.
No artigo, Hoffman afirma que -uma análise honesta e isenta indicará que esta contaminação tem relação direta com o plantio ilegal da soja transgênica-. Segundo o ex-secretário, sem a permissão para se plantar soja transgênica, o país não teria -chegado ao ponto de ter excedente de semente envenenada na mão de agricultores-. E completa: -se podemos plantar soja transgênica, que é proibida, por que não misturar semente envenenada com grão comercial?-.
O artigo citado por Capiberibe diz haver outros responsáveis pela mistura, além dos agricultores inescrupulosos. Para Hoffmann, esses responsáveis são -as lideranças que estimularam o plantio ilegal, que venderam facilidades, que iludiram e enganaram os agricultores-.
O senador criticou a postura do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que indiretamente imputou aos chineses a responsabilidade pelo retorno da soja. Nesta versão, segundo Capiberibe, os chineses teriam agido como gângsteres, devolvendo o produto que compraram na alta e que recebiam quando o preço havia caído no mercado internacional. Para o parlamentar, o ministério não age com transparência ao não revelar o nome e o endereço do armazém onde foram encontradas sementes tratadas com fungicidas misturadas a grãos de soja destinados à comercialização.
- A responsabilidade pelo embargo da soja pelos chineses deve ser totalmente esclarecida. Tanto mais que, mesmo antes da proibição imposta pelos chineses, muitas cooperativas do Rio Grande do Sul recusaram-se a comprar soja de vários produtores inescrupulosos exatamente porque ela continha sementes tratadas com agrotóxicos - revelou o senador.
01/07/2004
Agência Senado
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